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Prima búlgara espera aproximação com Dilma através de exposição

3 nov 2010 16h04
| atualizado às 17h12
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Lúcia Müzell
Direto de Gabrovo

Gabrovo, pequena cidade no meio das montanhas dos Bálcãs na Bulgária, não mede esforços para atrair uma visita da presidente eleita do Brasil, Dilma Rousseff, ao município onde nasceu seu pai. Para conquistar a petista, a cidade organizou uma exposição em homenagem a Dilma no Museu Histórico de Gabrovo, onde é possível refazer os passos da família Rousseff.

A restituição da trajetória dos Russev - sobrenome original, antes de ser transformado em Rousseff no Brasil - só foi possível graças à única descendente que restou em Gabrovo, uma prima de segundo grau de Dilma, Toshka Kovacheva. Enquanto visitava a exposição, Toshka reconheceu que gostaria de ter tido mais contato com os familiares no Brasil.

"Tenho a impressão de que Dilma nunca foi muito informada sobre a sua família búlgara. É por isso que quisemos organizar toda a árvore genealógica, para mostrá-la que, embora estejamos distantes, ela sempre esteve nos nossos corações", disse.

Perguntada se sente ressentimento por nunca ter recebido contato dos brasileiros, a resposta dela desvenda o constrangimento. "Às vezes", disse. "Mas eu entendo as razões. Talvez eles tenham todos sido levados a não pensar mais neste lado da família."

Na mostra, uma árvore genealógica com fotos dos ascendentes da futura presidente mostra a história da família paterna de Dilma, que até hoje vive na Bulgária. "Toda a nova geração da família ficou muito contente com a eleição dela", contou Toshka. Os descentes da simpática senhora de 72 anos hoje vivem na capital, Sófia, e no Canadá.

A exposição "As raízes de Gabrovo de Dilma Rousseff" foi inaugurada no domingo (31), como uma forma de torcer pela vitória de Dilma no dia das eleições no Brasil, de acordo com a organizadora do evento, a pesquisadora Krassimira Cholakova. A principal emissora de televisão búlgara, a TV7, participou da abertura, já que o nome de Dilma circula na imprensa do País cotidianamente há pelo menos três meses.

"Os gabrovianos torceram muito por ela no domingo e acompanharam as notícias. Infelizmente, os resultados saíram quando aqui já era madrugada, mas no dia seguinte todo mundo estava muito feliz que uma meio búlgara vai se tornar presidente do Brasil", relatou Krassimira. No primeiro turno das eleições, em 3 de outubro, a cidade tinha organizado espetáculos de danças tradicionais, como uma forma de torcer pela descente à distância.

Quanto à exposição, Krassimira ainda quer reunir mais fotografias dos antepassados da petista e, quando o material estiver completo, a prima búlgara de Dilma, Toshka, pretende enviar a ela um CD contendo as imagens e um histórico da família Russev. A prova do empenho das duas em sensibilizar a futura presidente a se reaproximar do restante da família no leste europeu é que o folder da exposição é bilingue, escrito em búlgaro e português.

Dilma nunca visitou os parentes na Bulgária, embora tenha trocado cartas com o seu meio-irmão, Luben-Kamen Russev, pouco antes da sua morte, em 2008. O pai deles, Petar Steganov Russev, era advogado em Sófia, mas repentinamente decidiu abandonar a família e o país e tentar novas oportunidades no ocidente. "Nós nunca soubemos por que ele foi embora. Só fomos receber a sua primeira carta 18 anos depois", recorda-se Toshka. Petar deixou a Bulgária quando sua esposa à época, Evdokiya Yankova, estava prestes a dar à luz Luben-Kamen, irmão de Dilma, que jamais conheceu o pai.

Depois de morar na França e na Argentina, Petar optou pelo Brasil, onde trocou seu nome para Pedro Rousseff e formou família em Belo Horizonte. Dilma Vana Rousseff, a futura presidente, foi a segunda filha que o imigrante búlgaro teve com a nova esposa, Dilma Jane Silva.

Prima em segundo grau de Dilma, Toshka Kovacheva, colaborou para a organização da exposição
Prima em segundo grau de Dilma, Toshka Kovacheva, colaborou para a organização da exposição
Foto: Lúcia Müzell / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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