
Candidata: Dilma Rousseff (PT)
Nascimento: 14 de dezembro de 1947, em Belo Horizonte (MG)
Estado Civil: Divorciada
Profissão: Economista
Formação: Formada em Ciências Econômicas pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, trabalhou na FEE (Fundação de Economia e Estatística). Depois, organizou debates no IEPES (Instituto de Estudos Políticos e Sociais) e, com Carlos Araújo, ajudou a fundar o PDT do Rio Grande do Sul.
Histórico de filiações políticas e partidárias: Polop, Colina, VAR-Palmares, PDT e PT
Cargos relevantes: Secretária da Fazenda de Porto Alegre; Diretora-geral da Câmara de Vereadores de Porto Alegre, Presidente da FEE; Secretária de Minas, Energia e Comunicação; Ministra de Minas e Energia e Ministra Chefe da Casa Civil.
Dilma Rousseff em resumo
Prestes a terminar seu mandato, que durou oito anos - a completar em dezembro -, o presidente Lula viu-se incumbido a escolher um dos companheiros petistas para a sucessão no Palácio do Planalto. Preferiu olhar para dentro de seu governo e eleger um de seus ministros.
Dilma Rousseff, hoje com 62 anos, já havia sido Secretária de Minas, Energia e Comunicação e Ministra de Minas e Energia, antes de assumir o Ministério da Casa Civil.
Conhecida como "a mãe do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento)", a ex-ministra foi a escolhida de Lula, um presidente que tem 85% de aprovação de seu governo e que deu ao PT o comando do País pela primeira vez.
Filha de um búlgaro, Pétar Russév, e de uma mineira, de quem herdou o nome, Dilma viu-se ligada à política desde muito cedo, mesmo não sabendo disso. Seu pai, que se naturalizou brasileiro com o nome Pedro Rousseff, foi ligado aos movimentos de transformações na Europa e deixou à filha o espírito libertário, além do gosto pela leitura.
Dilma Vana Rousseff nasceu sete dias antes do Natal de 1947. Teve uma infância tranquila e sem muitas dificuldades financeiras, com jantares servidos à francesa, em uma casa em Belo Horizonte. Por lá, ao lado dos dois irmãos Igor e Zana, ela ficou até a juventude. Neste período, estudou em colégios particulares de freiras, exclusivos para moças.
Mais tarde, em 1964, ano do golpe militar, Dilma entrou no Colégio Estadual Central. Nesta escola, que era pública e tinha turmas mistas, iniciou a militância na Política Operária (Polop), organização de esquerda com forte presença no meio estudantil, à qual já pertencia seu namorado, Cláudio Galeno. Eles se casariam três anos depois, apenas no civil e sob os olhares de poucos amigos e familiares.
No mesmo ano de seu casamento, em 1967, Dilma ingressou no curso de Ciências Econômicas da Universidade Federal de Minas Gerais e aderiu ao Comando de Libertação Nacional (Colina) - organização que combatia a ditadura.
A participação na luta pelo fim da ditadura deixou marcas no corpo e na memória da ex-ministra. Em 1968, Dilma e Galeno começaram a ser perseguidos em Minas - fato que os separou por conta da distância causada pela clandestinidade.
Em Belo Horizonte, a família não sabia que Dilma pertencia aos grupos considerados "subversivos". A informação só veio quando a moça intelectual de óculos foi presa no centro de São Paulo, em 1970.
Antes disso, em 69, ela se tornou membro do VAR-Palmares (fruto da fusão entre Colina e VPR). Lá, ela conheceu aquele que viria a ser seu segundo marido, o advogado gaúcho Carlos Franklin Paixão de Araújo - com quem mais tarde fundou o PDT no Rio Grande do Sul.
Tortura e fim da ditadura
As sessões de tortura e a prisão duraram por quase três anos. De janeiro de 1970 a dezembro de 1972, Dilma passou os dias nos porões da Operação Bandeirantes (Oban) e do Departamento de Ordem Política e Social (Dops).
Nestes dois departamentos, criados na Ditadura Militar, a jovem de vinte e poucos anos sofreu torturas, de diversas formas, e foi considerada pelos colegas de militância como uma pessoa bastante forte. Ao ser libertada, Dilma voltou à sua casa da infância para se recuperar ao lado da família. Como consequência, desenvolveu hipertiroidismo e depois, hipotiroidismo. Fez tratamento e conseguiu colocar os hormônios "no lugar". Neste período, ela estava dez quilos mais magra e com 25 anos. Em sua ficha do Dops, ela era apontada como "terrorista".
