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06 de setembro de 2012 • 14h04 • atualizado às 14h33

SP: Marta e Serra trocam acusações sobre caixa da prefeitura em 2004

Marta Suplicy saiu em defesa de sua gestão na prefeitura de São Paulo e, no Twitter, atacou José Serra: "Serra tinha outros interesses políticos, fabricou o caos, deixou de pagar fornecedores, assustou credores, criou situações falsas", escreveu a senadora
Foto: Twitter / Reprodução
 

TIAGO DIAS

O candidato à prefeitura de São Paulo pelo PSDB, José Serra, e a senadora Marta Suplicy (PT) voltaram a se atacar, oito anos depois de terem protagonizado embate nas eleições municipais de 2004, quando o tucano venceu a petista, que tentava se reeleger.

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A passagem de bastão em 2005 - mais especificamente o caixa deixado por Marta em 2004 - é o tema da rixa neste ano, quando Serra tenta voltar à prefeitura e derrotar o candidato do PT, Fernando Haddad. Para argumentar a saga antipetista, o candidato do PSDB afirmou que recebeu das mãos de Marta Suplicy apenas R$ 16 mil em caixa e uma fila de 13 mil credores.

"Pior do que qualquer coisa é o abandono em que a cidade ficou quando eles tiveram a Prefeitura. Dezesseis mil reais em caixa, fila de 13 mil credores, postos de saúde sem remédios, obras paradas e a grande obra que fizeram, que foram os túneis dos Jardins, que inundaram logo depois e que custaram uma fortuna", disse Serra, após evento de sua campanha. "Esse é o PT, então não há surpresa nenhuma."

A acusação fez a senadora reagir e defender sua gestão, colocada em xeque justamente no momento em que entra na campanha de Haddad. No Twitter, Marta apresentou documento oficial e acusou Serra de mentir ao eleitorado. Com um ofício do balanço financeiro do Executivo municipal apresentando valores na casa dos R$ 358,6 milhões, Marta contrapôs Serra e atacou o adversário. "Balanço/2004, assinado por Mauro Ricardo, secretário de Finanças do Serra, comprova: deixei R$ 358,6 milhões em caixa", disse.

"Em janeiro de 2005 (Serra) poderia pagar todos os compromissos que venciam naquele mês porque dispunha de dinheiro em caixa. Deixamos na PMSP (Prefeitura Municipal de São Paulo) R$ 358,6 milhões, para contas que somavam R$ 267 milhões. Superávit de mais de R$ 91 milhões, segundo constatou o TCM. Serra tinha outros interesses políticos, fabricou o caos, deixou de pagar fornecedores, assustou credores, criou situações falsas", escreveu a senadora em uma sequência de posts no microblog na terça-feira (4).

Cópia do extrato
A assessoria da campanha de José Serra reagiu e enviou ao Terra uma cópia do extrato bancário da prefeitura para comprovar que havia R$ 16.453,46 mil em caixa no dia 3/1 - primeiro dia útil de 2005. "Para completar o quadro dramático do primeiro dia foi verificado que a Prefeitura havia, no dia 30/12/04, ordenado o pagamento de mais de R$ 10 milhões a diversos credores sem que houvesse fundos suficientes para honrar estes pagamentos. O conhecido 'Cheque sem fundo'", diz a nota enviada pela assessoria do candidato.

O extrato também foi divulgado na quarta-feira (5) pelo senador Aloysio Nunes (PSDB) no Twitter - e retuitado pelo vice de Serra, Alexandre Schneider. Em seu Tumblr, o senador escreveu mais sobre o assunto e argumentou: "veja também no extrato: há 55.264.519,18 bloqueados. Sabe por quê? A gestão Marta Suplicy, irresponsavelmente, deixou de pagar a parcela da divida com a União vencida em dezembro de 2004. A equipe de Serra chegou à Prefeitura no escuro. O Secretário de Finanças da Marta tomou chá de sumiço e recusou-se a conversar com o grupo de transição do novo governo", escreveu Aloysio Nunes. Haddad, hoje candidato, foi chefe de gabinete da Secretaria de Finanças e Desenvolvimento Econômico da gestão petista.

A assessoria ainda rebateu as informações divulgadas no boletim e argumenta que os R$ 358,6 milhões citados por Marta referiam-se a despesas específicas em pastas como de Saúde e Educação e que, por isso mesmo, não poderiam ser utilizadas para pagamento de dívidas.

A nota ainda traz trecho do que a assessoria afirma ser a conclusão do Relatório Anual das Contas, relativo ao ano de 2004, efetuado pelas unidades técnicas da Subsecretaria de Fiscalização e Controle do tribunal de Contas do Município de São Paulo: "Ratificamos nosso parecer às fls.477 pela IRREGULARIDADE das contas apresentadas". O trecho diz que não foi trazida explicação "satisfatória" nos tópicos sobre atraso no pagamento de fornecedores e "distorção da real situação orçamentária, financeira e patrimonial da Prefeitura do Município de São Paulo, em virtude da dívida resultante do cancelamento excluída dos demonstrativos contábeis".

Marta: "TCM deu a palavra final"
Por meio de sua assessoria de imprensa, a ex-prefeita Marta Suplicy reiterou as informações divulgadas no Twitter e afirmou que "aos surrados argumentos de José Serra, a decisão do Tribunal de Contas do Município (TCM), órgão competente para julgar as contas da administração municipal, já deu a palavra final".

"José Serra fabricou caos. Arrecadou, até o final de junho de 2005, mais de R$ 7,42 bilhões, e teve despesas de pouco mais de R$ 5,15 bilhões. O restante, mais de R$ 2,27 bilhões, ficou investido no mercado financeiro. Eis a verdade", disse Marta em nota.

Terra