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SP: Haddad exalta aliança com o PCdoB e ataca Serra e Kassab

23 jun 2012
16h43
atualizado às 17h22

Marina Novaes
Direto de São Paulo

O pré-candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, disse neste sábado estar otimista em relação às negociações por uma aliança com o PCdoB, ao qual se referiu como "partido companheiro", e afirmou que espera anunciar até a próxima quarta-feira (27) o nome do novo vice de sua chapa, somente depois de ter a confirmação da aliança com os comunistas. Hoje, o presidente nacional do PCdoB, Renato Rabelo, revelou que a legenda decidiu apoiar o PT em São Paulo, e disse que o anúncio formal deve ocorrer na segunda (25).

"Nós tivemos uma conversa longa com a direção municipal, estadual e com o (ex-) ministro Orlando Silva (do Esporte). (...) Nós temos muita esperança de que o PCdoB venha conosco, é um 'partido companheiro', faz parte da base do governo da presidente Dilma", disse o petista, após participar de um encontro com militantes na zona sul de São Paulo.

O PT disputa o apoio do PCdoB com o pré-candidato do PMDB, Gabriel Chalita, mas os comunistas ainda não haviam chegado a uma decisão e também trabalhavam com a hipótese de lançar o vereador e cantor Netinho de Paula a prefeito. Entretanto, a desistência de Luiza Erundina (PSB) de ser vice na chapa com Haddad, após o anúncio da aliança com o PP de Paulo Maluf, esquentou as negociações entre o PT e o PCdoB, que agora é o maior cotado a ficar com a vaga.

Segundo Haddad, somente após receber o apoio formal do PCdoB é que ele irá decidir quem será seu vice, mas o petista admitiu que o nome da dirigente do PCdoB-SP, Nádia Campeão, tenha sido "cogitado" - ela também era sondada pelo PMDB para ser vice de Chalita.

"A partir de uma resposta com o PCdoB é que nós vamos conversar com os partidos (aliados), inclusive com o PSB. (...) Mas eu disse que a decisão final sobre a vaga de vice é minha, de caráter pessoal, (...) mas a Nádia é um grande nome", ressaltou Haddad.

De acordo com o petista, o PCdoB ainda não chegou a apresentar uma lista oficial com nomes com quem ele possa compor uma coligação. Ele reiterou ainda que o PSB será consultado sobre a decisão.

Subindo o tom

Em encontro com militantes do PT na zona sul da capital paulista, Haddad subiu o tom contra o rival do PSDB, o ex-governador José serra, e contra o prefeito Gilberto Kassab (PSD), com quem o PT chegou a negociar uma aliança antes no início do ano. Em discurso inflamado e com clima de comício, o petista disse, a uma plateia de cerca de 100 pessoas, que Serra e Kassab abandonaram a cidade e que o PT é o "único partido que pode fazer mudanças" na gestão.

"Não é preciso deixar a prefeitura para abandonar a cidade. E o prefeito abandonou essa cidade. (...) Nos últimos 8 anos São Paulo viveu o descaso", esbravejou sem o microfone, que falhou quando se preparava para discursar. "O PT é o único partido que pode fazer mudanças em São Paulo, pois foi o único que fez oposição a essa gestão", emendou, ao lado do deputado federal Ricardo Berzoini, ex-presidente do PT, e do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino.

Pouco antes de discursar, Haddad havia sido questionado por jornalistas sobre o que achou de uma declaração de Chalita, que na última semana disse que o PT não poderia se lançar como uma "nova" opção para a cidade, pois havia se aliado a Maluf.

"Tanto o PMDB (do pré-candidato Gabriel Chalita) quanto o PSDB (de José Serra) estavam disputando o apoio do PP, e isso não diminui nem o PMDB, nem o PSDB. Mas não ter conseguido o apoio do PP também não torna ninguém melhor que ninguém", alfinetou.

Haddad participa de ato com militantes ao lado do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (à esq.) e do deputado Ricardo Berzoini: discurso foi inflamado e cheio de críticas a Kassab
Haddad participa de ato com militantes ao lado do deputado estadual Luiz Cláudio Marcolino (à esq.) e do deputado Ricardo Berzoini: discurso foi inflamado e cheio de críticas a Kassab
Foto: Marina Novaes / Terra
Fonte: Terra
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