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Serra nega que tenha excluído proposta para agradar evangélicos

16 out 2012 14h33
| atualizado às 15h15
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Renan Truffi
Direto de São Paulo

O candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, negou nesta terça-feira que tenha retirado uma proposta do seu programa de governo para agradar a ala evangélica da campanha. De acordo com informações do jornal Folha de S. Paulo, o tucano estuda aumentar a lei Cidade Limpa para poluição sonora e isso teria preocupado pastores e vereadores, que temiam que seus templos virassem alvo por causa do barulho durante os cultos. "Mentira. Nota mentirosa. Eu nem vi. Eu vi o programa de governo e não alterei nada. Nem ninguém me consultou a este respeito", respondeu ele sobre a notícia.

José Serra negou nesta terça-feira que tenha retirado uma proposta do seu programa de governo para agradar a ala evangélica da campanha
José Serra negou nesta terça-feira que tenha retirado uma proposta do seu programa de governo para agradar a ala evangélica da campanha
Foto: Edson Lopes Jr. / Terra

Serra também voltou a se irritar quando questionado sobre o kit anti-homofobia distribuído para professores da rede pública de ensino em 2009, quando era governador do Estado. Ao ser perguntado se concordava com a distribuição de cartilhas sobre o tema, ele retrucou. "Que material? Foi feito em 2009, no meu governo. O resto é brincadeira", disse antes de negar que tenha omitido a distribuição do guia.

"Omitido, por quê? Se você vai no PSDB está tudo lá", afirmou. O material anti-homofobia do MEC, encomendado pelo candidato do PT, Fernando Haddad, quando este era ministro da Educação, foi alvo de críticas do tucano. Quando questionado por jornalistas, o tucano chegou a dizer que o guia petista fazia apologia ao bissexualismo.

"Eu acho que não está faltando esclarecer nada. Você leu (o guia)? Se você leu, está tudo clarinho", complementou ele, antes de dizer que sua cartilha é diferente do kit "desastrado" de Haddad. "Está ganhando uma dimensão muito grande porque o Haddad entrou numa trapalhada e ganha a imprensa para isso. Tanto que a Dilma vetou. Gastou R$ 800 mil para nada. Quem pergunta sem parar é a imprensa. Não tem nenhum mal entendido com essa questão. É um trabalho que foi feito desde 1996. Nunca houve contestação, feito para professores, não é aquela brincadeira de kit que ele patrocinou", provocou.

Serra ainda aproveitou o tema para comparar o adversário ao ex-ministro da Casa Civil, José Dirceu, que é réu no julgamento do mensalão no Supremo Tribunal Federal (STF). "O Haddad só faz ataques pessoais. Quando eu faço crítica a propostas, ele diz que são ataques pessoais. É o melhor estilo do José Dirceu, eles estão cada vez mais parecidos, ele é que faz o ataque pessoal", disse.

Descaso
Durante caminhada pelo Jardim da Saúde, na zona sul da capital paulista, Serra teve que ouvir reclamações de uma eleitora sobre o atendimento no Hospital Heliópolis. Ao ver o candidato, a pensionista Nilza Franzé, 58 anos, criticou "o descaso" dos funcionários com a população. "Isso é uma sem-vergonhice. Filma o hospital. Vamos lá comigo agora", disse para o tucano, que prestou atenção, mas refutou a ideia de ir ao local.

A crítica fez com que o deputado estadual Orlando Morando (PSDB-SP) discutisse com a moradora do bairro. Integrante da campanha de Serra, ele disse que a mulher estava fazendo "show". "Show não. Mande a sua mãe ir no hospital e pergunta para ela", disse Nilza. Morando afirmou que ela estava sendo "mal educada". "Principio elementar de educação é um político atender a gente bem", argumentou ela.

A eleitora explicou que estava revoltada porque levou uma amiga para ser internada com princípio de acidente vascular cerebral (AVC) no Hospital Heliópolis. "Eu queria que vocês vissem o descaso da população. Avisei um enfermeiro que tinha um paciente fugindo e ele disse 'deixa que é um a menos'. E eu estou fazendo show? Estou relatando a realidade brasileira", explicou.

Fonte: Terra
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