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Em busca do 2º Turno, Freixo eleva o tom e ataca Paes em debate

6 set 2012
02h06
Cirilo Junior
Direto do Rio de Janeiro

As milícias foram responsáveis por acusações mútuas entre os dois candidatos que lideram as pesquisas eleitorais no Rio, no debate dos postulantes à prefeitura da capital fluminense realizado na noite da última quarta-feira. O tema, ligado à trajetória política do candidato Marcelo Freixo (Psol), foi utilizado por ele para atacar o prefeito e candidato à reeleição, Eduardo Paes (PMDB).

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Freixo voltou a acusar Paes de ligações com esses grupos criminosos chefiados por policiais e bombeiros. O prefeito taxou o socialista de leviano. Em segundo lugar nas pesquisas e tentando chegar ao 2° turno, o deputado estadual não poupou munição contra o chefe do executivo carioca quando teve a oportunidade de questioná-lo.

Foi no início do terceiro bloco o momento mais tenso do debate. O candidato do Psol afirmou que o peemedebista teve reunião, na prefeitura, com milicianos citados no relatório da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj). A CPI foi comandada pelo próprio Freixo.

"Não estou insinuando, estou afirmando. Você se reuniu com líderes de milícia. Você se reuniu com Dalcemir, com Cabeção, com o Gringo, líderes de milícia. Seu chefe da Casa Civil, Pedro Paulo, participou da CPI das Milícias e também esteve na reunião. Aquele encontro não foi um acaso", declarou o deputado.

Paes evitou dar explicações detalhadas sobre a reunião, e argumentou que não pede "certificado de antecedentes criminais" de todas as pessoas que entram na sua sala. Foi a senha para tentar contra-atacar, insinuando que Freixo teve um aliado ligado ao traficante Ném, ex-chefe do tráfico de drogas da favela da Rocinha.

"O Psol teve uma pessoa presa em 2008. Agora tem citado na CPI entre os candidatos a vereador. O senhor deveria ler o seu relatório", retrucou Paes. "Deputado, vou manter o nível. Vou atribuir isso as acusações à leviandade", acrescentou o prefeito. "É diferente um indiciado de um citado. Um indiciado você sabe o nome", disse, na tréplica, o candidato socialista.

Freixo também teve que dar explicações sobre o assunto. A suspeita de que o candidato a vereador do Psol, Berg Nordestino, é ligado a uma milícia foi levantada no debate. Segundo o deputado, investigações apontaram que Nordestino seria um infiltrado dentro do partido. As informações, prosseguiu Freixo, indicam que ele é ligado ao ex-vereador Deco, um dos alvos do deputado na CPI das Milícias.

Os ataques a Paes não se resumiram à questão levantada por Freixo. Líder nas pesquisas e favorito no pleito marcado para 7 de outubro, o atual prefeito foi alvo principal dos demais candidatos, especialmente de Rodrigo Maia. O candidato do DEM questionou as mudanças de partido de Paes, e afirmou que o atual chefe do executivo nega seu passado, no qual foi aliado do ex-prefeito Cesar Maia (DEM), pai do democrata.

O deputado federal centrou ataques também à condução, por parte da prefeitura, da saúde e de políticas de combate ao consumo de crack. O democrata defendeu o polêmico projeto da Cidade da Música, iniciado por seu pai e que está paralisado. Segundo Maia, "picuinhas políticas" impedem que a Cidade da Música comece a funcionar. "O Cesar Maia deixou 90% pronto, e eles não terminam para criar um desgaste. Queremos cobrar a abertura de um projeto que tem muito à agregar a cultura do Rio", observou.

No quarto bloco, Maia elevou o tom e foi agressivo ao defender sua aliança com o grupo político do ex-governador Anthony Garotinho (PR). Ressaltou que não esconde seus aliados, e aproveitou para alfinetar Paes, que, segundo ele, evita o candidato a vereador do PT, Marcelo Sereno, que já foi assessor do ex-ministro José Dirceu. "Nossa aliança é clara e transparente. Não tenho nenhum constrangimento, não fujo de aliados. As pessoas saberão quem são meus aliados. Não fujo de vereador ligado ao Dirceu".

Em busca do eleitorado da classe média-alta da Zona Sul, Otávio Leite (PSDB) iniciou sua participação indo para cima de Freixo, que tem bastantes votos nesta camada. O deputado federal acusou o legislador estadual de planejar elevar o IPTU da cidade. Freixo negou que tenha tal intenção, e que propõe apenas revisar os impostos da cidade, sem necessariamente aumentá-los.

Aspásia Camargo (PV) moderou o tom crítico, mas também tentou atacar Paes. Questionou a ampla aliança do atual prefeito, que engloba 19 partidos, e insinuou que ele poderia ter problemas para governar uma coalizão tão grande. A candidata acabou, na sua tréplica, elogiando o prefeito, ao concordar com a afirmação dele de que o atual governo vem coordenado bem a coligação de partidos.

A representante do PV teve problemas com o tempo estipulado para os candidatos, e não conseguiu completar algumas perguntas, por não fazer as colocações dentro do período pré-determinado. Ao falar do tema da sustentabilidade, Aspásia voltou a elogiar o prefeito, ao criticar o tratamento que o governo estadual dá aos resíduos sólidos. Segundo a deputada fluminense, a prefeitura faz um bom trabalho nessa questão.

Milícias voltaram a ser ponto de conflito entre prefeito candidato à reeleição e deputado estadual
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Foto: Daniel Ramalho / Terra
Fonte: Terra
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