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Em primeira aparição, Dilma critica "falsos cordeiros"

5 abr 2010
17h21
atualizado às 23h44

Claudia Andrade
Direto de Brasília

Dilma deixou o comando da Casa Civil para concorrer à Presidência da República
Dilma deixou o comando da Casa Civil para concorrer à Presidência da República
Foto: Agência Brasil

Em evento na tarde desta segunda-feira, em Brasília, a pré-candidata petista à sucessão Presidencial, Dilma Rousseff, fez um discurso repleto de criticas aos seus adversários eleitorais a quem ela chamou de "falsos cordeiros", em sua primeira aparição pública após deixar a Casa Civil.

"Nosso povo tem consciência política, está alerta para os lobos com pelo de cordeiro. Esses falsos cordeiros são fáceis de identificar, um dia tentam enganar dizendo que vão continuar o trabalho do presidente Lula, no outro falam mal de tudo, ameaçam acabar com o PAC (Plano de Aceleração do Crescimento), com o Bolsa Família e com a política econômica que permitiu que tudo desse certo", afirmou a ex-ministra.

A cerimônia de posse do novo presidente do PR, Alfredo Nascimento, ex-ministro dos Transportes, foi a primeira apresentação pública de Dilma Rousseff depois de deixar o governo. O PR anunciou que deverá participar da coligação em torno da candidatura de Dilma, mas que só no mês de junho, quando será realizada a convenção nacional, é que a decisão será oficializada.

"Dizem que vão continuar o que o governo Lula está fazendo, mas como vão continuar se passaram os últimos sete anos e meio reclamando de tudo? Muito antes de poderem encenar o enredo do pós-Lula, são e sempre foram os anti-Lula", afirmou Dilma.

A ex-ministra falou ainda das críticas da oposição que destacavam a "sorte" do governo. "Era só sorte. A gente vivia com o vento jogando a favor. Aí, todas as coisas saíam fáceis para nós. Nós tivemos a maior crise desde 1929 e ao invés de quebrar, ao invés do governo ser parte do problema, foi parte da solução", disse.

"Hoje, nós podemos dizer em alto e bom som: sorte, é verdade, a gente tem. Porque também não queremos ter nenhum pé frio nem azarado dirigindo o Brasil, mas temos, sem dúvida, capacidade de trabalho e competência para agir", afirmou a ex-ministra.

"Eu posso dizer que o povo brasileiro não vai querer voltar atrás, porque a vida dos mais ricos e também dos mais pobres melhorou. Aqueles que venderam o nosso patrimônio, que quebraram o Brasil, que deixaram o povo sem um salário digno, não serão capazes de levar isso em frente", disse.

Campanha
Dilma disse ainda que "não pretende" participar de inaugurações de obras durante a campanha. "Nós não estamos pretendendo fazer isso não. Até porque, o que eu posso fazer são atos em recintos fechados. Eu não estou proibida, como cidadã, de comparecer a uma inauguração. Mas não é essa a linha fundamental de campanha que a gente pretende exercer", disse.

"Se você me perguntar: 'você nunca irá?' Não direi isso. Eu posso ir, mas na minha agenda lançamento, inauguração de obra não vai dominar, de forma alguma. Agora, na hora que entregarem casas do Minha Casa Minha Vida, confesso pra vocês que vou ficar de longe olhando", afirmou a pré-candidata, referindo-se ao programa habitacional do governo que ela coordenou.

Perguntada sobre com o quê ocupou o tempo no primeiro dia 'livre', sem as obrigações de ministra, Dilma disse que ficou ocupada. "Eu estava de mudança, então trabalhei bastante abrindo caixa, carregando móvel. Não foi um dia leve", afirmou.

Eleições
Dilma deixou o cargo de ministra da Casa Civil no dia 31 de março para concorrer à Presidência da República. Outros dez ministros também deixaram as pastas para concorrer ao pleito no fim do ano.

Na cerimônia de despedida do cargo, a ex-ministra defendeu que os debates eleitorais sejam conduzidos em alto nível pelos candidatos e disse que, ao contrário dos tucanos, que não endossam amplamente o governo Fernando Henrique Cardoso, não irá renegar o legado de quase oito anos da gestão Lula.

Fonte: Redação Terra
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