A partir daí, a mineira retomou os objetivos de vida e continuou estudando. Em 73, foi morar em Porto Alegre, onde Carlos Araújo cumpria pena na prisão. Em 74, Araújo foi libertado e retomou a advocacia, enquanto Dilma ingressava na Faculdade de Ciências Econômicas Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Em 75, ela começa a trabalhar na Fundação de Economia e Estatística (FEE), órgão do governo gaúcho.
Em março de 1977, quando Dilma tinha 29 anos, Paula Rousseff Araújo nasceu. Mãe de primeira viagem, a ex-ministra tinha dificuldade para trocar as fraldas e fazê-la parar de chorar. Estava no último ano de faculdade e se dividia entre os estudos e a filha.
Além de Paula, nasceu também em Dilma a esperança de que o fim da ditadura estava por vir. Ela, então, ao lado do marido, engajou-se na campanha pela Anistia e organizou debates no Instituto de Estudos Políticos e Sociais. Mais tarde, fundou o PDT com Carlos - de quem se separou, após 25 anos de casamento, em 1994.
Câncer e braveza
Considerada pela mídia como um "general", Dilma humanizou-se diante das câmeras ao relatar que estava com câncer linfático, em abril de 2009. A mulher com fisionomia sisuda e bastante séria teve de se submeter às sessões de quimioterapia e logo se recuperou.
A partir daí, começou a aparecer sempre ao lado do presidente Lula, que a considera "uma mulher competente e de fibra". Por outro lado, Dilma, em suas aparições, retribui o carinho e define o presidente como uma pessoa extremamente afetuosa, de quem herdou a capacidade de dialogar. Em 2009, a "mãe do PAC" foi considerada uma das 100 pessoas mais influentes do País pela revista Época.
O ar de "braveza" foi desaparecendo aos poucos, junto às suas mudanças fisionômicas, que começaram em 2008. Ajudada pelas cirurgias plásticas, as linhas de expressão, as olheiras e os olhos caídos deram espaço a um olhar mais vivo, um rosto mais liso e um corte de cabelo mais moderno, definido pelo hair stylist Celso Kamura como "iluminador".
Mas as mudanças não aconteceram só externamente. Ela aprendeu com Lula uma forma mais leve de se comunicar com a população. Vez ou outra Dilma ainda escorrega no "discurso técnico", mas tem evoluído. Hoje, ela sorri mais.
- Ao lado da candidata, durante comício no Rio de Janeiro em julho, Lula disse que colocaria a mão no fogo por Dilma Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em maio, Dilma Rousseff era pré-candidata do PT à presidência da República Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- A ainda pré-candidata do PT à presidência, Dilma Rousseff, se encontrou em junho com o diretor americano Oliver Stone em Brasília Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em junho, Dilma simulou pilotar um dos aviões da Embraer durante visita à empresa em São José dos Campos (SP) Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- No dia 13 de junho, na convenção do PT, Dilma e Michel Temer (PMDB) são oficializados como candidatos à presidência e vice-presidência da República Foto: Valter Campanato / Agência Brasil
- Em comício na cidade de Porto Alegre, em julho, a petista iniciou suas atividades de campanha ao lado de Tarso Genro, governador eleito do Rio Grande do Sul Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em julho, Lily Marinho, viúva do ex-presidente das Organizações Globo, Roberto Marinho, ofereceu um almoço em sua mansão no Rio de Janeiro em homenagem à candidata do PT Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Dilma visitou Natal no final de julho e fez corpo a corpo com eleitores Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em Uberlândia, Dilma toma o clássico cafézinho em padaria após fazer corpo a corpo com eleitores Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em Curitiba, Dilma realizou um comício em julho ao lado de Lula, Michel Temer e Osmar Dias, então candidato ao governo do Paraná Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- No primeiro debate entre os candidatos à presidência, na Rede Bandeirantes, Dilma afirmou que ela e o candidato tucano José Serra têm visões diferentes quanto à saúde Foto: Fernando Borges / Terra
- Dilma Rousseff visitou, no início de agosto, a Feira Permanente da Guariroba, em Ceilândia Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Dilma gravou partes de sua propaganda eleitoral no complexo esportivo da Favela da Rocinha, no Rio de Janeiro Foto: Divulgação
