atualizado às 13h21

SP: candidatos apostam em visual novo para ganhar a prefeitura

Fernando Haddad (PT), José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB)  em 2012 Foto: Terra / Futura Press
Fernando Haddad (PT), José Serra (PSDB) e Gabriel Chalita (PMDB) em 2012
Foto: Terra / Futura Press
 

Thaís Sabino

Se a imagem vale por mais de mil palavras, nas eleições essa expressão vira lei e os candidatos cumprem à risca, mudando o visual para cair no gosto do eleitor. Não é à toa que, em São Paulo, o pré-candidato José Serra (PSDB) está apostando em um look mais jovial; Fernando Haddad (PT) partiu para um corte de cabelo mais moderno e roupas mais leves; e Gabriel Chalita (PMDB) deixou os fios mais longos para parecer mais vaidoso. "Aparência é fundamental, estamos no ciclo da telegenia, é a apresentação da pessoa, da estética da pessoa na TV", enfatizou o consultor político Gaudêncio Torquato.

Para o analista, as mudanças serão ainda mais profundas no desenrolar do período eleitoral. "Serra era muito autossuficiente, ele aprendeu e agora está mais modesto, ele vai procurar ser mais jovial para evitar comentários sobre ter 70 e poucos anos, deve usar camisas mais alegres, calça jeans e sorrir mais. Haddad está disposto a gastar sola de sapato em São Paulo para não ser pego de calça curta. Chalita é sorridente, tem uma identificação com a cidade", opinou o consultor.

Torquatto lembra que os marqueteiros políticos se deram conta do peso da estética após a campanha presidencial americana de 1960, no embate entre o republicano Richard Nixon e o democrata John Kennedy. "No debate Nixon apareceu com uma cara branca, sem maquiagem e todo abatido. Ao lado dele estava o exuberante Kennedy, simpático, bonito e sorridente. Nixon mostrou como estava abatido e perdeu a eleição. Na TV a forma tem mais importância do que o conteúdo", aponta.

Para mudar o estilo, existe uma equipe de assessores e profissionais de marketing que orientam o candidato. "Aparentar jovialidade, determinação, corrigir rugas, todos esses detalhes são importantes", disse Torquatto. Além disso, é feito um treinamento de compostura e gesticulação. "Limpar o suor com um lenço, por exemplo, dá a ideia de que a pessoa está nervosa, não pode. Tem que tomar cuidado com os gestos, mão no nariz ou nos olhos", disse.

Mudança na medida certa
O candidato, no entanto, não pode aparecer todo montado nas ações da campanha. Ele precisa se vestir de acordo com sua identidade. "Um muito velho não pode ficar todo casual, não pode haver descaracterização. Se a pessoa é muito séria não pode ficar toda sorridente. Tem que ser de acordo com a sua naturalidade. Quando exagera o eleitor percebe".

Como exemplo, Torquatto lembrou o caso do governador do Alabama, nos EUA, Barry Goldwater. "Em um comício, ele foi de óculos para dar ideia de intelectual, era uma armação preta sem lentes. O vento soprou um cisco no olho dele e ele enfiou o dedo no buraco da lente para tirar, foi quando os fotógrafos bateram as fotos. Barry ficou conhecido como mentiroso e arruinou sua campanha".

De acordo com o especialista em marketing político Marco Iten, o papel dos assessores do candidato não é criar um novo personagem, mas ajudá-lo a manter a aparência digna. "Vamos supor que o candidato comece o dia de trabalho às 6h. Às 14h ele já estará um trapo, todo suado, desarrumado e passará essa imagem aos eleitores", disse. Neste caso, cabe ao assessor alertar que é preciso um banho e troca de roupas antes de continuar com a agenda política.

Outra atribuição dos marqueteiros é pensar na campanha como forma de mascarar alguns preconceitos que possam cair sobre o candidato. A idade é um ponto que chama atenção em grandes extremos. "Quando é muito velho, é levada à ideia de incapacidade. Mas se colocar o Serra animado andando, praticando esportes, de camisa polo no Ibirapuera, já atenuo a idade", exemplificou. Para um candidato muito jovem, basta uma foto dele de óculos, bem arrumado, sentado atrás de uma mesa com vários livros, disse. "Ele é jovem, mas bem estudado", concluiu Iten.

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