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SP: prefeito vai realizar processo seletivo para cargos de confiança

22 nov 2012
21h51
atualizado às 21h59
Wagner Carvalho
Direto de Jaú

Contrariando a tradição política no País, o prefeito eleito de Jaú (a 310 km de São Paulo), Rafael Agostini (PT), decidiu inovar pra formar a sua equipe de governo. Os candidatos aos cargos de confiança terão de enfrentar um processo seletivo de três etapas para mostrar que têm condições de assumir a vaga pretendida.

De acordo com Agostini, o currículo profissional de cada um, as habilidades para exercer a função e a capacidade de trabalhar em equipe são os requisitos que definirão se o indicado tem ou não condições de fazer parte da sua equipe de governo.

Entre secretários, chefia de autarquia, subprefeito de distrito e cargos de 1° e 2° escalão, o prefeito terá, em média, 180 vagas. "Vamos reduzir o atual número de cargos comissionados, os chamados 'cargos de confiança', que é de 300, em quase 40%", adiantou.

A iniciativa de preencher os cargos de confiança da administração por meio de um processo seletivo é inovadora e faz parte da tese de especialização defendida por Agostini em gestão de cidades. "Queremos que o serviço público funcione de forma satisfatória, com escolhas técnicas que garantam a governabilidade", disse.

Cada indicado para participar do governo teve de apresentar o currículo que comprovasse sua capacidade de atuar em uma das áreas da administração. Em seguida, o candidato responde um questionário montado por uma empresa de Recursos Humanos (RH), contratada para realizar a seleção. "Por meio das respostas do questionário, a psicóloga vai traçar o perfil do candidato e indicar em qual possível área da administração ele se encaixaria", explica Agostini.

A próxima fase, que será aplicada no próximo final de semana para todos os candidatos, será uma entrevista com a psicóloga, uma espécie de teste vocacional. Em seguida, na terceira etapa, cada candidato irá realizar uma prova escrita para comprovar que está apto a exercer a função pretendida. "Quem não preencher todos os requisitos de forma satisfatória estará fora, independente da indicação", afirma o prefeito eleito.

De acordo com Agostini, é normal no Brasil que se façam as escolhas políticas buscando a governabilidade, mas ele acredita ser possível administrar a prefeitura fazendo escolhas técnicas e capacitadas para os cargos comissionados e de confiança. "É um modelo inédito, queremos profissionais que saibam lidar com adversidades, trabalhar em equipe e buscar soluções para a administração montando um quadro técnico", conta.

Agostini foi eleito em outubro com 59,31% dos votos válidos, 42.892 votos. Ele venceu o atual prefeito, Osvaldo Franceschi, com uma diferença de pouco mais de 30 mil votos.

Dificuldades
Agostini pretende conhecer as habilidades de cada membro da equipe e alocá-lo na função certa para evitar transtornos para a sua administração. As prefeituras da região têm um histórico de problemas nos últimos anos com pessoas que assumiram cargos comissionados e de confiança e não atenderam às expectativas.

Em Jaú, há cerca de um ano, o atual prefeito Osvaldo Franceschi precisou remanejar boa parte do seu secretariado de 1° escalão na esperança de dar mais dinâmica ao seu governo. O prefeito também trocou o secretário de Saúde em 2010 buscando "humanizar" o atendimento.

Em Bauru, o prefeito Rodrigo Agostinho (PMDB) enfrentou problemas com a direção da autarquia do Departamento de Água e Esgoto (DAE). Durante a atual administração, ele precisou trocar o comando do departamento por duas vezes.

Em Marília, o chefe de gabinete e secretário da Fazenda chegou a ser exonerado do cargo depois de ser investigado por cobrança de propina.

Fonte: Especial para Terra
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