- Em uma de suas várias visitas a Minas Gerais, a ex-ministra da Casa Civil caminhou ao lado do candidato derrotado ao governo Hélio Costa (PMDB) Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Acompanhada da candidata ao governo do Estado Ideli Salvatti, Dilma percorreu as ruas de Florianópolis durante campanha em agosto Foto: Fabrício Escandiuzzi / Especial para Terra
- Dilma Rousseff se reuniu com trabalhadoras de seis centrais sindicais de São Paulo e afirmou que "o mulherio" está começando a tomar posição Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em discurso durante comício em Osasco, Dilma atacou o DEM por ter entrado com uma ação contra o ProUni no Supremo Tribunal Federal (STF) e defendeu o programa Bolsa Família Foto: Ricardo Matsukawa / Terra
- Ao lado do candidato derrotado ao Senado Netinho de Paula (PCdoB), Dilma vestiu um boné com o logotipo do PT, durante o comício em Mauá, no fim de agosto Foto: Ivan Pacheco / Terra
- Com liderança já folgada nas pesquisas de intenção de voto, Dilma é saudada pela militância no Recife Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Durante seu discurso em Goiás, na visita da candidata em setembro, Dilma destacou o fato de poder ser a primeira presidenta da história do Brasil Foto: Divulgação
- Em meio a campanha, Gabriel, neto de Dilma Rousseff, nasceu no dia 9 de setembro de 2010 Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- O ator portorriquenho Benicio del Toro se encontrou em setembro com Dilma. Ele arrancou suspiros da candidata que admitiu que "sem dúvida, ele é muito bonito" Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- No último debate presidencial do primeiro turno, na TV Globo, Dilma e seu principal opositor, José Serra (PSDB), não se enfrentaram cara a cara Foto: Ichiro Guerra / Divulgação
- A petista votou, no dia 3 de outubro, às 9h17 na Escola Estadual Santos Dumont, na Vila Assunção, zona sul de Porto Alegre (RS) Foto: AP
- No pronunciamento após o primeiro turno, a candidata Dilma disse, em Brasília, que iria encarar o segundo turno com "garra" Foto: Vinicius Thompson / Futura Press
- Os candidatos à presidência se cumprimentaram antes de se enfrentarem no primeiro debate do segundo turno, na TV Bandeirantes Foto: Fernando Borges / Terra
- O tema religião dominou boa parte da campanha do segundo turno presidencial. Na Aparecida, o sacerdote recomendou à candidata "rezar, rezar e rezar", em fase final das eleições Foto: Lucas Lacaz Ruiz / Futura Press
- Dilma Rousseff (PT) visitou o Centro Integrado de Reabilitação (Ceir), em Teresina, no Piauí, na reta final da campanha eleitoral Foto: Yala Sena / Especial para Terra
- A presidenciável petista realizou um comício em Belo Horizonte acompanhada do presidente Lula e do vice-presidente José Alencar Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- No Rio de Janeiro, Dilma recebe apoio de vários artistas e intelectuais, como Alcione, Oscar Niemeyer, Beth Carvalho e Chico Buarque. "Minha função aqui é ser papagaio de pirata, tirar foto com a Dilma", disse o compositor Foto: Ichiro Guerra / Divulgação
- Um dia depois de seu adversário tucano ter sido atingido por objetos no Rio de Janeiro, Dilma foi alvo de bexigas d'água durante campanha no Paraná, mas não se molhou. A candidata foi protegida por um guarda-chuva Foto: Jonathan Campos / Futura Press
- Participação recorrente em suas campanhas, o presidente Lula abraça e parabeniza Dilma Rousseff por liderança nas pesquisas Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em comício em Carapicuíba, Dilma Rousseff recebe abraço de militante petista Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em Fortaleza, a candidata Dilma Rousseff participa de comício e ganha presente de miltante Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- A dois dias da disputa, Dilma participa de último debate, promovido pela Rede Globo entre os candidatos à presidência da República Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em ato de defesa ao meio ambiente, Dilma Rousseff ouve e cumprimenta líder indígena Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Animados, presidente Lula, candidata Dilma Rousseff e o governador eleito do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral pedem votos nas ruas do Estado Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Ao lado da companheira de partido e senadora eleita por São Paulo, Marta Suplicy, Dilma Rousseff acena para militância durante comício Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
- Em Vitória da Conquista, na Bahia, Dilma Rousseff, recebe com carinho "pequena militante" Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
