0

No último debate, Haddad vai ao ataque e Serra usa mensalão

27 out 2012
00h21
atualizado às 01h48
  • separator

O último debate entre os candidatos à prefeitura de São Paulo, realizado pela TV Globo, foi marcado pelos ataques entre Fernando Haddad (PT) e José Serra (PSDB). Apesar de aparecer com larga vantagem nas pesquisas de intenção de voto, o petista manteve uma postura incisiva, com críticas a gestão do atual prefeito Gilberto Kassab (PSD), aliado de Serra, e as administrações tucanas na Prefeitura e no Governo do Estado. Serra, por sua vez, evitou o confronto no começo do debate, mas não poupou o petista de críticas quando o assunto foi corrupção. O tucano questionou Haddad sobre o julgamento do mensalão, que envolve lideranças do PT, e atacou a possibilidade de fim das parcerias com as Organizações Sociais (OSs) na área da saúde.

Confira quanto ganham os prefeitos e vereadores nas capitais brasileiras
Consulte os candidatos a prefeito em todo o País

Durante o primeiro bloco, quando questionado pelo petista sobre o que pensa a respeito da atual gestão do prefeito Gilberto Kassab (PSD), que, de acordo com institutos de pesquisa, possui alto índice de rejeição popular, Serra fez questão de dizer que Kassab fez "sua gestão" a partir de 2008, quando foi reeleito derrotando a petista Marta Suplicy. Apesar dessa tentativa de desvinculação, Serra disse que Kassab trouxe diversos avanços para a cidade, mas que ainda há pontos a serem melhorados.

Haddad aproveitou o momento para atacar seu adversário e afirmou que diversos secretários deixados por Serra após sua saída da prefeitura continuaram com Kassab e que, por isso, o tucano é também responsável pela atual situação da cidade. Para Serra, a manutenção de seus secretários foi uma atitude "sábia" de Kassab. O tucano ainda acusou o PT de procurar o apoio do prefeito de São Paulo, que também é presidente nacional do PSD.

Após ser questionado por Serra sobre seus projetos para o Metrô, Haddad atacou o tucano para afirmar que o PSDB anuncia construções de linhas em anos eleitorais, mas não cumpre os prazos prometidos. O tucano se defendeu de críticas, e acusou o petista de trocar a apresentação de propostas por críticas. "É mais fácil criticar do que propor", ironizou


Segundo bloco

Fernando Haddad (PT) manteve postura incisiva, Serra (PSDB) preferiu evitar ataques
Fernando Haddad (PT) manteve postura incisiva, Serra (PSDB) preferiu evitar ataques
Foto: Ricardo Matsukawa / Terra

No segundo bloco, o debate trouxe perguntas a partir de dez temas selecionados previamente pelas duas campanhas, e sorteados na hora pelo mediador do debate, o jornalista Cesar Tralli. Logo na primeira pergunta, o tema selecionado para o candidato Serra foi corrupção. O tucano lembrou que a cúpula do PT está sendo julgada pelo Supremo Tribunal Federal no julgamento do mensalão. Em sua resposta, Haddad lembrou que o mensalão começou na verdade na gestão de Eduardo Azeredo (PSDB-MG), quando candidato à

reeleição

no governo de Minas Geras e que "infelizmente" será julgado "posteriormente". Em sua tréplica, José Serra afirmou que "se havia algo errado, é pior ainda quem copiou".

Na segunda questão, Haddad questionou seu concorrente por não construir corredores de ônibus em São Paulo. Em sua réplica, Serra afirmou que construiu os corredores Tiradentes e o corredor Diadema, com ajuda do governo estadual e disse em suas palavras que os corredores de ônibus da gestão da ex-prefeita Marta Suplicy (PT), os corredores tiveram que ser consertados, pois eles estavam estragados. No fim da questão sobre transporte, Serra citou a proposta de expansão do bilhete único para 6 horas. A proposta fez com que Haddad ironiza-se a questão, afirmando ser uma cópia do programa do candidato derrotado a prefeito pelo PRTB, Levy Fidelix. "O Serra nas últimas 24 horas tem consultado o Levy Fidelix", disse o petista, que se comprometeu a construir 150 km de corredores. Na tréplica, Serra disse que não tirou a proposta da "cartola", mas da "cachola". Na questão seguinte, Haddad ainda aproveitou para criticar novamente a proposta dizendo: "Tirou ideia da cachola, da cachola do Levy Fidelix".

Outro atrito entre os dois candidatos foi na questão sobre educação. Nela, Serra prometeu 25% de aumento no piso salarial dos professores e a construção de centro de reciclagem para professores. Haddad afirmou, em suas palavras, que "educação não é área dele" e que professor "não é reciclado e nem treinado". O tucano se defendeu de críticas, e acusou o petista de trocar a apresentação de propostas por ATAQUES. Serra também chegou a dizer que o petista estava "nervoso" e "agressivo". Haddad rebateu dizendo que o que Serra chamava de nervosismo era "indignação" pelos problemas da cidade. "A tua propaganda eleitoral não reflete a vida da cidade", completou Haddad.


Terceiro bloco

No último bloco, enquanto o petista focou suas críticas ao que considera um baixo nível de parcerias com o governo federal, o tucano atacou a suposta disposição do PT em acabar com as parcerias com as Organizações Sociais (OSs) que gerem unidades públicas de saúde.

Segundo Haddad, o tucano permite que questões partidárias se sobressaiam ao bem-estar da população, e por isso não faz parcerias com o governo federal. O tucano, contudo, negou as acusações, e afirmou que buscou recursos junto ao governo federal, mas que, devido à "inépcia" e "incapacidade", os recursos não vieram para a prefeitura de São Paulo.

Serra negou que a atual gestão, do prefeito Gilberto Kassab (PSD), seu aliado, não busca apoio com o governo federal e afirmou que atualmente existem 83 convênios e parcerias entre a prefeitura e o governo federal. O tucano também atacou Haddad com a afirmação de que o PT pretende acabar com as OSs caso assuma a prefeitura, o que, segundo ele, prejudicaria a população paulistana. O petista negou as acusações, e atacou o tucano afirmando que ele pretende destinar à iniciativa privada 25% dos leitos em hospitais públicos.

Para reforçar a ideia de que os petistas pretendem acabar com o modelo de gestão, Serra afirmou que José Dirceu, um dos principais nomes do PT e ex-ministro da Casa Civil no governo do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, entrou com uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) para tornar inconstitucional este tipo de modelo.

Haddad questionou Serra a respeito de políticas sociais, pergunta que causou uma reação mais agressiva do tucano. Segundo ele, "a melhor política social que o PT poderia ter feito era não ter feito o mensalão", em menção ao caso que está sendo julgado atualmente no STF, tema que usou em outro momento do debate para atacar seu adversário.

Veja também:

Queiroga diz ainda esperar chegada de 'kit intubação' e abertura de nova compra
Fonte: Terra
publicidade