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Em MG, Serra ganha votos no 2° turno, mas perde por 17 pontos

1 nov 2010 11h47
| atualizado às 12h17
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Juliana Prado
Direto de Belo Horizonte

O mapa político do segundo turno em Minas Gerais mostra que a missão dada ao ex-governador e senador eleito, Aécio Neves (PSDB), de transferir votos para o candidato de seu partido à presidência da República, José Serra, não obteve o sucesso desejado e suficiente para fazê-lo conseguir uma "virada" a partir do Estado. Em Minas, Serra fechou o segundo turno com 4,4 milhões de votos, num total de 41,55% da preferência do eleitorado. Já a presidente eleita Dilma Rousseff (PT) conquistou 6,2 milhões de votos, ou 58,45% do total.

Apesar do aumento de um milhão de votos conquistados por Serra do primeiro para o segundo turno no Estado, a diferença entre os dois em Minas nesta segunda etapa foi de 16,9% pontos percentuais. É uma margem bem maior do que a registrada no país - na média nacional, a diferença entre Dilma e Serra ficou em 12 pontos percentuais.

A investida do candidato tucano em Minas Gerais foi pesada, principalmente na reta final do segundo turno. Na última semana, ele chegou a visitar Uberlândia, no Triângulo Mineiro, e Montes Claros, na região Norte, num único dia. Serra ainda fechou a campanha no sábado (30) em Belo Horizonte, quando, ao lado de Aécio, conseguiu colocar nas ruas de dois bairros nobres da capital mais de 10 mil pessoas.

Nada disso foi suficiente para inverter a lógica da primeira etapa da corrida presidencial, quando Dilma também conseguiu uma ampla frente de votos sobre seu adversário. Para a vitória expressiva da petista em Minas contribuiu também a superexposição do presidente Lula, que chegou a desfilar em carro aberto com sua ex-ministra pelas ruas da capital mineira numa concorrida carreata.

Além dos variados ingredientes que compuseram o cenário favorável à campanha petista, a estratégia de colocar Aécio Neves para percorrer o Brasil em nome de Serra nas duas últimas semanas de campanha também pode ter sido um "tiro no pé". Ficava em Minas - e não fora do Estado - seu maior arco de influência. O ex-governador e senador eleito possui no Estado mais de 80% de aprovação e é hoje, de longe, a principal liderança política mineira.

Ônus à vista
Aécio deu início, jã no dia da eleição, a uma operação política para evitar que tucanos do núcleo da campanha tentem jogar sobre ele parte da responsabilidade pelos números negativos. Neste domingo (31), antes de votar em Belo Horizonte, o senador eleito mandava um recado. Numa frase de efeito, afirmava por volta do meio-dia, sob o sol forte nas Minas Gerais: "pode ter havido outros companheiros no Brasil que tenham trabalhado tanto quanto Anastasia (Antonio Anastasia, governador reeleito) e eu em Minas para o Serra, mas, com certeza, não encontraremos ninguém que tenha trabalhado por Serra mais que nós".

A dedicação e o empenho cobrados de Aécio no primeiro turno, e que até chegaram a ser reconhecidos na segunda etapa, não tiveram o ciclo concluído neste domingo. Aécio, ao contrário de outras lideranças tucanas, não "esticou" para São Paulo na noite do dia 31. De Minas mesmo, viu ser anunciada a derrota de Serra.

Derrotados, José Serra, discursa
Derrotados, José Serra, discursa
Foto: Fernando Borges / Terra
Fonte: Especial para Terra
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