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'Estou me lixando para movimento gay', diz Jair Bolsonaro

30 mar 2011
16h30
atualizado às 17h07
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Laryssa Borges e Luciana Cobucci
Direto de Brasília

O deputado federal Jair Bolsonaro (PP-RJ), envolvido em polêmicas por emitir opiniões consideradas racistas e homofóbicas, afirmou nesta quarta-feira, no Palácio do Planalto, estar "se lixando" para o movimento gay. Um dos representantes do movimento, o deputado Jean Wyllis (PSOL-RJ), é signatário das representações contra o parlamentar protocoladas por conta das declarações.

Reeleito no pleito do ano passado, o deputado Sergio Moraes (PTB-RS), afirmara em 2009 também estar "se lixando para o opinião pública" por defender na época o então parlamentar Edmar Moreira, conhecido como "deputado do castelo". Moreira tinha um palácio avaliado em R$ 25 milhões - e não declarado ao Fisco - no interior de Minas Gerais.

"Estou me lixando para esse pessoal aí (do movimento gay). Eles criaram agora a Frente Parlamentar de Combate à Homofobia, a frente gay. O que esse pessoal tem a oferecer para a sociedade? Casamento gay, adoção de filhos? Dizer para vocês que são jovens que, no dia em que vocês tiverem um filho, se for gay é legal e vai ser o 'uhuu' da família? Esse pessoal não tem nada a oferecer", disse o deputado ao chegar para o velório do ex-vice-presidente da República José Alencar.

Mesmo com as declarações de cunho homofóbico, o parlamentar negou ter problemas com gays. "Cada um faz o que quer com o seu corpinho cabeludo entre quatro paredes. Nada contra isso. Não quero que grupo GLBT (gays, lésbicas, bissexuais e transexuais) crie currículo para escola do primeiro grau", comentou.

Durante o programa CQC , da TV Bandeirantes, veiculado na última segunda-feira, em resposta à cantora Preta Gil, que perguntou ao deputado o que ele faria se seu filho se apaixonasse por uma mulher negra, Bolsonaro respondeu: "Não vou discutir promiscuidade com quem quer que seja. Não corro esse risco porque os meus filhos foram muito bem educados e não viveram em ambientes como lamentavelmente é o teu". No entanto, o deputado afirmou em nota divulgada na terça-feira que entendeu errado a pergunta e achou que a artista se referia a uma relação homossexual.

No Palácio do Planalto, Jair Bolsonaro atacou ainda a cantora Preta Gil e a acusou de estimular comportamentos sexuais que ele considera condenáveis. "O que eu entendi da Preta Gil, por Deus que está no céu, é como eu reagiria caso meu filho tivesse um relacionamento com gay. Todo mundo que quiser entrar com processo é justo. Ela, por exemplo, que exemplo ela tem de vida para dar para todos nós para cobrar ética? No blog dela está escrito lá que ela já participou de atos sexuais com outras mulheres, ela participa - palavras dela lá - de suruba. Ela está mostrando agora para quem quiser um kit virtual para homens se masturbarem. É isso que ela tem para oferecer para nós todos. O que eu tenho contra ela? Nada contra ela. Nunca gostei dela, é direito meu. Não vejo que ela tem credibilidade para falar em ética", disse.

Ele também se mostrou contrário a políticas de inclusão de homossexuais em escolas. "Eu tenho batido duramente na distribuição do kit gay nas escolas de primeiro grau. E entrei em uma segunda fase em que a Maria do Rosário, secretária de Direitos Humanos, lançou o Programa Nacional de Direitos Humanos na escola pública, (...) onde cria cota para professor homossexual de primeiro grau, cria bolsa de estudo para jovem homossexual, cria no serviço público o estágio remunerado para jovem homossexual. São 180 itens. Além das cotas mais variadas que temos vamos ter cota para homossexuais?", afirmou, minimizando o risco de retaliações ou de ter de responder a novos processos, inclusive penais.

"Qualquer caso meu vai parar na corregedoria. Grupos homossexuais me detestam, o Psol, radical de esquerda ideológica, me detesta. Não é novidade. Soldado que vai à guerra e tem medo de morrer é um covarde. Eu estou dentro do Congresso para lutar", disparou.

O presidente da Câmara dos Deputados, Marco Maia (PT-RS), informou nesta quarta-feira que encaminhou à corregedoria da Casa representação contra Jair Bolsonaro (PP-RJ) por conta de declarações racistas e homofóbicas feitas pelo parlamentar.

Deputado deu declarações consideras homofóbicas e racistas a programa de TV
Deputado deu declarações consideras homofóbicas e racistas a programa de TV
Foto: Agência Brasil
Terra

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