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Ex-deputado federal Marcio Moreira Alves morre no Rio

3 abr 2009
19h55
atualizado às 23h23

O ex-deputado federal e jornalista Marcio Emmanuel Moreira Alves morreu nesta sexta-feira, no Hospital Samaritano, onde estava internado desde outubro, Rio de Janeiro. A causa da morte seria proveniente de complicações após um acidente vascular cerebral (AVC). O corpo de Moreira Alves será velado no sábado na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro, e depois cremado.

Fotografia de 2001 mostra o jornalista Marcio Moreira Alves, personagem da luta contra a ditadura
Fotografia de 2001 mostra o jornalista Marcio Moreira Alves, personagem da luta contra a ditadura
Foto: Divulgação

Ele tinha 73 anos e era natural do Rio de Janeiro. O político foi prefeito de Petrópolis (RJ) e secretário de Finanças do Estado. Marcio iniciou as atividades profissionais aos 17 anos, quando trabalhou como repórter do jornal carioca Correio da Manhã. Em 1956, ele foi correspondente de guerra do veículo no conflito anglo-egípcio.

O jornalista também atuou na cobertura da crise política de 1957, em Alagoas, onde a Assembléia Legislativa iria se reunir para decretar o impeachment do governador Muniz Falcão, que era acusado de ter assassinado um deputado da oposição.

Naquela sessão, a Assembléia foi invadida e houve tiroteio entre os deputados. Marcio foi atingido por um tiro mas, mesmo ferido, enviou a reportagem por telegrama para o jornal para o qual trabalhava, feito que lhe rendeu o Prêmio Esso de Reportagem de 1958.

Formado em Direito, ele ingressou na política ao se integrar à comitiva do ex-governador paulista Jânio Quadros durante a sua candidatura à presidência da República, em 1960. Na década de 60, Marcio foi também assessor do Ministério das Relações Exteriores e do Ministério da Fazenda.

Em novembro de 1966, ele foi eleito deputado federal pelo antigo Estado da Guanabara representando o Movimento Democrático Brasileiro (MDB). Em setembro de 1968, um discurso feito na Câmara por Moreira Alves causou uma crise entre o Legislativo e o Executivo. Em uma crítica à invasão da Universidade de Brasília (UnB) pelos militares, o então deputado conclamou a sociedade a boicotar o governo e o que chamou de "militarismo" ao não participar das comemorações do Dia da Independência.

Os militares, então, pediram autorização do Congresso para processar Moreira Alves, a qual foi negada pelos parlamentares. Dias depois, no dia 13 de dezembro de 1968, o governo editou o AI-5, o ato institucional mais duro desde o início do regime militar, em 1964.

O instrumento dava ao presidente da República o poder de decretar o recesso do Congresso Nacional, cassar mandatos eletivos e suspender direitos políticos de qualquer cidadão.

Um dos primeiros deputados a serem cassados depois da publicação do AI-5, Moreira Alves exilou-se no exterior. Só retornou ao Brasil em 1979, beneficiado pela Lei da Anistia.

Na década de 80, após morar no Exterior, o ex-deputado foi assessor da presidência do Banco do Estado de São Paulo (Banespa) e da Secretaria de Governo do Estado de São Paulo.

Em 1990, após tentar a reeleição e perder o pleito para deputado federal de 1986, ele pediu desligamento do PMDB para se dedicar somente à imprensa, quando se tornou colaborador do Jornal do Brasil e do O Estado de São Paulo.

Com informações da Reuters.

Fonte: Terra

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