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Em tom conciliador, Aécio diz que Serra sempre terá espaço

4 nov 2010 17h56
| atualizado às 19h52
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Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte

Depois de um silêncio de três dias, o ex-governador e senador eleito por Minas Gerais, Aécio Neves (PSDB), falou nesta quinta-feira (4) sobre a derrota do candidato do PSDB, José Serra, à presidência da República. Durante visita ao santuário de Nossa Senhora da Piedade, em Caeté (MG), o tucano afirmou que "sempre haverá espaço para ele (o presidenciável)". O ex-governador negou que tenham ficado mágoas do fato de o colega de partido não ter citado seu nome no discurso em que reconheceu a derrota. O governador do Estado, Antonio Anastasia (PSDB), acompanhou Aécio.

Aécio, que é cotado para ser o candidato a presidente pelo PSDB daqui a quatro anos, minimizou o "até breve" pronunciado no mesmo discurso por Serra. "Natural que o governador Serra continue participando do processo político. Ele foi um guerreiro. Deve deixar essa campanha de cabeça erguida, e não com sentimento de derrota".

O ex-governador mineiro preferiu não comentar sobre a bolsa de apostas do tucanato para a corrida presidente de 2014. "Nós estamos em 2010, sequer 2011 chegou. Candidatura presidencial vai acontecer com muita naturalidade". O tucano repetiu as declarações dadas no domingo (31), em Belo Horizonte, quando defendeu que o PSDB passe por uma revisão interna e por um processo de fortalecimento.

O senador eleito dá mostras de que vá encabeçar um processo de nacionalização da sigla. Ele lembrou que, em pelo menos dez Estados brasileiros, a situação do partido é "frágil".

Ainda sobre a derrota de Serra, Aécio Neves optou por um discurso tons de Poliana. "No plano nacional fizemos o bom combate. A vitória eleitoral e a política nem sempre caminham na mesma direção. Quando se faz uma campanha como a que nós fizemos, devemos colher vitórias", disse.

Contra chagas, Tancredo
Fora de cena desde a tarde de domingo, dia em que os brasileiros foram às urnas, o senador eleito pelo PSDB escolheu a Serra da Piedade, na cidade de Caeté, para reaparecer. Ao lado de Antonio Anastasia, governador eleito graças à superexposição de Aécio, ele foi até o local para agradecer a vitória alcançada. O ritual é repetido há décadas e era feito inicialmente por seu avô, Tancredo Neves, conhecido por sua religiosidade.

E foi uma das muitas máximas de Tancredo que o tucano sacou para tratar das questões políticas e fugir das possíveis chagas provocadas pela derrota no processo eleitoral. "Volto a um ensinamento de Tancredo, que dizia que a vida pública é feita de vitórias e derrotas. A derrota, devemos esquecer rapidamente para que não nos abatamos. Já a vitória deve ser esquecida antes ainda que a derrota para que ela não nos inebrie".

Assim como fez no dia da votação, o mineiro afirmou que vai defender uma agenda nacional, de interesse do País, e não de partidos ou de governos. Aécio desconversou sobre a possibilidade de ser ungido à posição de principal nome da oposição a partir de 2011. "Não me autoproclamo líder de nada".

Conhecido pelo perfil altamente conciliador, daqueles políticos que conversam com todos os campos, - assim como fazia Tancredo - garantiu que fará uma oposição "responsável e atenta". E ainda mandou recados ao presidente Lula, dizendo que irá fazer um embate de idéias de forma generosa com o Brasil. "O presidente pode ficar tranqüilo que não verá uma oposição como a que o PT fez com o presidente Fernando Henrique, propondo 'Fora FHC', impeachment, afastamento do presidente."

O senador Aécio Neves defende que o PSDB passe por uma revisão interna e por um processo de fortalecimento
O senador Aécio Neves defende que o PSDB passe por uma revisão interna e por um processo de fortalecimento
Foto: Omar Freire/Imprensa MG / Divulgação
Fonte: Especial para Terra
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