Eleições

publicidade
13 de setembro de 2010 • 21h25 • atualizado às 11h07

Lula diz que o DEM precisa ser extirpado da política brasileira

'Precisamos extirpar o DEM da política', diz LulaClique no link para iniciar o vídeo
'Precisamos extirpar o DEM da política', diz Lula
 
Claudio Leal
Direto de Joinville

Rosto acre e discurso virulento, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva atacou, em Joinville (SC), a presença da família Bornhausen na política catarinense e se esforçou para fortalecer a candidatura de Ideli Salvatti (PT) ao governo do Estado. "Os Bornhausen não podem vir disfarçados de carneiro, porque nós já conhecemos os Bornhausen. Nós sabemos as histórias dele", investiu Lula, ao lado da candidata Dilma Rousseff. Raimundo Colombo (DEM), aliado de Jorge e Paulo Bornhausen, lidera as pesquisas de intenção de voto. Ideli segue em terceiro lugar.

O presidente comparou os democratas a "lobos" e atacou o governador Luiz Henrique (PMDB) por ter apoiado o DEM: "Quando Luiz Henrique foi eleito governador de Santa Catarina, eu achei que fosse pra mudar, mas ele trouxe de volta o DEM, que nós precisamos extirpar da política brasileira", afirmou Lula, algo rascante.

Filho do ex-senador Jorge Bornhausen e líder do DEM na Câmara, Paulo considerou "um deboche" a visita do presidente ao Estado, "com o uso da máquina pública em benefício da sua candidata".

A exemplo de outros comícios, o presidente falou por último e ofuscou a participação de Dilma, que reduziu seu discurso a menos de quinze minutos. Lula se comparou, uma vez mais, a Getúlio Vargas, João Goulart e JK, para evocar os ataques "da direita" à campanha petista.

"Quando a direita raivosa, quando a direita com ódio, a mesma direita que articulou e levou Getúlio Vargas a dar um tiro no coração, que levou o João Goulart a renunciar, a mesma que disse que Juscelino não podia ganhar e se ganhasse não podia tomar posse... Essa mesma direita tentou fazer o mesmo comigo em 2005 e não fez. Eu tinha um ingrediente a mais. Eu tinha vocês. Eles nunca tinham lidado com um presidente da República que tinha nascido no berço da classe operária... Quando eles queriam que eu ficasse em Brasília, ouvindo os discursos deles, eu disse a Dilma e outros: 'Vocês fiquem e eu vou pra rua enfrentá-los e derrotá-los'. Como nós fizemos nesse momento", declarou Lula.

No palanque, o presidente insinuou que o governo catarinense desviou recursos públicos destinados à reparação dos estragos provocados pelas enchentes. "Só não sei se o dinheiro que nós mandamos foi aplicado naquilo que nós mandamos. Mandamos muito dinheiro pra cá... Tem gente agora dizendo que o dinheiro não veio. Vou pedir pra Controladoria Geral da República fazer uma investigação do dinheiro federal, pra saber onde esse dinheiro foi parar", anunciou.

Dilma repetiu a fórmula de discursos anteriores. Mesclou o pedido de voto para Ideli Salvatti e voltou a vacinar os eleitores contra o preconceito à mulher. "Muitas vezes falam assim: uma mulher não pode querer governar o Brasil ou um estado da federação. Isso é um absurdo", afirmou a candidata, que não se referiu às denúncias contra a sua substituta na Casa Civil, Erenice Guerra.

Terra Magazine