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"Não é eleição para papa", diz Russomanno sobre apoio religioso

9 set 2012
13h52
atualizado às 14h53

Tiago Dias
Direto de São Paulo

Após receber polêmico apoio da Assembleia de Deus na sexta-feira (7), o candidato do PRB à prefeitura de São Paulo, Celso Russomanno, voltou a visitar uma igreja neste domingo - desta vez católica. A escolhida foi a paróquia Assunção Nossa Senhora, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo, reduto anti-PT.

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Antes da missa, Russomanno não comentou o pedido de voto explícito do pastor Marcos Galdino, no ministério Santo Amaro da igreja Assembleia de Deus, e nem a reportagem feita pelo jornal Folha de S. Paulo de que um templo da Igreja Universal tem servido de comitê informal para cabos eleitorais. "Vocês dão muita importância a isso. Não é eleição para papa, é para prefeito", disse aos jornalistas.

O candidato chegou a demonstrar irritação com as perguntas sobre o apoio delas. "Eu sou religioso, por favor, respeite. Me respeite como religioso", disse. Ele completou dizendo que acredita que "as igrejas são importante na vida do ser humano": "vou prestigiar todas elas".

Celso Russomanno, que afirma ser católico, foi recepcionado pelo padre Juarez de Castro. Juarez tem CDs gravados e seu "carisma" foi determinante para a escolha da paróquia, segundo o candidato do PRB. "Eu vou em várias igrejas. O padre é uma pessoa carismática, ligada à minha equipe e vim aqui, como fui em outras missas, como vou na do padre Marcelo, onde mais frequento, como fui em mesquitas, em terreiros."

ONG
O uso do Instituto de Defesa do Consumidor (Inadec), sua ONG, durante a campanha para a prefeitura também foi minimizado pelo candidato. Ele rebateu a notícia e afirmou que a ONG tem recursos do próprio bolso dele. Para o candidato, a entrega de cartões da Inadec durante a campanha e pedidos de consumidores insatisfeitos feitos diretamente a assessores políticos e ao próprio candidato na ruas, segundo descreveu reportagem do jornal O Estado de S. Paulo, não é algo errado. "Fazer o bem não faz mal a ninguém."

Presença de candidato gera desconforto
Russomanno foi abordado pelos frequentadores da igreja para fotos, mas sua presença chegou a gerar incomodo entre alguns fiéis que questionaram, antes da missa, a presença de um político na paróquia. Mais tarde, Juarez disse que não sabia da vinda do candidato. Depois, porém, confirmou que já tinha conhecimento da agenda de Russomanno.

"Ele é bem-vindo, como todos são bem-vindos. É bom que os candidatos estejam onde as pessoas estão, nas igrejas, nas missas. Para que as pessoas possam estar diante dos candidato. Ver, perceber, conversar, conhecer profundamente", explicou.

Juarez ainda rechaçou que a missa fizesse parte da campanha. "A igreja tem que ter uma consciência política e conduzir os fiéis para ter uma consciência a votar. Nem é permitido pela lei eleitoral que o templo faça campanha. Até porque ele (Russomanno), coitado, ia pagar R$ 8 mil", afirmou. Durante a missa, Juarez chegou a explicar a palavra "candidato": "vem de cândido, vem do branco, da pureza", afirmou.

Russomanno acompanhou a missa inteira e recebeu a hóstia. Ao final, o padre acompanhou o candidato a uma sala anexa ao altar: "agora o Celso vai se confessar", disse.

Celso Russomanno voltou a visitar uma igreja neste domingo; a escolhida foi a paróquia Assunção Nossa Senhora, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo
Celso Russomanno voltou a visitar uma igreja neste domingo; a escolhida foi a paróquia Assunção Nossa Senhora, no Jardim Paulista, zona oeste de São Paulo
Foto: Renato S. Cerqueira / Futura Press
Fonte: Terra
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