atualizado às 17h21

GO: PC do B lança candidatura de Isaura Lemos em Goiânia

Isaura Lemos era até o ano passado do PDT, partido pelo qual atuou durante dez anos e que chegou a presidir Foto: Mirelle Irene / Terra
Isaura Lemos era até o ano passado do PDT, partido pelo qual atuou durante dez anos e que chegou a presidir
Foto: Mirelle Irene / Terra
 
Mirelle Irene
Direto de Goiânia

O PC do B abriu a temporada de convenções partidárias em Goiânia e homologou, neste sábado, por unanimidade, o nome da deputada estadual e presidente metropolitana do partido, Isaura Lemos, para disputar a prefeitura da capital de Goiás. Durante a convenção, realizada no auditório Costa Lima da Assembléia Legislativa, chapa proporcional de 53 candidatos a vereador pelo partido também foi oficializada.

O PC do B, que até o início deste ano compunha o governo do atual prefeito Paulo Garcia (PT), entregou os cargos em março e decidiu lançar candidatura própria, quebrando a unidade da base da presidente Dilma Rousseff em Goiânia em torno do projeto de reeleição do petista. "A base tem duas candidaturas aqui em Goiânia, isso não quer dizer que nós vamos nos digladiar, vamos fazer um debate político", garante o presidente regional do partido, e vereador em Goiânia, Fábio Tokarski."Durante anos nós apoiamos outras candidaturas, de outros partidos.O PC do B quer apresentar as suas propostas nas capitais, conforme decisão nacional do partido", justifica.

Tokarski disse que o PC do B antecipou a escolha da cabeça da chapa majoritária, mas ainda vai negociar a vaga de vice com outras siglas. "Estamos apresentando nossa candidatura a prefeita, mas estamos deixando a vaga de vice em aberto. Temos até dia 30 para continuar este diálogo com os outros partidos", afirma. As conversas já estariam adiantadas com o PV e o PSC.

Durante discurso para a militância o presidente Tokarski disse que a candidatura de Isaura passa ao largo do "cachoeiroduto" que atinge outros candidatos em Goiânia, que tiveram seus nomes associados nas investigações da PF ao bicheiro. "Não compactuamos com nada disso que tem envergonhado Goiás. Queremos mostrar um novo jeito de governar", explica.

Tokarski demonstrou também que o PC do B está seguro, juridicamente, que a candidatura de Isaura está livre dos efeitos da lei da Ficha Limpa, apesar da deputada ter sido condenada por improbidade, em 2005, pela 1ª Vara da Fazenda Pública de Goiânia, por suposta apropriação de parte de salários de seus servidores na Assembléia. "Dizem por aí que a candidatura dela está impugnada. Isso não é verdade", diz.

A garantia seria liminar concedida pelo STF, em 30 de junho de 2010, através de ação cautelar com efeito suspensivo a um Recurso Extraordinário que transita no Supremo. O que a colocaria fora do alcance da Lei da Ficha Limpa. No site de Isaura, um texto esclarece: "O próprio fato de poder se candidatar nas últimas eleições e ter tomado posse como deputada estadual em seu quarto mandato demonstraria esse direito. O Recurso Extraordinário se fundamenta na tese de um erro processual, no qual a deputada Isaura Lemos, que goza de foro especial, foi julgada por juiz de primeira instância, enquanto deveria ter sido julgada pelo Tribunal de Justiça do Estado de Goiás (TJ-GO)", afirma a nota.

Isaura Lemos era até o ano passado do PDT, onde ficou por mais de uma década e chegou a presidir regionalmente. Após perda de espaço por intervenção ordenada pela Executiva Nacional do PDT, voltou ao PC do B,sigla em que começou sua militância política na época da ditadura ao lado do marido, o ex-vereador Euler Ivo.

Isaura adota um tom crítico em relação a administração do prefeito Paulo Garcia (PT). Critica, especialmente, a falta de espaço que o petista deu ao PC do B, quando a sigla compunha a administração municipal, e também nas articulações pré-eleitorais. "Vamos criticar a administração dele principalmente naquilo que não tivemos condições de contribuir. A aliança com esta administração não propiciou a nós sermos ouvidos", acredita. "Os serviços públicos da Prefeitura precisam atender aos goianienses e não os interesses de empresas e grupos econômicos. O sistema público de saúde está abandonado, bem como o transporte coletivo. Vamos estudar a hipótese de implantar o metrô. Goiânia merece ser tratada como a metrópole, e não como cidade de segunda categoria", disse.

Para Isaura, o primeiro objetivo de sua candidatura é forçar um segundo turno com o atual prefeito, já que, segundo ela, algumas sondagens pré-eleitorais de intenção de voto já mostrariam que seus índices estariam praticamente empatando, tecnicamente, com os de Paulo Garcia, que lidera. "Irei para o segundo turno com o prefeito, e temos grande chance de convencer a população com nossas propostas", decretou a pré-candidata.

Terra