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SP: por Serra, PSDB adia prévias para prefeitura em votação tensa

28 fev 2012
22h48
atualizado às 22h52
Marina Novaes
Direto de São Paulo

A Executiva do PSDB em São Paulo decidiu adiar do dia 4 para o dia 25 de março a data das prévias do partido, quando será escolhido o candidato tucano à prefeitura da capital paulista. A decisão atende a um pedido do ex-governador José Serra, que comunicou formalmente nesta terça-feira sua intenção de disputar a eleição municipal deste ano pela legenda.

Serra foi recebido por quadros do partido no diretório municipal
Serra foi recebido por quadros do partido no diretório municipal
Foto: Diogo Moreira / Futura Press

O anúncio ocorreu após uma reunião tensa entre os 18 membros da Executiva tucana, que durou cerca de três horas. Entretanto, não houve consenso em torno da data: 10 tucanos votaram a favor da mudança, e oito votaram contra, após intenso bate-boca entre os militantes.

Um dos integrantes da Executiva do PSDB, João Câmara, criticou a entrada tardia de Serra na disputa. "O Serra entrou nesse processo para rachar o partido, às vésperas das prévias. Isso é uma provocação! Ele impôs que fosse transferido a data para o dia 25, nós propusemos que fosse no dia 11, mas ele quis mais tempo ainda. (...) Porque ele se acha 'todo poderoso'", disse.

O presidente do PSDB municipal, Julio Semeghini, tentou minimizar a falta de consenso dentro do partido e negou a existência de um "racha". "A reunião foi tensa porque houve um desgate causado pela falta de diálogo em construir um acordo. (...) Mas não há nenhum racha de grupo, o que importa é que teremos prévias", disse o líder tucano.

O ex-governador pediu para que a votação partidária fosse adiada para ter tempo de mobilizar seus simpatizantes. Isso porque, na ocasião, cerca de 20 mil filiados vão escolher quem deve representá-los na campanha, e Serra não está sozinho no páreo: ele disputa a indicação da legenda com o secretário estadual de Energia, José Aníbal, e o deputado federal Ricardo Tripoli. Já os secretários estaduais Andrea Matarazzo (Cultura) e Bruno Covas (Meio Ambiente) desistiram da disputa ao serem comunicados da intenção de Serra em concorrer.

Apesar da insistência de Aníbal e Tripoli, é quase certa a candidatura de Serra. Embora alguns tucanos defendam a renovação do partido, grande parte cúpula da legenda acredita que ele tenha mais "força" política que os rivais, por já ter disputado duas vezes a eleição pela Presidência da República - Serra perdeu nas duas ocasiões, mas levou a briga para o segundo turno tanto contra Dilma Rousseff, em 2010, quanto contra o Luiz Inácio Lula da Silva, em 2002.

Ao formalizar sua intenção de sair candidato, Serra entregou uma carta à Executiva do partido em que afirma que o pleito de outubro será "uma disputa entre duas visões distintas de democracia" e "de Brasil". Segundo ele, trata-se de uma "atividade privada" ou "fruto de ambição íntima", mas "destinada ao bem comum".

Na carta, Serra diz ainda ter decidido concorrer novamente ao posto de prefeito após "ouvir os argumentos" de "interlocutores" como o prefeito Gilberto Kassab (PSD) e o governador Geraldo Alckmin (PSDB).

"Ao me apresentar para a disputa, vou ao encontro de um chamamento da minha própria consciência: quero ser prefeito de São Paulo, porque acho que esta imensa cidade cobra o que de melhor nosso partido e nossos parceiros têm a lhe dar nesta jornada: experiência." Por fim, o tucano diz que, se escolhido nas prévias, saberá "honrar a indicação e, posteriormente, o mandato".

Serra entregou a carta e deixou o diretório municipal do PSDB sem falar com a imprensa. Ele deve falar pela primeira vez sobre a decisão de concorrer à indicação do partido em entrevista marcada para esta quarta-feira.

Fonte: Terra

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