
- Mauricio Tonetto
- Direto de Porto Alegre
Se depender das propostas de governo registradas no Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o prefeito de Porto Alegre (RS), José Fortunati (PDT), terá de lutar contra fortes críticas de Manuela D'Ávila (PCdoB) e fazer seu trabalho prevalecer sobre o passado do PT para permanecer no comando da cidade. A comunista centrou as diretrizes em ataques à atual administração e propôs grandes mudanças, especialmente de gestão; já Adão Villaverde (PT) preferiu defender o legado do PT e prometeu a volta do Fórum Social Mundial, e Fortunati procurou demonstrar que a capital está avançando desde 2005.
Veja o cenário eleitoral nas capitais
"Nos 16 anos de governos da Frente Popular, Porto Alegre tornou-se conhecida em todo o Brasil e no mundo como uma cidade avançada na inclusão social e no respeito às diferenças. Temos hoje uma cidadania ativa, que participa das decisões e sabe exigir direitos do Poder Público. Precisamos novamente de uma prefeitura à altura das demandas sociais urgentes que se apresentam. Lutaremos para trazer oFórum Social Mundial", afirma o documento do PT.
"Grande parte das dificuldades enfrentadas por Porto Alegre deve-se a uma forma de administrar marcada pela lentidão nas decisões e pela utilização de fórmulas antigas para enfrentar problemas antigos. A falta de agilidade, eficiência e criatividade na administração pública não cria problemas apenas para avaliação dos gestores, mas significa menos serviços públicos, desenvolvimento e qualidade de vida para os porto-alegrenses. Se os problemas não mudam, é preciso mudar as ideias", critica o PCdoB.
Com 50 páginas, o documento assinado por José Fortunati e Sebastião Melo (PMDB), candidato a vice-prefeito, apresenta melhorias realizadas desde 2005, quando José Fogaça (PMDB) assumiu a prefeitura após quatro mandatos petistas, e garante a construção de um metrô, demanda histórica da capital gaúcha: "É importante enfatizar os esforços que a municipalidade empreende para a construção da primeira linha do netrô, com recursos garantidos dos três níveis de governo, com expectativa de que as obras dessa aspiração histórica dos porto-alegrenses se iniciem em 2013."
Saúde, mobilidade urbana e Copa do Mundo
Os três candidatos dedicaram boa parte de suas propostas a soluções de problemas na saúde, mobilidade urbana e obras da Copa do Mundo de 2014 - Porto Alegre é uma das sedes. Para o PT, a cidade necessita de "um olhar mais humanizado".
"A rede de serviços públicos de saúde, educação, assistência social, esporte e lazer, cultura e segurança pública precisa de mais integração, maiores investimentos e um olhar mais humanizado. Priorizaremos o transporte público coletivo, dando ênfase à redução de tempo e custo de deslocamento. Viabilizaremos a construção do metrô e de um novo sistema de transportes rodoviário, que atenda a toda cidade e a integre com os municípios da região metropolitana. A implantação de ciclovias será prioridade", garante a Frente Popular.
Segundo o PCdoB, "não é concebível que, gestão após gestão, continue a situação de filas e prazos desumanos no entendimento à saúde. Precisamos revolucionar a qualidade do atendimento nos postos de saúde e nos hospitais". Os comunistas dizem ainda que "a prefeitura não soube aproveitar as oportunidades de investimentos da Copa de 2014. A principal solução é seguir investindo fortemente em transporte público de alta capacidade como Metrô, BRT e Aeromóvel".
Fortunati e Melo prometem avanços em ciclovias - 495 km em até quatro anos -, incentivo ao transporte hidroviário e viabilização do Aeromóvel. "Nossas metas visam à atenção básica de saúde, o financiamento, a incorporação de tecnologias, os desafios epidemiológicos, a saúde mental e os cuidados emergenciais. Outros temas, como a saúde da mulher e do idoso, o acesso gratuito de medicamentos à população e a implantação do Instituto Municipal de Estratégia de Saúde da Família demonstram como o município tem avançado no nos últimos anos", afirmaram.
Em contraponto, os comunistas enfatizaram que "é possível melhorar sensivelmente a situação do trânsito com pequenas intervenções em reengenharia de tráfego, melhorias nos ônibus, implantação de paradas de ônibus inteligentes e construção de novas ciclovias que possam ser medidas por quilômetros e não por metros. A gestão atual está moldada em princípios do século passado, incompatíveis com a situação de desenvolvimento tecnológico e de eficácia na gestão acumulados nos últimos anos."
PT é contra privatizações
Adão Villaverde salientou que, se eleito, o PT não fará nenhuma privatização na capital. "Respeitamos o Direito de Greve e os direitos conquistados pelos servidores e vamos caminhar na aplicação plena da Lei do Piso dos professores no município e defesa do patrimônio público: nem privatizações nem concessões ou terceirizações".
Fortunati encerrou o documento prometendo qualificação na educação municipal e cercamento eletrônico de parques, e o PCdoB disse que reconhece o legado das administrações anteriores, mas acha que "existe muito a ser feito. Por isso, não estamos entre aqueles que acham que tudo deve permanecer como está, mantendo intacta a administração municipal."
Fiscalize seu candidato e veja as propostas
Uma lei aprovada em 2009 passou a exigir dos candidatos aos cargos de prefeito, governador e presidente da República o registro das propostas de governo de cada um, antes do início do período de campanha. Em vigor desde as eleições de 2010, o pleito de 2012 será a primeira eleição, em nível municipal, com a nova exigência.
No site do TSE, as propostas de Roberto Robaina (Psol), Érico Corrêa (PSTU), Jocelin Azambuja (PSL) e Wambert Di Lorenzo (PSDB) ainda não estavam disponíveis para consulta popular. Os eleitores podem obter mais detalhes, como o patrimônio dos candidatos e a prestação de contas, por meio do sistema de divulção de registro de candidaturas do TSE
.
