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FHC diz que Brasil e ele devem muito a Itamar Franco

2 jul 2011
17h20
atualizado às 18h38
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Vagner Magalhães
Direto de São Paulo

O ex-presidente da República Fernando Henrique Cardoso afirmou neste sábado, em São Paulo, que sente muito a morte do também ex-presidente Itamar Franco, e que tanto ele quanto o Brasil devem muito ao ex-governador mineiro. FHC concedeu entrevista no saguão do prédio onde mora, na região central de São Paulo.

Segundo FHC, o Brasil perdeu uma grande pessoa, principalmente por conta do comportamento ético de Itamar no exercício do poder. "Itamar era caracterizado, primeiro, por ter um comportamento ético impecável. Segundo, por ser uma pessoa persistente. Quando ele tinha um objetivo, ele ia lá. Era uma pessoa amena no trato. Tinha, como todos nós, suas peculiaridades, mas, no conjunto, Itamar foi essencial", afirmou.

FHC lembrou que Itamar viveu um momento político dramático, com o impeachement de Fernando Collor, em 1992, mas assumiu o cargo com dignidade. "Ele viveu um momento muito dramático, que foi a substituição de um presidente por impeachement, mas se comportou com dignidade. Não queria nem assumir na hora, porque ele achava que era preciso dar tempo ao tempo. Não teve nenhum açodamento, não teve qualquer pressão para permanecer no cargo. Teve um momento difícil, mas teve ousadia."

De acordo com FHC, os convites para ser ministro das Relações Exteriores e posteriormente da Fazenda de Itamar foram surpreendentes. "Eu fui ministro do Exterior do Itamar, nós nos conhecemos no Senado. Convivemos lá como companheiros. Embora muito boa e cordial, não tínhamos uma convivência mais próxima, e ele me surpreendeu ao me nomear ministro do Exterior. Mais tarde, mais ainda me surpreendeu me nomeando ministro da Fazenda. Nessa época, se não fosse o apoio decisivo do Itamar, eu não teria podido fazer o Plano Real. Nenhum plano dessa magnitude se faz sem o apoio do presidente", afirmou.

Mesmo quando não estava totalmente convencido de certas medidas, diz FHC, Itamar sempre teve muita preocupação de não afetar os salários dos trabalhadores. "Ele tinha medo das consequências de uma política fiscal mais ajustada. Mas mesmo nessas ocasiões ele foi leal, apoiou até o fim. Eu devo muito a ele. Não só pelo que eu já mencionei, mas porque ele também me apoiou a ser candidato a presidente".

Para FHC, o Brasil deve muito a Itamar. "Deve ao exemplo que ele deixou, principalmente agora, que nós precisamos de ter exemplos. Itamar era um homem digno, um homem que não se deixava levar pelo fascínio do poder, um homem simples. Era um homem que não aceitava corrupção".

Fernando Henrique se mostrou abalado pela perda de ao menos três amigos em um curto espaço de tempo na última semana, e disse que não sabe se comparecerá ao velório de Itamar. "Eu confesso que eu ando abalado. Morreu o Paulo Renato, morreu um grande amigo meu, o Juarez (Brandão Lopes), agora o Itamar. Eu também tenho os meus 80 anos. Meu sentimento é total, mas não sei se terei condições de ir".

Itamar Franco morreu na manhã deste sábado, no Hospital Albert Einstein, em São Paulo, após sofrer um Acidente Vascular Cerebral (AVC). Ele estava internado desde o dia 21 de maio, para tratamento de leucemia. O estado de saúde de Itamar piorou ontem, quando ele passou a respirar com a ajuda de aparelhos. Nesta semana, o senador foi internado na Unidade de Terapia Intensiva (UTI) do Einstein com um quadro de pneumonia.

Fonte: Terra
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