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"Só saio derrotado", diz Ciro sobre impasse em candidatura

26 abr 2010
02h20
atualizado às 11h04

O deputado federal e pré-candidato à presidência Ciro Gomes (PSB-CE) disse na madrugada desta segunda-feira que só sairá da disputa presidencial derrotado: "desistir, nunca". No aguardo da executiva de seu partido, que se reúne nesta terça para decidir se o PSB terá candidato próprio à presidência ou se apoiará a pré-candidata do PT, Dilma Rousseff, Ciro falou ao "É Notícia", da Rede Rede TV!, que vai "espernear até a abertura das portas da reunião".

Ciro disse também que caso o PSB desista de ter candidato próprio, irá acatar a decisão de seu partido, mas que precisará de alguns dias para "lamber as feridas" e que não irá ser candidato de mais nada. O deputado federal falou também que deve abandonar a vida pública caso seu partido desista de sua candidatura: "vou escrever um livro, trabalhar, tratar de ganhar algum dinheiro".

O deputado federal negou quase todas as declarações publicadas na sexta-feira pelo portal de notícias iG, na qual teria dito que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva estava "navegando na maionese" na forma como vêm conduzindo a campanha para a eleição de Dilma. Quando perguntado se subiria no palanque com a petista, Ciro respondeu que seguirá as orientações do partido.

O deputado federal do PSB-CE, que atualmente se encontra de licença da Câmara dos Deputados, falou também que pretende renovar a licença para mais "30, 60 e até 90 dias", pois está cansado de ver atuações de parlamentares da qual discorda sem poder se manifestar, "ter que ficar calado".

Ciro Gomes criticou também o bipartidarismo que Lula estaria incitando ao negociar a retirada da sua candidatura em prol do apoio do PT ao PSB nas eleições estaduais: "o Brasil tem muitas realidades, muitas nuances que a bipolarização não dá conta." O deputado federal comparou tal situação ao período da ditadura militar brasileira, quando existiam apenas dois partidos, o Arena e o Movimento Democrático Brasileiro (MDB).

Na entrevista, que durou cerca de uma hora e foi gravada na sexta-feira, o pré-candidato do PSB disse que o eleitor brasileiro ainda não está pensando em eleições, que está mais preocupado com as chuvas, com o trânsito e tudo mais que está acontecendo no País. "Só quem está pensando em eleições são os jornalistas e os políticos".

Ciro disse ainda que o Brasil vive uma plutocracia comandada, em grande parte, pela mídia: "sabe quantas vezes eu fui à Rede Globo? Uma vez, quando eles me acusaram de comprar uma passagem de avião para a minha mãe com dinheiro público. Agora pergunta se a prestação de contas, a réplica, foi pro ar? Não", falou o pré-candidato, que disse também que "estaria sendo desidratado" pelos veículos de comunicação.

Ex-prefeito de Fortaleza, ex-governador do Ceará, ex-ministro da Fazenda de Fernando Henrique Cardoso e ex-ministro de Lula, criticou os institutos de pesquisa brasileiro ao dizer que nenhum brasileiro deve "vender sua consciência" aos números. Ele disse também que "fora o Datafolha, que é um instituto sério", todos os outros, como o Ibope e Sensus "fazem qualquer coisa" e disse que "(Carlos Augusto) Montenegro, (presidente) do Ibope, vende até a mãe".

Quando perguntado sobre o que achava dos já pré-candidatos Dilma Rousseff (PT) e José Serra (PSDB), Ciro Gomes disse que Dilma é uma grande brasileira, mas que nunca passou por uma eleição: "daí acontece isso de que a cada atitude tomada equivocadamente, Dilma vai à televisão se explicar e volta vários passos". Ainda assim, o pré-candidato falou que Lula fez a escolha certa dentro de sua possibilidades dentro do PT.

Quanto à Serra, o deputado federal disse que o pré-candidato do PSDB era um "autoritário tenebroso" que tem um "projeto com propostas velhas". Ao confidenciar um encontro que teria tido com Lula, Ciro contou que disse ao presidente que hoje ficava feliz por não ter sido eleito em 1998, pois tinha vários pensamentos errados na época, ao que Lula respondeu que tamém se sentia aliviado por não ter sido eleito em 1989.

Sobre a conversa de clima intimista, Ciro disse que rolaram "até lágrimas, mas não vou dizer de que parte", e que "chorar é coisa de homem, que só o Serra não chora porque tem aqueles olhos de cobra".

A executiva do PSB se reúne nesta terça-feira para decidir se mantém a pré-candidatura do deputado federal Ciro Gomes.

Fonte: Terra

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