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PR: Ratinho Jr e Fruet evitam ataques no 1º debate do 2º turno

11 out 2012
11h17
atualizado às 11h25

Roger Pereira
Direto de Curitiba

Poucas críticas à atual administração, já que o atual prefeito, Luciano Ducci (PSB), não está mais na disputa, e nenhum ataque entre os dois candidatos. No primeiro debate entre Ratinho Júnior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) neste segundo turno das eleições para a prefeitura de Curitiba, predominou o clima de cordialidade e a possibilidade de apresentação de propostas. Com os candidatos "educados até demais", segundo avaliação de Fruet, os dois aspirantes à prefeitura da capital paranaense debateram, durante duas horas, com estudantes universitários no Teatro Paiol, cartão postal da cidade, na noite desta quarta-feira, durante o Papo Universitário, série de encontros com estudantes promovida pelo jornal Gazeta do Povo.

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Entre outros temas, os candidatos pontuaram seus projetos e suas opiniões sobre mobilidade urbana, Copa do Mundo, gestão pública, transparência e cultura, com tempo suficiente para detalhar algumas das propostas que fizeram durante o primeiro turno da campanha. Ratinho Júnior, por exemplo, explicou sua proposta de implantação de um sistema de Veículos Leves sobre Pneus (VLP) que circulariam nas canaletas hoje destinadas aos ônibus.

"É ecológico, barato e com capacidade para carregar três vezes mais passageiros que os atuais 'ligeirões'. Com parceiras público-privadas (PPP), conseguiríamos implantar o sistema em, no máximo, dois anos e meio, colocando-o para funcionar bem antes do Metrô, que também faremos, mas sabemos que não levará menos que 10 anos", disse o candidato.

Sobre o transporte, Fruet destacou sua proposta de construção de 300 km de ciclofaixas, "divididos em pequenos trechos de 4 km, para fazer a interligação com as estruturais e recuperar os 400 km de ciclovias já existentes na cidade."

"Não vamos ganhar essa luta com restrições ao carro, como pedágio ou rodízio, mas com incentivo a transportes alternativos. A pessoa tem que se sentir atraída a utilizar a bicicleta ou o transporte público. Também vamos utilizar o sistema de radares como mecanismo de inteligência de tráfego e desconcentrar a cidade, alterando seu zoneamento", disse Fruet.

Criticado durante o primeiro turno por fazer promessas que, segundo seus adversários, eram impossíveis de cumprir, Ratinho também foi questionado durante o debate sobre uma delas, a de dar uniforme escolar para todas as crianças do ensino público municipal.

"Sabemos sim quanto custa isso e o município pode pagar. Trabalhamos com um custo estimado de R$ 400,00 por criança, o que daria R$ 52 milhões. O Orçamento de Curitiba para a educação, neste ano, foi de R$ 1,2 bilhão. Ou seja, há dinheiro. E se não houvesse, poderíamos buscar recursos federais junto ao FNDE (Fundo Nacional de Desenvolvimento da Educação)", disse.

Fruet disse que a educação é a 'menina dos olhos' de seu programa de governo, e prometeu investir 30% do orçamento do município na educação básica, "no maior investimento da história de Curitiba, com quase R$ 100 milhões a mais, para, no primeiro momento, zerar as vagas nas creches e, na sequência, estabelecer a educação integral, além de fortalecer as carreiras dos professores e educadores."

Copa do Mundo
Os dois candidatos demonstraram preocupação com a retirada da Câmara Municipal, por parte do prefeito Luciano Ducci, do projeto que libera recursos para a conclusão da obra da Arena da Baixada através do potencial construtivo.

"É uma surpresa que o novo prefeito receberá. Ninguém sabe por que foi retirado e em que termos está essa negociação. Potencial construtivo é um mecanismo interessante para a preservação ambiental ou de prédios históricos, mas nunca foi utilizado para uma obra deste tamanho. Não sabemos se isso terá valor de mercado. Não sabemos qual é o estoque de potencial construtivo da cidade", disse Fruet.

Ratinho se disse contrário ao financiamento da Arena da Baixada e afirmou que mudaria de ideia apenas se o Atlético Paranaense, proprietário do estádio, o desse como garantia à prefeitura.

"Eu sou contra dar dinheiro para o Petraglia (Mário Celso - presidente do Clube Atlético Paranaense). Copa do Mundo será importantíssima para a cidade, não devemos poupar esforços para fazer bem feita em nossa cidade, mas dinheiro público é para ser usado em obras de infraestrutura, não em propriedade particular. A não ser que ele nos dê a Arena de garantia", declarou Ratinho.

Durante o Papo Universitário, Ratinho Júnior ainda se comprometeu em aplicar o orçamento participativo, deixando uma fatia do orçamento da cidade para que a população defina a destinação do recurso, enquanto Fruet defendeu a criação da Academia da Guarda Municipal de Curitiba, para formar "a primeira polícia comunitária, de fato, do Brasil".

Nas considerações finais, os dois candidatos disseram representar mudança. "Curitiba teve um avanço muito grande nesta eleição, já mostrou no primeiro turno que quer mudança e, agora, vou mostrar que sou a alternativa para a cidade. Uma alternativa que não fica só entre os dois grupos políticos que se alternam no poder. É necessário para a cidade o lançamento de novas lideranças. Nossa campanha propõe uma mudança sem raiva, sem rancor, que garanta as conquistas de Curitiba dos últimos 40 anos. Vamos fazer uma gestão enxuta, cortando cargos, melhorando a eficiência da máquina pública, criando as subprefeituras nos bairros, para poder dar mais agilidade às demandas da população", disse Ratinho.

Fruet fez um discurso contra os "caciques" da política paranaense e prometeu colocar Curitiba na "vanguarda" da educação e inovação.

"A politica no Paraná sempre foi muito reacionária. Os caciques da política do Paraná sempre tentam impedir que novas lideranças apareçam no Estado. E eu não pedi e não quero o apoio de nenhum desses caciques. Tenho um desafio maravilhoso pela frente, recuperar os serviços e a qualidade na saúde, na segurança e no transporte, ter a capacidade de fazer o planejamento físico, fazer uma grande transformação na cidade, fazer uma Curitiba para 20, 30 anos, colocando Curitiba novamente na vanguarda da educação e da inovação", declarou Fruet.

No primeiro debate do segundo turno em Curitiba, Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) evitaram ataques
No primeiro debate do segundo turno em Curitiba, Ratinho Junior (PSC) e Gustavo Fruet (PDT) evitaram ataques
Foto: Roger Pereira / Especial para Terra
Fonte: Especial para Terra
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