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PR: debate morno marca encontro entre candidatos de Curitiba

3 ago 2012
01h59
Roger Pereira
Direto de Curitiba

Com uma estrutura engessada e seis participantes sem disposição de atacar os adversários, o primeiro debate entre os candidatos à prefeitura de Curitiba realizado na noite desta quinta-feira, na TV Bandeirantes da capital paranaense, não empolgou. Propostas genéricas e tom ameno marcaram o debate.

Formato de debate limitou confronto entre os candidatos
Formato de debate limitou confronto entre os candidatos
Foto: Franklin Freitas / Divulgação

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A estrutura escolhida colaborou para o clima morno. Nos dois primeiros blocos, os candidatos discorreram sobre temas escolhidos pela produção: mobilidade urbana e habitação, respectivamente. Nos dois blocos em que poderiam fazer perguntas para os adversários, o autor da pergunta e o candidato que a responderia foram definidos por sorteio, não permitindo o direcionamento das perguntas e limitando a estratégia dos candidatos.

Apesar de todos criticarem vários pontos da administração da cidade, nenhum dirigiu críticas diretas ao prefeito Luciano Ducci (PSB), candidato à reeleição. Dos três candidatos que lideram as pesquisas, Ratinho Júnior (PSC) foi o mais duro em suas considerações e, quanto teve oportunidade de fazer uma pergunta a Ducci, foi direto "Como o senhor que é médico se sente ao ver que a saúde de Curitiba está doente?". Tanto nessa resposta, como em praticamente todo o debate, Ducci tentou enumerar as obras realizadas por sua administração e citou, várias vezes, a parceria com seu antecessor, o hoje governador do estado, Beto Richa (PSDB).

Quando criticado pelo fato de Curitiba ser a única capital do sul do Brasil que diminuiu o número de passageiros no transporte público, Ducci disse que isso é um reflexo positivo de seu trabalho. "Curitiba é a cidade que mais reduziu a pobreza no Brasil, a que tem os menores índices de desemprego e, por isso, felizmente, mais gente consegue adquirir seu veículo próprio", justificou.

O esperado confronto entre Ducci e o candidato do PDT, Gustavo Fruet, não ocorreu. O momento mais ácido de Fruet foi quando, ao discutir habitação, declarou que "a secretaria de habitação não deveria ter sido criada só pra receber um deputado estadual", numa referência à criação da pasta pela prefeitura apenas no ano passado e à nomeação do deputado Osmar Bertoldi (DEM) para o cargo. A declaração passou batida e não foi respondida pelo prefeito, por conta da estrutura do debate. Fruet pouco citou sua aliança com o PT, fazendo, durante todo o debate, apenas duas menções superficiais ao governo federal e, apesar de agradecer à ministra Gleisi Hoffmann (PT) e à presidente do PV (outro partido de sua aliança), Rosane Ferreira, na despedida, não citou sua vice, Mirian Gonçalves (PT).

Já Ratinho Júnior, que apesar de não ter o PT em sua aliança segue na base do governo Dilma Rousseff (PT), fez diversos elogios ao governo federal e propôs ainda mais parcerias com a presidente.

Quem mais chamou a atenção foi Rafael Greca (PMDB), bem mais experiente em debates que seus adversários, o ex-prefeito abusou das citações bíblicas e poéticas, lembrou seus feitos na administração municipal entre 1993 e 1996 e até arrancou risadas ao citar o ¿companheiro Sócrates, do PMDB de Atenas¿.

No final do programa, quando perguntado que questão não havia sido feita e que gostaria de ter respondido, disse. "Como você tem coragem de se lançar candidato em um partido dividido, cobiçado pelos donos do poder, contra as máquinas municipal, estadual e federal, depois de sequer ter conseguido se eleger deputado?".

Participando do debate por força de uma liminar, Carlos Moraes (PRTB) disse que é o único candidato que representa o novo na cidade e exigiu respeito à sua candidatura. "Fui vitima de um pedido de impugnação, mas recorri e sou candidato. Tenho o direito de participar e a Bandeirantes não quis me convidar. Fui à Justiça garantir meu direito".

Bruno Meirinho (PSOL) levou ao debate as propostas da frente de esquerda. Disse que combaterá as privatizações e terceirizações no município e prometeu fazer um plebiscito para saber se o curitibano realmente deseja que a cidade receba a Copa do Mundo de 2014. "Porque somos contra a aplicação de recursos públicos em obra particular e o despejo com as desapropriações".

Fonte: Especial para Terra
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