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Política

Em debate, escritor diz que Brasil teve "ditadura branda"

Domingos Pellegrini causou polêmica em mesa redonda na Bienal do Livro de Brasília

18 abr 2014 - 18h21
(atualizado às 18h28)
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A Bienal do Livro ocorre em Brasília, até segunda-feira
Foto: Elza Fiúza / Agência Brasil

Ao usar o termo ditadura branda em debate na 2ª Bienal Brasil do Livro e da Leitura, o escritor Domingos Pellegrini causou polêmica. Pellegrini que viveu e escreveu sobre o período, disse que a ditadura no Brasil foi mais branda que os demais governos militares na América Latina.

"Na Argentina, no Uruguai e no Chile o número de mortos, feridos e torturados foi maior. São números. Se formos comparar, a censura à imprensa no Brasil foi mais branda. Não chegava a prender ninguém. Era uma avacalhação", disse. "Agradeço por ter havido uma ditadura branda que nos permitiu esses exercícios de liberdade que foram os mimeógrafos e outras publicações que nos permitiram lutar com dignidade".

O escritor e jornalista Ignácio de Loyola Brandão, que também fazia parte da mesa de debate foi o primeiro a se indignar. "Ditadura, seja onde for, é odiosa. Vidas foram sacrificadas, pessoas foram mortas, uma geração foi sacrificada. Não dá para dizer que é branda. Não dá para dizer que agradeço à ditadura, não agradeço nunca".

Logo a plateia também se indignou. Foram várias as manifestações contrárias, incluindo a do secretário de Cultura do Distrito Federal, Hamilton Pereira, que também lutou contra a ditadura. "Acredito que há um equívoco no termo usado". Pellegrini defendeu-se: "não agradeço, lutei contra ela. Mas agradeço que foi uma ditadura mais branda que as demais na América Latina".

Os escritores participaram do debate A Produção Literária nos Anos de Chumbo. A mesa era composta por Loyola, Pellegrini e Luiz Fernando Emediato. Como explicou Loyola, eles vieram dos jornais. "Fazemos parte de uma geração de escritores diferente da anterior, viemos dos meios de comunicação. Somos uma geração que viveu na pele e, tendo que se calar, se abriu por meio da literatura".

Hoje, eles se dizem descrentes nos jornais. "Leio todos os jornais para não ter informação nenhuma e não ter opinião nenhuma. Eles estão atrelados aos que representam, mas a opinião deles não me afeta. Não acho que hoje eles determinem tanto, estou mais preocupado com o que vem das redes sociais, da internet, é uma grande confusão", disse Loyola.

Emediato vê um problema nas fontes usadas pelos jornalistas. "Tem muito erro, imprecisão, manipulação. Você constrói a história, passa para o jornalista e raras vezes ele vai checar", disse. Ele deixou o jornalismo na década de 1990. "Várias vezes li descrições de fatos e reuniões que não aconteceram. Já liguei para um jornalista e ele me disse que tinha fontes boas. Eu estava lá, eu vi e ouvi, eu rebati, mas ele disse que não acreditava".

A Bienal do Livro ocorre em Brasília, até segunda-feira (21). A entrada é gratuita. A programação está disponível na página do evento.

Agência Brasil Agência Brasil
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