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RS: Manuela erra ao apostar em eleitor conservador, diz analista

RS: Manuela erra ao apostar em eleitor conservador, diz analista

27 set 2012
10h27
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Angela Chagas
Direto de Porto Alegre

Favorita na disputa pela prefeitura de Porto Alegre (RS) no início da corrida eleitoral, a candidata do PCdoB, Manuela D'Ávila, perdeu força no último mês e agora aparece 17 pontos percentuais atrás do atual prefeito da capital, o pedetista José Fortunati, segundo o último levantamento do Ibope. Para a cientista política e professora da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS) Márcia Dias, o desempenho abaixo do esperado da deputada federal é reflexo de uma estratégia equivocada de campanha, com foco na conquista de um eleitorado conservador.

Apesar da queda nas últimas pesquisas, a campanha de Manuela D'Ávila acredita no bom desempenho nos últimos dias de campanha
Apesar da queda nas últimas pesquisas, a campanha de Manuela D'Ávila acredita no bom desempenho nos últimos dias de campanha
Foto: Nabor Goulart / Divulgação

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Manuela foi reeleita a deputada federal mais votada da história do Rio Grande do Sul em 2010 - quando fez 482.590 votos - com uma campanha focada no público jovem, na renovação, mas para a campanha municipal optou por uma estratégia de demonstrar que aos 31 anos tem experiência política. "Ela acaba ficando com um perfil muito semelhante aos demais candidatos e, ainda por cima, esconde o seu partido para tentar conquistar um eleitor que não vai votar nela. Com isso acaba perdendo os votos da esquerda que teria mais chance de conquistar", afirma a cientista política ao destacar que a candidata tenta se desvincular da "pecha de comunista".

Na opinião de Márcia Dias, parte dos eleitores que num primeiro momento estavam inclinados a apoiar Manuela acabaram migrando para o PT. O candidato do partido, Adão Villaverde, passou de 5% na pesquisa Ibope de 1º de setembro para 10% no levantamento do dia 21. "O PT foi para a campanha e, embora ainda esteja atrás nos levantamentos, conseguiu dobrar seu percentual. Esse eleitor de centro-esquerda, que num primeiro momento não via o candidato do PT deslanchar, não se sentiu identificado com a Manuela", argumenta ao citar o que considera outro "erro" de estratégia do PCdoB a aliança com a senadora Ana Amélia Lemos (PP).

O partido de Ana Amélia acabou optando pela coligação com Fortunati, mas a senadora foi contra a sigla e participa ativamente da campanha de Manuela. "O eleitor de esquerda não gosta disso, e o eleitor da senadora, que é mais conservador, não vai votar na Manuela porque a senadora pede. Não se transfere voto assim", argumenta. "Essa incoerência grita na campanha. Ela está implícita e o eleitor é muito mais sábio do que os marqueteiros querem fazer crer".

Já o cientista político e professor da Universidade Federal Fluminense (UFF), Marcus Ianoni, defende a mudança de estratégia da candidata de uma eleição parlamentar para a disputa pela prefeitura. "Uma candidata à prefeita tem que falar para o conjunto dos eleitores da cidade ou para um leque amplo deles. É diferente da estratégia de campanha para a cargo de deputado federal, quando uma bandeira temática e setorial pode alavancar uma candidatura. Além disso, com a consolidação da democracia no País, com eleições regulares a cada 2 anos desde 1989, o eleitorado fica mais exigente, a mídia também faz cobranças e a questão do bom governo, da boa administração e da capacidade dos ocupantes da cabeça do Poder Executivo torna-se uma questão fundamental", explica ao destacar que Manuela ainda pode reagir na reta final.

Boa avaliação facilita reeleição
Embora aponte equívocos na campanha de Manuela, Márcia Dias diz que a liderança do atual prefeito nas pesquisas se deve também à boa avaliação da administração atual. "Governantes bem avaliados se reelegem ou fazem seu sucessor, as últimas eleições, com raras exceções mostram isso. Já governantes mal avaliados não conseguem um novo mandato", disse ao destacar que Fortunati também conta com um baixo índice de rejeição.

Segundo ela, isso se soma a boa propaganda do PDT no rádio e na televisão. "Não é só uma questão de tempo maior no horário eleitoral, mas sim da qualidade da propaganda. O Fortunati surpreendeu pelo carisma". O cientista político Marcus Ianoni defende que o tempo maior é importante, mas não fundamental. "A qualidade do uso desse tempo disponível também é muito importante. Pouco tempo, mas bem utilizado pode desbancar um recurso de tempo maior, mas mal utilizado", afirma.

O cientista político Juliano Corbellini, que integra a coordenação do marketing de Manuela, discorda dos especialistas e diz que o maior tempo de Fortunati foi determinante para o resultado do prefeito nas pesquisas. "Isso já era esperado porque o volume de propaganda de TV do prefeito é 50% maior que o nosso e porque o volume de campanha de rua, o poderio da campanha do Fortunati é muito maior. É uma campanha com muito mais recursos. É só andar pelas ruas de Porto Alegre para ver. Então o primeiro impacto de comunicação gera isso, isso apareceu nas pesquisas e não é um quadro que vai mudar nos levantamentos que serão divulgados essa semana", justifica.

Ele diz que a estratégia de marketing não foi modificada após a queda de Manuela nas últimas pesquisas e espera reverter o quadro na última semana de campanha. "A gente tem consciência de que tem um ciclo de decisão do eleitor que vai acontecer na verdade na semana que vem. E nós estamos confiantes de que vamos ter um bom resultado, que vamos para o segundo turno e no segundo turno muda tudo. Mas não há nenhuma mudança na nossa linha de campanha depois dessas pesquisas", afirma ao destacar que o PCdoB espera contar com o apoio do PT no segundo turno.

Fonte: Terra
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