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Réu do mensalão, Cunha quer recuperar honra com candidatura

23 jun 2012
18h08
atualizado às 19h43
Renan Truffi
Direto de Osasco

Único réu do mensalão a se candidatar nas eleições municipais deste ano, o pré-candidato do PT à prefeitura de Osasco e deputado federal, João Paulo Cunha (PT-SP), disse neste sábado que a campanha será sua chance de "recuperar a honra". Em referência ao seu suposto envolvimento no escândalo de 2005, que será julgado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no dia 1º de agosto, ele pediu aos militantes do partido, presentes no lançamento de sua candidatura, que o ajudem a se defender.

"Eu que queria que vocês me ajudassem a levar em uma mão o plano de governo e na outra mão a minha vida.(Queria ajuda) pedir ao povo (de Osasco) uma chance de recuperar a minha honra", discursou Cunha. "Mas, nenhum companheiro precisa ter receio de fazer nossa campanha porque eu não terei. Por onde eu passar, pode deixar que eu me defendo. Mas, quando eu não estiver, quero que cada companheiro me defenda com a segurança desse passado que estou falando para vocês", completou.

Após falar para os petistas, João Paulo Cunha conversou com a imprensa. Questionado se teme ter que deixar a campanha por conta do resultado do julgamento, o deputado respondeu que será absolvido. "Não (tenho medo). Estou tranquilo e seguro porque tenho certeza que vou ser absolvido. Tenho 30 anos de mandato e essa é a única coisa que eles (oposição) tem para falar. Mas eles não vão falar, porque eu vou falar sobre isso (o mensalão) antes. Vou dizer o que aconteceu em 2005", afirmou o deputado.

Apesar de não citar o escândalo do mensalão nominalmente, o pré-candidato fez várias referências ao processo em seu discurso. Além disso, ele também deu sinais de como o processo pode estar mexendo com seus sentimentos. "Não vou falar muito porque, como diz aquela música do Zeca Baleiro, ando tão à flor da pele que qualquer beijo de novela me faz chorar."

Ex-presidente da Câmara dos Deputados, ele responde ao processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia ainda inclui parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.


O mensalão do PT

Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.

No relatório da denúncia, o ministro Joaquim Barbosa apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.

Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.

A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.

O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.

Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.

Fonte: Terra
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