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22 de agosto de 2010 • 18h40 • atualizado às 20h06

Humoristas protestam pelo direito de fazer humor na política

 
João Pequeno
Direto do Rio de Janeiro

Fazendo piada contra a decisão do TSE (Tribunal Superior Eleitoral) de proibir humor com candidatos em programas de rádio e TV, cerca de duas mil pessoas participaram na tarde deste domingo (22) da passeata "Humor sem Censura", na Praia de Copacabana, no Rio de Janeiro. Embora o tribunal informe que se baseia na Lei Eleitoral (9.505/1997), nunca antes a proibição havia sido aplicada, como lembraram Cláudio Manoel, Hélio de La Peña e Marcelo Madureira, do Casseta e Planeta, programa que sempre fez sátiras de candidatos.

Também participaram do protesto o cartunista Jaguar, Castrinho, Lúcio Mauro Filho, Nelson Freitas (Zorra Total), Maurício Menezes (Plantão de Notícias) e o cantor Léo Jaime, entre outros. Danilo Gentili, do CQC, e Sabrina Sato, do Pânico, aproveitaram para gravar cenas que devem ir ao ar nesta semana.

A iniciativa da manifestação partiu dos integrantes do Comédia em Pé, cujas apresentações, em teatros, não são atingidas pela proibição. "Protestamos mesmo não estando censurados (...) mas pode chegar, qualquer fiapo de censura é uma fagulha", filosofou Cláudio Torres Gonzaga, um dos integrantes do grupo.

Fábio Porchat, também do Comédia em Pé, leu o manifesto, afirmando que "as restrições impostas aos profissionais do humor são francamente inconstitucionais, uma forma arbitrária e espúria de censurar o seu trabalho, silenciando-os. No exercício da democracia, informar e criticar não somente é um direito, mas um dever".

Ao fim da passeata, que percorreu pouco mais de um quilômetro, do Copacabana Palace ao Leme, Porchat comentou que está havendo "uma inversão", pela qual "os humoristas são proibidos e os candidatos é que acabam fazendo palhaçada na TV no horário eleitoral". Diversos gritos de guerra foram improvisados, entre eles o de "humor sem censura, abaixo a ditadura!".

Cartunista ameaçado de processo pelo PT desenhou logomarca
A logomarca do Humor Sem Censura - um palhaço com a boca tapada por uma rolha - foi desenhada pelo cartunista Nani, ameaçado de processo pelo PT em julho, após fazer uma charge da candidata Dilma Rousseff como prostituta, comparando seu programa de governo a um "programa" conforme o gosto dos fregueses - no caso, partidos aliados, como PMDB e PDT.

Na caminhada, havia gente fantasiada tanto de Dilma "da esquina" quanto de "Serra Comedor", em alusão à piada criada no site YouTube sobre o programa eleitoral de TV em que o tucano usa seguidas vezes a palavra "como" - na forma de conjunção - para se referir a diversas pessoas que citava.

Cláudio Manoel, do Casseta e Planeta, lembrou que o grupo já estampou capas de revistas com montagens com os ex-presidentes José Sarney com cinta-liga e Fernando Collor "de bunda de fora" e que "não houve nenhuma ameaça". Embora a determinação seja do TSE, outro Casseta, Marcelo Madureira, afirmou que sua aplicação "reflete esse momento de 'hegemonia petista', em que não temos oposição".

Especial para Terra