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Propaganda no Rio será fiel da balança para possível 2º turno

20 ago 2012
19h52
atualizado às 20h06
André Naddeo
Direto do Rio de Janeiro

O horário eleitoral gratuito no rádio e na televisão tem início nesta terça-feira, no Rio de Janeiro, assim como no restante do País, e pode ser o fiel da balança entre os eleitores, que escolherão se o pleito municipal será ou não decidido ainda no primeiro turno. É esta a avaliação dos cientistas políticos ouvidos pela reportagem do Terra, em torno da disputa, até aqui, polarizada entre o atual prefeito Eduardo Paes (PMDB) e o deputado estadual Marcelo Freixo (Psol).

Marcelo Freixo (Psol) deu uma pausa na caminhada no bairro de Brás de Pina para assistir ao jogo Brasil x México
Marcelo Freixo (Psol) deu uma pausa na caminhada no bairro de Brás de Pina para assistir ao jogo Brasil x México
Foto: Adriana Lorete / Divulgação

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De acordo com a terceira pesquisa de intenções de voto realizada nesta campanha, divulgada na última semana pelo Ibope, Paes tem 47% dos eleitores, enquanto que Freixo possui 12%, sendo que a margem de erro é de três pontos percentuais. Rodrigo Maia (DEM), com 5%, Otávio Leite (PSDB), com 3%, Cyro Garcia (PSTU), com 2%, Aspásia Camargo (PV), com 1%, e Fernando Siqueira (PPL), 1%, foram os demais nomes citados no levantamento.

Se na pesquisa o peemedebista aparece com mais pontos que todos os seus adversários somados, descartando os 15% que ainda não declararam voto, o mesmo ocorre com o tempo de TV. Candidato com a maior coligação de partidos (20 no total), Eduardo Paes terá 16min17s. Marcelo Freixo, Rodrigo Maia e Otávio Leite, juntos, não chegam a 10 minutos do tempo total de 30 minutos de programa.

"Não tem muito o que os seus adversários fazerem, não há varinha de cordão para esse cenário ser alterado até a eleição. A tendência é que ele (Paes) mantenha ou até amplie essa vantagem com a mobilização dos partidos", analisa o cientista político e professor do Instituto de Pesquisas do Rio de Janeiro (Iuperj), Geraldo Tadeu.

Já para o professor do departamento de Ciências Sociais da PUC-RJ Ricardo Ismael, na propaganda eleitoral gratuita, "o Rodrigo (Maia) e o Otávio (Leite) já têm um tempo com algum impacto. E isso prova de que se não cometerem erros, eles podem crescer. E esse crescimento interessa ao (Marcelo) Freixo, pois é a única chance de ele chegar ao segundo turno, já que não vai ter muito tempo para isso".

Enaltecendo atual gestão
Com mais de cem profissionais envolvidos na realização dos programas que irão ao ar na TV e no rádio, a campanha de Eduardo Paes contará ainda com depoimento de apoio do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva. O foco estará justamente nas realizações da atual gestão, que uniu as esferas estadual e federal de governo, utilizando sempre a narrativa da própria população do Rio de Janeiro.

"É a oportunidade de falar muito sobre as obras, já que ele está inaugurando muita coisa. E vai seguir essa linha de dizer que tem melhorado a vida das pessoas. Está a cargo do Renato Pereira (coordenador da campanha), que ao invés de colocar o politico falando, deixa a narrativa dos moradores do Rio. Vai ser a mesma linha das atuais propagandas da Prefeitura", opina Geraldo Tadeu. Ricardo Ismael, no entanto, faz uma ressalva.

"Dependendo do caso, ele pode usar para propaganda negativa de algum adversário, já que tempo para isso ele tem de sobra. Se em algum momento um dos candidatos, como o Freixo, começar a crescer, e ameaçar levar a disputa para o segundo turno, não acho difícil que isso aconteça. De novo, o tempo que ele tem é uma vantagem difícil de ser contrabalançada", esclarece.

Direto ao ponto
A prerrogativa de poder optar pelo ataque direto, ou propagandear as próprias relações não passa pela agenda de Marcelo Freixo. Com o Psol, o deputado estadual será o candidato com menos tempo nos veículos de comunicação: escassos 1min22s, menos tempo que os nanicos Cyro Garcia, do PSTU, Antônio Carlos, do PCO, e de Fernando Siqueira, do PPL, que terão, cada um, 1min40s. A estratégia, neste caso, é ir direto ao ponto.

"O Freixo deve seguir uma linha que a Marina fez em 2010: terá que ser objetivo, talvez mostrando apoios, com um tom mais emocional. O grande problema, no entanto, é que ele tem muito pouco tempo mesmo. Ele vai ter que se valer de uma campanha como nos anos 80, com mais campanha de rua, mais militância nas ruas, numa época que o poder da televisão ainda não era tão decisivo", avalia o professor da PUC-RJ.

"Vai ter que ser meio no estilo Enéas, que conseguiu extraordinariamente com aquele pouquinho tempo atrair a atenção das pessoas. Ele vai ter que criar palavras de ordem impactantes, que possam ser bem trabalhadas. Palavras que evoquem outras ideias, que levem para o site, como outro polo de atração onde ele possa se desenvolver mais", diz o professor do Iuperj.

Franco-atiradores
Se o candidato do Psol terá que se concentrar em suas próprias palavras de ordem, e se apresentar ainda ao eleitorado, sem muito tempo para críticas, o mesmo não ocorre com Rodrigo Maia (DEM) e Otávio Leite (PSDB), na opinião dos analistas consultados. "Nessa trincheira de oposição, com o Freixo mais propositivo, os dois certamente terão mais tempo para fazer propaganda negativa da atual gestão", acredita Ismael.

Na opinião de Tadeu, o democrata, que terá direito a 3min35s, terá "extrema dificuldade para desassociar a imagem do pai (o ex-prefeito Cesar Maia), e não poderá de certa maneira criticar tanto assim, pois tem eventuais responsabilidades pelas mazelas do Rio".

Enquanto isso, o candidato tucano, com 3min18s, terá a presença do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso em sua campanha. "Mas o fato é que essas lideranças, como o próprio (senador) Aécio Neves, ou mesmo o (governador de São Paulo) Geraldo Alckmin tem pouca influência eleitoral no Rio de Janeiro. O PSDB sofre de um problema da inanição por aqui", complementa o cientista político.

Aspásia Camargo, por sua vez, em campanha "puro sangue", sem qualquer outro partido de coligação, deve ficar mais na base do "não tenho nada a perder". "Ela tem mandado, se perder volta para a Assembleia (Legislativa), do Rio, como deputada estadual. Então, isso dá a chance de atuar como franco atiradora", afirma Ismael. "No ponto de vista político, ela vai ganhar visibilidade e fazer com que sua campanha para deputada estadual ou federal já ganhe um impulso (para 2014). É um investimento para ela muito mais pessoal", concorda Geraldo Júnior.

Fonte: Terra
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