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Vitória: Rezende aposta em diálogo mas admite reduzir receitas

29 out 2012
18h04
atualizado às 18h27
Acácio Rodrigues
Direto de Vitória

O prefeito eleito de Vitória, Luciano Rezende (PPS), teve uma segunda-feira cheia de entrevistas e compromissos. Segundo o único prefeito eleito pelo PPS nas capitais do País, o segredo da mudança, proposta durante toda a campanha, está no contato direto com a população. Mesmo com os problemas econômicos que deve encarar em sua administração, Rezende afirma que seu programa de governo foi montado de acordo com a perspectiva de redução de receitas.

Luciano Rezende (PPS) vota ao lado da mulher e dos filhos no segundo turno, em Vitória
Luciano Rezende (PPS) vota ao lado da mulher e dos filhos no segundo turno, em Vitória
Foto: Acácio Rodrigues / Especial para Terra

A campanha de Luciano Rezende ficou marcada pelo jingle e pelo gesto de "mudança" com as mãos. A proposta de governo do prefeito eleito de Vitória requer instrumentos de ligação com os moradores da cidade. Para isso, disse ele ao Terra, esse momento de transição deve ter como foco a formação de uma equipe qualificada. Esse grupo, de acordo com Rezende, terá funcionários efetivos, e a intenção é evitar relações partidárias. Leia a entrevista completa com o prefeito eleito de Vitória:

Terra - O senhor disse que a principal mudança na sua proposta de governo é a formação de uma equipe, valorizando os cargos efetivos e reduzindo relações partidárias. Como o senhor pretende fazer isso?
Luciano Rezende - Nós vamos fazer a mudança efetiva. O nosso governo terá pessoas qualificadas, tecnicamente preparadas, que estarão inclusive no próprio grupo de funcionários efetivos da prefeitura. Nós podemos aproveitar pessoas de afiliação partidária, ou sem filiação partidária. Nós vamos trabalhar com uma equipe qualificada, essa é a grande mudança.

Terra - Como será feita a gestão participativa, na qual o senhor diz que todas as demandas serão analisadas de forma democrática?
Luciano Rezende - Essa equipe tem que estar conectada com a população. Através do gabinete itinerante, eu vou até as oito regiões despachar regularmente. A equipe tem que ir comigo para ouvir a população, para obtermos uma gestão democrática, e uma gestão que possa ouvir a população. Foi assim que eu atuei em todas as secretarias que passei. Por isso é que nós vamos fazer um governo de mudança, de uma gestão participativa e com capacidade de diálogo com a capital. Já foi assim na campanha. Nossa campanha foi feita em diálogo direto com o eleitor e será assim no governo. Isso será feito em todos os setores, mantendo pessoas qualificadas, aproveitando ao máximo os funcionários efetivos, e também ouvindo a população. A principal estratégia de promover mudanças depende de estarmos em contato direto com a população.

Terra - A partir do ano que vem, o Espírito Santo deve sofrer com uma redução de receitas devido à crise internacional, redução do ICMS de produtos importados e o debate dos royalties do petróleo. Como o senhor pretende cumprir suas promessas de mudanças em meio a essa situação?
Luciano Rezende - Nós fizemos um programa de governo já prevendo essa realidade. Se você entrar no site do nosso programa de governo, vai ver que todas as ações são extremamente conectadas com essa nova realidade financeira de Vitória. A "Escola da Vida", para tratar, acolher e cuidar das pessoas dependentes químicas, a "Casa do Saber", nas oito regiões com biblioteca, ações de fomento cultural, o "Esporte Noturno". Enfim, todas as ações dependem mais de gestão e mobilização da cidade, do que necessariamente de grandes investimentos financeiros.

Terra - Um tema que foi muito abordado durante a sua campanha e mencionado como um dos principais desafios é a segurança pública. O senhor disse que o combate ao consumo de drogas, principalmente o crack, deve ser uma das medidas a serem tomadas para diminuir os índices de violência. A secretaria de saúde estará integrada com as ações de segurança pública?
Luciano Rezende - O problema da violência tem relação com o consumo exagerado de drogas, principalmente o crack, e esse é um drama familiar. Essas pessoas, dependentes químicas, precisam ser tratadas, acolhidas, e termos uma ação que possa envolver inclusive, a recuperação dessas pessoas. É isso que nós vamos fazer numa ação social que envolva a família, que crie condições para o pai dependente químico ser tratado, que gere ação, renda, que tenha uma política de habitação realista, e com segurança urbana com condições sanitárias adequadas nessas habitações. Enfim, todo um contexto que transforme Vitória numa cidade mais organizada, mais segura e mais humana como falamos na campanha.

Fonte: Especial para Terra
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