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FHC rebate ministro e afirma que Dilma sofre com "herança maldita"

3 dez 2012
15h14
atualizado às 16h56
Gustavo Gantois
Direto de Brasília

O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso rebateu nesta segunda-feira as declarações do ministro Gilberto Carvalho de que a Polícia Federal não teria funcionado durante o governo do tucano, entre 1994 e 2002. Fugindo à tradicional calma em suas declarações, FHC chamou Carvalho de "menino" e reafirmou que a presidente Dilma Rousseff recebeu uma "herança maldita" de seu antecessor, Luiz Inácio Lula da Silva.

Fernando Henrique Cardoso participou hoje do anúncio do nome de Aécio Neves como candidato do PSDB para a Presidência
Fernando Henrique Cardoso participou hoje do anúncio do nome de Aécio Neves como candidato do PSDB para a Presidência
Foto: Antônio Cruz / Agência Brasil

"Acho que uma pessoa que tem posição de governo tem de pensar duas vezes antes de dizer o que não sabe. (Ele) deve olhar para seus próprios problemas. A PF ganhou força e era independente, sim. Tanto era independente que, não quero mencionar pessoas, mas houve senador da República algemado. Achei até exagero, mas houve. E houve governadora de Estado irritada porque seu gabinete foi invadido e havia dinheiro e não se sabia de onde vinha. Isso não foi por interferência política minha nem de ninguém, mas por ordem judiciária e ação da PF", defendeu FHC.

Em 2002, o então ex-senador Jader Barbalho foi preso e algemado pela Polícia Federal, sob a acusação de envolvimento em escândalo na extinta Superintendência do Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). No mesmo ano, a candidatura presidencial da atual governadora do Maranhão, Roseana Sarney (PMDB), foi implodida por uma ação da PF: a busca e apreensão na empresa Lunus, de Jorge Murad, marido da governadora. No local, foram encontrados R$ 1,3 milhão.

Dois anos depois, o então suplente de senador Flexa Ribeiro (PSDB-PA) foi algemado e passou quatro dias na cadeia após a PF deflagrar a Operação Pororoca, que investigou uma rede de empresários e políticos acusados de montar uma quadrilha para fraudar licitações para obras públicas no Amapá.

FHC afirmou que, quando assumiu o governo, a Polícia Federal estava sucateada e tomada por brigas internas. "A reforma foi feita quando o ministro (Nelson) Jobim e eu reabrimos a escola de polícia e reestruturamos a Polícia Federal", disse o ex-presidente.

Fernando Henrique aproveitou para criticar os constantes ataques feitos por membros do governo mesmo dez anos após o fim do mandato do tucano. Segundo o ex-presidente, todos os atuais problemas verificados pela PF tiveram origem no governo Lula.

"Eu tenho 81 anos, mas tenho memória. Esse senhor (Gilberto Carvalho) precisava pelo menos respeitar o passado, até o dele, e não continuar dizendo coisas levianas. Estou cansado de ouvir leviandades de quem está no governo e que se aproveita da posição de governo para jogar pedra no passado. Herança maldita está aí, recebida pela presidente Dilma. Ela não gostou que eu disse isso, mas é verdade. Essa é uma herança maldita que está aí pelo trabalho do governo passado. Mais leva tempo para consertar no que errou do que olhar para frente", contraatacou FHC.

"Engavetador-geral"
Mais cedo, ao falar sobre a Operação Porto Seguro, que identificou uma rede de tráfico de influência no governo federal, Gilberto Carvalho afirmou que o governo brasileiro é a prova de que o combate à corrupção nunca foi prioridade no governo tucano e que o Ministério Público e a Polícia Federal nunca tiveram tanta autonomia com os petistas.

"Antes havia o 'engavetador-geral' da República. Com o presidente Lula, nós começamos a ter um procurador com toda a liberdade. A Polícia Federal - que é hoje cantada em prosa e verso pela sua independência - só passou a ser independente sob o governo do presidente Lula e agora da presidenta Dilma, cortando na carne quando necessário", disse Carvalho.

O ministro também questionou a impressão de que há mais corrupção atualmente. "O que acontece mais agora é que as coisas não estão debaixo do tapete. A Polícia Federal e os órgãos de vigilância e fiscalização estão autorizados e com toda a liberdade garantida pelo governo", disse. "Agora, há autonomia inclusive quando cortam na nossa própria carne. E isso é saudável. É um resultado desse avanço da democracia".

Fonte: Terra
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