- Juliana Prado
- Direto do Rio de Janeiro
Os candidatos a prefeito Marcelo Freixo (PSol) e Otávio Leite (PSDB) participaram de debate na comunidade do Vidigal, Zona Sul do Rio, na noite desta quarta-feira e foram cobrados por melhorias na região. O deputado estadual do PSol se antecipou à colocação do tema da segurança e, de início, já questionou o funcionamento das UPPs (Unidades de Polícia Pacificadoras), implantadas em comunidades cariocas, caso do Vidigal.
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"Será que as UPPs trazem liberdade, trazem soberania? Paz sem voz não é paz, é medo", afirmou, em alusão à música do grupo Rappa, do qual seu vice Marcelo Yuka já foi integrante. Ele ainda citou as "ameaças de remoções" de famílias em função da política de pacificação. O tucano Otávio Leite citou o problema do "assentamento" dos moradores e a fragilidade sobre o direito de posse de terrenos e imóveis. "Em 1978, ia acontecer um despejo aqui. Juntaram juízes e moradores e eles acabaram mantidos e ganhando o direito de propriedade", lembrou, citando a participação de Dom Eugênio Sales no processo à época.
O tema da ocupação de áreas acabou dominando uma grande parte das discussões entre Freixo e Leite. Para o candidato do Psol, existe "uma política de remoção" em curso na cidade. Processo esse que, segundo Freixo, pode aumentar em função das grandes obras realizadas para Copa e Olimpíadas. Já o tucano fez uma promessa. Se eleito disse que vai destacar os advogados da Procuradoria do município para tratar do direito de posse nas comunidades.
Promovido pela Associação de Moradores do Vidigal, o encontro foi realizado na praça que dá acesso à comunidade, que fica entre os bairros nobres de São Conrado e Leblon. O órgão listou problemas nas áreas de Educação, Saúde, Infraestrutura e Meio Ambiente e pediu soluções. "Nossa ideia foi chamar os candidatos para, se preciso, assumirem compromisso olho no olho com o morador do Vidigal", afirmou o vice-presidente da Associação, Sebastião Aleluia.
Concurso
Em posição permanente de ataque, Marcelo Freixo, ao falar de Educação pública, criticou a política de meritocracia junto aos professores e defendeu a realização de concurso público. Otávio Leite prometeu universalizar o acesso às creches e repetiu a proposta que vem defendendo de ter dois professores por turma no ensino básico. Não explicou, no entanto, a fórmula exata para fazer isso.
Nas demandas para melhorias na Saúde, Freixo bateu na tecla do fim da administração de parte unidades do SUS pelas chamadas OS (Organizações Sociais), espécie de terceirização do setor. "Sou contra, tem que ser público". O tucano foi na mesma direção e ainda assegurou que irá realizar concurso para médicos, caso eleito.
Sobre meio ambiente, Otávio Leite propôs a criação do "PIB verde" - para contabilizar as riquezas da cidade - e um projeto amplo de reciclagem. Freixo não apresentou propostas, alegando que "às vezes é preciso ser humilde antes de sair dizendo que vai fazer isso e aquilo". Segundo ele, o prefeito eleito deverá aprimorar projetos de reciclagem como o que é tocado hoje no Vidigal.
Mesmo sem o tema da segurança pública estar posto em discussão, Marcelo Freixo encaminhou o debate neste sentido em vários momentos. Ele afirmou que a "chamada" pacificação serve, muitas vezes, para "expulsar as pessoas¿ de suas comunidades. "Se tiver que realocar (moradores) que seja no Vidigal", defendeu.
Morador cobra
Apesar de ter acompanhado atento a fala dos dois candidatos, o professor Sérgio Moreira, morador do bairro, não estava nada satisfeito. Ao ser questionado se sentiu falta de algo no debate, foi taxativo: "o que falta é a presença dos políticos e do poder público aqui fora do tempo de eleições. Uma visita assim como essa de hoje só serve para eles aparecerem na TV".
A comunidade do Vidigal reúne cerca de 30 mil moradores, segundo estatísticas aproximadas, e recebeu uma unidade de Polícia Pacificadora em janeiro deste ano. Nas próximas quartas-feiras outras duplas de candidatos a prefeito estarão na praça do bairro para discutir a realidade da região e apresentar propostas. Segundo a Associação de Moradores, apenas o prefeito e candidato à reeleição Eduardo Paes (PMDB) ainda não confirmou presença.

