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Em audiência com "ex-gays", deputados defendem tratamento

Pessoas que disseram ter deixado a homossexualidade relataram abusos na infância e dificuldade de conseguir ajuda de psicólogos

24 jun 2015
18h43
atualizado às 18h55
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Em audiência com cinco pessoas que se consideram ex-gays, deputados da bancada evangélica defenderam nesta quarta-feira a possibilidade de tratamento psicológicos para quem busca “reorientar” a sexualidade. Os convidados relataram abusos na infância e reclamaram da dificuldade de conseguir ajuda profissional para enfrentar os conflitos emocionais.

Pastor Joide Pinto Miranda mostra poster com foto de quando era travesti
Pastor Joide Pinto Miranda mostra poster com foto de quando era travesti
Foto: Alex Ferreira / Agência Câmara

Solicitada pelo deputado Marco Feliciano (PSC-SP), a reunião foi aberta pela psicóloga Marisa Lobo, que já enfrentou um processo de cassação acusada de defender a “cura gay” e foi seguida pelos cinco ex-homossexuais, dos quais quatro pastores evangélicos.

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Em 2013, o deputado João Campos (PSDB-GO), líder da bancada evangélica, chegou a apresentar um projeto para sustar a resolução de 1999 do Conselho Federal de Psicologia (CFP) que proíbe psicólogos de tratar a homossexualidade como doença. Apelidada de “cura gay”, a matéria foi arquivada a pedido do próprio parlamentar, depois da polêmica.

Feliciano evitou falar em cura, mas defendeu o tratamento das pessoas por psicólogos. “Não existe cura, porque não é doença. Essas pessoas só querem o direito de serem ouvidas, de serem tratadas por uma coisa que elas não querem ser”, disse.

O deputado defendeu que a gravação do debate seja enviada para o País inteiro. “Essa audiência traz fôlego e oxigênio para pais e mães que não sabem o que fazer agora que a homossexualidade virou um modismo.”

Para o vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério de Oliveira Silva, a reunião foi uma estratégia para reacender o debate da "cura gay". "O que está colocado aqui é uma estratégia de um grupo de deputados para derrubar a resolução, que trata da forma como nós psicólogos entendemos como o exercício profissional deva ser colocado", disse.

Relatos
Todos os ouvidos na audiência disseram que não nasceram homossexuais e relataram terem sofrido abuso. Eles contaram que não eram felizes como gays e, em sua maioria, disseram ter recebido o apoio de igrejas para reorientar a sexualidade.

Pastor e cantor evangélico, Robson Alves disse ter sido homossexual dos 13 aos 21 anos de idade, depois de ser estuprado por um homem na infância. “A pessoa que quer deixar de ser homossexual, ela pode deixar. Nunca fui gay, fui levado para a prática homossexual por esse trauma. A quem pedir ajuda?”, relatou o religioso, hoje casado e com quatro filhos.

Alves disse ter procurado a igreja porque, segundo ele, é difícil conseguir apoio com psicólogos. “A grande maioria dos consultórios psicológicos é uma fábrica de homossexuais, a pessoa não tem apoio. Dizem que você tem que sair do armário. Aquilo que é certo se torna errado. E hoje a sociedade LGBT vai contra as pessoas que querem deixar a prática homossexual. Eu tenho direito de deixar a pratica homossexual”, disse.

Também pastor, Arlei Lopes Batista disse que a confusão com a sexualidade começou já no útero. Sua mãe queria uma menina. “E os psicólogos sabem que a criança que está no ventre já sofre influências”, disse. Até os 3 anos, relatou, foi vestido como uma menina. Ele disse também ter sido abusado aos 7, o que durou três anos. “Nossa nação não permitem ajuda psicológica. Alguém me ajudou a tratar os gatilhos que me levaram à homossexualidade”, disse.

O pastor conferencista Joide Pinto Miranda mostrou um pôster da época em que era travesti. Ele disse ter sido ajudado por uma psicóloga em 1991 para tomar a decisão de retirar os 4,5 litros de silicone que tinha no corpo. “Posso provar que ninguém nasce homossexual, que é uma conduta aprendida e que ela pode ser desaprendida”, afirmou.

Para a psicóloga Marisa Lobo, os “ex-gays” são duplamente discriminados na sociedade. “Quando eram homossexuais, a família não os aceitava e hoje são discriminados porque ninguém os aceita”, disse.

Presente na audiência, o vice-presidente do Conselho Federal de Psicologia, Rogério de Oliveira Silva, lembrou que uma resolução de 1999 definiu que a homossexualidade não constitui doença, nem distúrbio, e estabelece normas de atuação. “Não cabe ao psicólogo conduzir o tratamento de algo que não é considerado uma doença”, disse.

Deputados criticam ausência de colegas
Integrantes da bancada evangélica e da bala criticaram a ausência dos deputados Jean Wyllys (Psol-RJ) e Érika Kokay (PT-DF), defensores dos direitos LGBT. A reunião foi presidida pelo deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que evitou interferir no debate. O deputado Jair Bolsonaro (PP-RJ) chegou a pedir que Pimenta deixasse a presidência da audiência pela simpatia com grupos LGBT, mas a questão de ordem foi rejeitada.

Terra

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