Política

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07 de maio de 2013 • 16h04 • atualizado às 16h22

Em programa do PSC, Feliciano não considera família gay 'verdadeira'

Pastor defende que é necessária uma "valorização da família verdadeira" para melhorar o País

O presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmaraaparecerá em comerciais do partido na TV e no rádio a partir desta terça-feira
Foto: Reprodução

Defendendo a "recuperação dos valores da família verdadeira", o Pastor Marco Feliciano (PSC-SP), presidente da Comissão de Direitos Humanos (CDH) da Câmara dos Deputados, aparecerá em comerciais do partido na TV e no rádio a partir desta terça-feira, em inserções que também vão ao ar nos dias 9, 11 e 16 de maio. Ao todo, 22 pessoas defenderão as famílias constituídas por homens e mulheres, excluindo as famílias homossexuais, que não se enquadram no conceito de família "verdadeira" apoiado pelo PSC.

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São 40 comerciais de 30 segundos cada, espalhados em diferentes horários na programação das televisões e emissoras de rádio. "Ser social e cristão é ter compromisso com a defesa da família. É ser contra as drogas e a favor da vida. Somente com a valorização da família verdadeira vamos fazer um Brasil melhor. Venha com o PSC mudar o nosso Brasil", afirma o Pastor Marco Feliciano em uma das gravações. 

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Em uma das partes do programa, uma criança fala que "mãe ama de verdade", "pai cuida com amor" e que o amor pode vir de outros familiares também, como tios, tias, avôs e avós. Porém, o argumento não vale para famílias gays.

Deputados criam frente contra Feliciano
A eleição de Feliciano para presidente da comissão tem causado polêmicas e mal-estar entre os parlamentares que integram a CDH. Um grupo de deputados criou a Frente Parlamentar em Defesa dos Direitos Humanos (FPDDH) para contrapor o pastor. Há mais de um mês, manifestações populares contra Feliciano acontecem nas ruas. Na semana passada, integrantes da FPDDH, que se propõe a ser um espaço para debater os temas "proibidos" pelo pastor, realizaram a primeira audiência pública, na Praça Roosevelt, no centro de São Paulo.

No local, o cartunista Laerte e o deputado federal Jean Wyllys (Psol-RJ) protestaram contra a onda de "conservadorismo fundamentalista" crescente no Brasil e contra a "campanha difamatória" contra as minorias nas redes sociais, sobretudo contra os homossexuais. "A Comissão (da Câmara) está esvaziada. Já não existe mais espaço para trabalhar as pautas de direitos humanos lá. Os movimentos sociais estão demonstrando que estão insatisfeitos. Isso é a pressão social organizada sobre os políticos", disse Wyllys.

Terra