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RS: gabinete de vereador campeão de ciclismo será a bicicleta

15 out 2012
11h42
atualizado às 12h07
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Mauricio Tonetto
Direto de Porto Alegre

Eleito vereador em Porto Alegre pelo PT com 5.723 votos, o ciclista Marcelo Sgarbossa, 37 anos, garante que servirá de exemplo para que a capital gaúcha tenha os 495 km de ciclovias previstos no seu Plano Diretor Cicloviário. Campeão brasileiro na década de 1990, o advogado doutorando em Direito pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) afirma que o seu gabinete na Câmara de Vereadores será a bicicleta e diz que irá trabalhar e cumprir os compromissos pedalando.

Marcelo Sgarbossa, campeão brasileiro de ciclismo na década de 1990, disse que vai trabalhar de bicicleta na Câmara de Porto Alegre
Marcelo Sgarbossa, campeão brasileiro de ciclismo na década de 1990, disse que vai trabalhar de bicicleta na Câmara de Porto Alegre
Foto: Mauricio Tonetto / Terra

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"Com certeza irei trabalhar de bicicleta na Câmara, a não ser que esteja chovendo muito. A bike é meu gabinete, pretendo atender meus compromissos com ela", disse o petista, que durante a campanha ergueu a bandeira da "luta pela mobilidade urbana, sustentabilidade social e ambiental, pelas ciclovias e pelo respeito às pessoas".

Criticando o prefeito eleito, José Fortunati (PDT), ele afirma já estar trabalhando, através do Laboratório de Políticas Públicas e Sociais - que ajudou a fundar - pelo cumprimento do artigo 32 da lei complementar 626/09, que determina que 20% do valor total de multas arrecadadas pela Empresa Pública de Transporte e Circulação (EPTC) devem ser investidos na construção de ciclovias e em campanhas que promovam a educação no trânsito.

"A prefeitura admitiu aos ciclistas o não cumprimento da lei, gravamos isso. Em 2009, o então prefeito da capital, José Fogaça (PMDB), assinou o artigo 32 e Fortunati teve ganhos políticos com isso, mas agora diz que não cumpre porque é inconstitucional?", questionou o vereador. Segundo ele, a alegação é que é o prefeito quem determina o destino do orçamento.

"Multa não é orçamento. Se fosse, qual é o interesse em dimunir o número de multas? Eu quero acreditar que isso não passou pelo prefeito. Caso contrário, é um retrocesso fantástico para a cidade. Queremos também que a EPTC abra suas reuniões para ouvir os argumentos dos ciclistas", salientou.

Outras bandeiras
Além do ciclismo, Sgarbossa pretende estabelecer o debate sobre a sociabilidade dos espaços públicos, a utilização de meios ecológicos para a produção de energia e a democratização do acesso à Justiça durante seus quatro anos na Câmara de Porto Alegre.

"Queremos uma cidade voltada para as pessoas, com jardins e hortas comunitárias que podem ser feitas com a sobra de materiais da construção civil, por exemplo. Também queremos propagar o uso da energia fotovoltaica para transformar a energia solar em elétrica, como já acontece no prédio onde eu moro, e democratizar o acesso à Justiça, aproveitando a experiência que tive no Ministério da Justiça", afirmou.

Currículo
Marcelo Sgarbossa começou a pedalar aos 12 anos, em Lagoa Vermelha (RS), e logo se tornou competidor, indo morar na Itália e representando o Brasil em campeonatos mundiais em 1992, 1994 e 1996. Depois de cinco anos na Europa, voltou ao País em 1997, onde encerrou sua carreira aos 22 anos desiludido com o frequente uso de doping no seu esporte.

Ao abandonar o ciclismo, Sgarbossa diplomou-se em Direito e voltou para a Itália em 2004, onde fez mestrado em Análise de Políticas Públicas na Universidade de Turim. Atualmente, é doutorando na UFRGS e exerce o magistério e a militância política.

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Fonte: Terra
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