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Oposição tem de ser clara e ativa no governo Dilma, diz tucano

3 nov 2010 09h28
| atualizado às 09h33
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Filippo Cecilio
Direto de São Paulo

"Se tivermos uma oposição ativa, o que mais importa não é derrotar o governo na casa (legislativa), é denunciar perante a população aquilo que é do interesse de todos". A avaliação acima, de Antônio Carlos Mendes Thame, deputado federal (PSDB-SP) e presidente diretório regional de seu partido, é feita logo após a eleição da petista Dilma Rousseff para a presidência da República - e da terceira derrota consecutiva dos tucanos no pleito. Ele entende que, para se manter forte nestas condições, a oposição precisaria tornar clara a sua agenda, de modo a consolidar e ampliar seu eleitorado.

O cenário que se revela para a oposição, baixada a poeira das eleições, não é dos mais favoráveis. O atual governo consolidou uma grande base congressual - que cresceu nas eleições deste ano - e conta com o apoio de 17 dos 27 governadores eleitos. Nestas condições, apontam estudiosos, aumenta a necessidade de que a oposição tenha uma movimentação mais cuidadosa para que não desperdice a base eleitoral que assegurou no último domingo (31) - cerca de 44 milhões de votos.

Para Fernando Abrucio, cientista político e professor da Fundação Getúlio Vargas (FGV), essa conjuntura política faz com que "a tendência de um governo agir como um imã seja muito grande. E se a oposição ficar muito isolada, só batendo, isso pode fazer que ela perca apoio e até quadros. É um momento delicado em que ela tem que se dizer oposição, mas com cuidado para não se isolar demais, para não representar um círculo menor do que os 44 milhões de votos que teve".

Thame entende que não dá pra imaginar como seré o governo de Dilma Rousseff. "Nós reagiremos em função do que eles fizerem. Vamos tentar fazer uma oposição responsável. É evidente que temos que intensificar algumas ações, nosso papel de fiscalização e denúncia, mas certamente não teremos uma oposição demolidora, em que somos contra um assunto simplesmente porque é iniciativa do PT, não faremos isso", disse.

Para Edinho Silva, presidente estadual do PT em São Paulo, o governo Dilma deverá negociar com os partidos de oposição para que a governabilidade se construa de maneira conjunta com as instituições, e não com os indivíduos - no caso, figuras públicas de destaque como Aécio Neves. "A oposição tem que continuar tendo seu espaço e sua identidade. Não precisa transformar o ambiente político brasileiro numa praça de guerra. A disputa política não precisa ser cotidiana. A oposição sistemática não é boa para o governo nem para a oposição".

Movimentos neste sentido já podem ser percebidos. Em seu primeiro discurso após o resultado das urnas, a nova presidente sinalizou que pretende manter um canal de diálogo aberto com seus adversários políticos. Na sequência, o governador de Pernambuco Eduardo Campos (PSB), uma das estrelas em ascensão da esfera governista, lançou uma proposta de diálogo: "Temos que procurar o Aécio, o Beto Richa, o Teotônio e outros, temos que nos abrir, todos nós, abrir o diálogo, a participação..."

Abrucio entende que essa postura é típica de começo de governos. "Reduzir certas arestas, diminuir a radicalização... Vai ter um clima de de paz política. É aquilo que chamamos de lua-de-mel do presidente. Depois as coisas vão se acertando". Ele entende que já passou da hora da oposição encontrar o seu lugar, e que esse deve ser "maior do que seus eleitores, ou ela estará condenada a ser minoria para sempre. PSDB e DEM são partidos eleitorais, eles têm que conquistar eleitores. Nesse primeiro momento, podem ter uma postura mais colaborativa, para dar tempo que a oposição descubra qual é sua agenda. Ninguém sabe qual é. Não pode ser apenas a crítica ao que o governo faz, tem que ser mais específica".

Presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff, comemoram nesta madrugada a vitória no Palácio da Alvorada
Presidente Lula e a presidente eleita, Dilma Rousseff, comemoram nesta madrugada a vitória no Palácio da Alvorada
Foto: Ricardo Stuckert / Divulgação
Fonte: Terra
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