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Esvaziado, encontro do PT no RS tenta afastar 'fantasmas'

17 mai 2012
21h06
atualizado às 22h55
Daniel Favero
Direto de Porto Alegre

Com adesão inferior à esperada, o Partido dos Trabalhares (PT) reuniu, por dois dias, militantes e pré-candidatos em Porto Alegre para discutir os rumos da sigla nas eleições municipais. No evento, que terminou nesta quinta-feira, os petistas discutiram formas de afastar velhos "fantasmas" do passado, como o antigo marxismo e o privilégio político ao invés de escolhas técnicas para composição de governos.

Evento partidário teve baixa adesão do público
Evento partidário teve baixa adesão do público
Foto: Daniel Favero / Terra

Foram feitas 540 inscrições, mas no final do segundo dia, cerca de 330 haviam comparecido ao evento organizado pela executiva nacional. Alguns militantes acreditam que isso aconteceu porque o evento foi organizado muito rápido, sem a divulgação necessária.

Na entrada, foram armados estandes nos quais seriam apresentadas as propostas colocadas em prática pelas prefeituras de algumas cidades brasileiras, mas quase todas estavam vazias, e o pouco movimento se concentrava na lojinha do PT.

Durante um dos esvaziados painéis, a ex-ministra do Desenvolvimento Social e Combate à Fome e pré-candidata do partido à prefeitura de Londrina (PR), Maria Lopes, reclamou da postura machista de alguns companheiros. "Fiz uma carta para que nenhum prefeito coloque suas esposas como responsáveis pela área social", afirmou ela.

Outra militante, que não se identificou, enfatizou, durante um o mesmo seminário a necessidade de uma carta de princípios ao final do evento. "Porque o prefeito, às vezes, quando se elege não ouve os militantes ou o diretório ou era de outro partido e não sabe como é a forma do PT de governar".

Para o militante Roberto Pereira, que trabalha na prefeitura petista de Canoas (RS), o grande diferencial do evento é a proposta petista de "democratização dos espaços de decisões". "Esse seria o novo socialismo, socializar os espaços de decisões, não tem mais aquele socialismo utópico dos livros de Marx, aquilo lá não tem mais espaço", disse.

Ele diz que outra iniciativa que teve sucesso em Canoas, mas que é criticada por algumas correntes internas do partido, são as escolhas técnicas feitas pelo prefeito. "O Jairo preza muito pela gestão, a gente sabe que as relações políticas têm as suas peculiaridades, mas como filiado do PT e trabalhando no governo, eu vi pessoas chegarem sem filiação, sem compromisso político, simplesmente pela capacidade técnica. Isso é um testemunho, é uma verdade. Pelo menos nos lá, não é critério absoluto ser companheiro, pessoas com capacidade técnica entram por seus méritos", disse ao relatar que nem todos os companheiros gostam muito desta postura.

Fonte: Terra
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