Eleições

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12 de maio de 2010 • 17h38 • atualizado às 18h10

Perrela diz ser a terceira via na eleição ao governo em Minas

 
Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte

Não está arriscando mal quem apostar que a proposta de candidatura do deputado estadual Zezé Perrela ao governo de Minas será meteórica. É o próprio pré-candidato quem faz questão de pontuar que seu nome só irá ser lançado se o PDT não conseguir um espaço amplo em outra chapa. Ao Terra, o cartola do Cruzeiro fez questão de afirmar, várias vezes, que a meta é estar ao lado da candidatura à reeleição do governador Antonio Anastasia.

Durante a conversa pontuou seguidamente que o PDT quer ser valorizado. Mesmo simpático ao nome tucano, o partido do ministro do Trabalho, Carlos Lupi, não parece preocupado com o lado em que irá ficar. A sigla tem transitado entre as rodas de PT e PMDB com a mesma desenvoltura com que frequenta o PSDB do ex-governador Aécio Neves. O cartola tem mais chances junto aos tucanos, mas já avisou: não aceita nada que seja menor que indicar o vice ou o nome que disputará o Senado.

Enquanto nada é decidido, o PDT usa a candidatura Zezé Perrella como uma arma. E que se quer fazer poderosa. Confira abaixo a entrevista que o dirigente do clube mineiro concedeu ao Terra.

Terra - Quais as chances reais de sua candidatura ser lançada?
Zezé Perrela - As chances existem, há um consenso no partido sobre a possibilidade de candidatura própria. As pesquisas que o PDT mandou fazer nos animaram muito. Hoje, tenho cerca de 11%, sei que é difícil enfrentar duas candidaturas fortes sem o apoio de um partido forte. Mas estamos com um índice bom. Hoje eu não acredito numa candidatura competitiva do Pimentel (pré-candidato do PT). O Hélio Costa (pré-candidato ao governo pelo PMDB) chegou a oferecer ao Carlos Lupi a vice-governadoria. Eu me coloquei à disposição do partido. Uma candidatura nossa ajuda a eleger deputados. O partido acha a minha candidatura interessante, mas temos uma história de apoio ao Aécio. O que o PDT quer é um espaço maior. Pela nossa importância precisamos efetivamente participar do governo.

Terra - Se o projeto da candidatura própria não for adiante, como o PDT vai trabalhar a sucessão estadual? De que lado ficará, afinal?
Zezé Perrela - Hoje a tendência maior é ficarmos mesmo com a candidatura do Anastasia (governador de Minas). É natural caminharmos com o Anastasia depois de oito anos de apoio ao governador Aécio. A nossa preferência é essa, mas com participação efetiva do PDT. Queremos participar da chapa, ou com o nome do senador ou com a vice. Mas, se não conseguirmos fazer acordo, sairemos sozinhos mesmo com minha candidatura.

Terra - E quanto aos rumores de que sua candidatura é para dividir votos e beneficiar o nome do Anastasia?
Zezé Perrela - Não tem nada disso. Dentro de um acordo político tudo é possível. Eu me coloquei à disposição do PDT. Acredito que ninguém ganha essa eleição em primeiro turno. Pra mim esta eleição já é de segundo turno. Então ninguém precisa da minha candidatura para dividir e forçar a segunda etapa.

Terra - O PDT nacional chegou a orientar as decisões do partido em Minas?
Zezé Perrela - O que o PDT nacional quer é ser valorizado. Se não formos valorizados, vou lançar minha candidatura para ajudar o partido. Minha candidatura ajudaria os deputados do PDT. Eu sou a terceira via desta eleição. Em Goiás, por exemplo, o Marconi Perilo começou com três pontos e virou governador.... O Lupi está conversando com o Hélio Costa, mas ele já sentiu que, aqui em Minas, se pudermos escolher, sairemos com o Anastasia. E fazemos questão de que seja na chapa majoritária, ganhando a vice ou o nome para a disputa ao Senado.

Terra - Tirar a vice de Anastasia do PP ou do DEM neste momento não é meio complicado?
Zezé Perrela - Não tem nada fechado. A pesquisa indica que o único nome que agrega dos dois lados (candidatura da oposição e da situação) sou eu. Eu aceitaria ser vice. Eu quero é participar da vaga, claro, de preferência com o Anastasia. Não é faca no pescoço não. Nós somos parceiros do PSDB, mas queremos ser reconhecidos.

Terra - Vocês colocaram a condição de ter a vice ou o Senado para o grupo de PT/PMDB também. Acredita que ainda há espaço lá?
Zezé Perrela - Eu acho difícil fechar lá com eles. Tem dois PTs a serem atendidos dentro do PT, o do Fernando Pimentel e o do Patrus Ananias. Será difícil aliar com o PT. Não tem espaço lá. Mas muita coisa ainda pode mudar. Vamos decidir só em junho. O Itamar (Franco), por exemplo, pode ser vice do Serra...

Terra - O sr. acredita mesmo nessa hipótese? Ela parece cada dia mais distante...
Zezé Perrela - Ora, o Serra tem necessidade de ter um vice de Minas. Poderia ser o Itamar. Acredito, sim, nessa possibilidade. E se isso acontecer, abriria uma vaga para Senado.

Terra - Ao que parece, o Sr. e o PDT estão valorizando o passe para negociar melhor lá na frente.
Zezé Perrela - Não é negociação de passe. O que queremos é ser inseridos no processo em Minas, de preferência com o Anastasia. Hoje o PDT tem muito mais força que o PP. E o candidato a vice não precisa ser necessariamente o Zezé Perrella. O fato é que hoje temos, no governo estadual, apenas uma secretaria, a de Reforma Agrária, que não tem expressão tão grande assim.

Terra - E por que o PDT não cobrou este espaço lá atrás, ainda no Governo Aécio?
Zezé Perrela - Na verdade, nossos deputados foram muito bem atendidos pelo governo estadual. Mas agora queremos ser reconhecidos pelo tamanho do nosso partido. Ou saio para senador ou para vice-governador. Ou até governador, se nada acontecer.

Terra - O Sr. enfrentaria a disputa ao Senado com um concorrente forte, além de já ter que enfrentar o Aécio Neves?
Zezé Perrela - Só me caberia neste processo, nesta disputa, se o Itamar estiver fora porque a chapa do Anastasia já tem o Aécio e só há mais uma vaga. Estamos aguardando, conversando. A decisão passa pelo Aécio também, que está viajando. Mas não estamos radicalizando. Queremos saber o que os partidos têm a nos oferecer.

Terra - Como sair candidato com ínfimo tempo de TV?
Zezé Perrela - O tempo é pequeno sim, mas eu tenho um nível de conhecimento no estado de 84%. Não é nada impossível. Além disso, ainda podemos trazer para nosso lado outros partidos. Até os que vão apoiar a ex-ministra Dilma Roussef (pré-candidata à Presidência) aqui em Minas. A situação política está toda obscura, não tem nada definido e, até junho, temos muito a conversar.

Terra - Qual a sua aposta de placar para o jogo de logo mais entre Cruzeiro e São Paulo pela Libertadores?
Zezé Perrela - O jogo de hoje é dificílimo. Mas acredito em 2 a 0 para o Cruzeiro. Mas é bom lembrar que estamos jogando com um dos melhores times do Brasil.

Especial para Terra