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Dissidentes do PMDB lançam comitê pró-Ducci em Curitiba

16 jul 2012
19h49
Roger Pereira
Direto de Curitiba

Integrantes do PMDB que votaram contra a candidatura de Rafael Greca à prefeitura de Curitiba pelo partido lançaram, no final de semana, a ideia de um comitê suprapartidário em apoio à reeleição do prefeito Luciano Ducci (PSB). Liderados pelo secretário-geral do PMDB de Curitiba, Doático Santos, pelos deputados estaduais Alexandre Curi e Reinhold Stephanes Júnior (que disputou e perdeu para Greca a convenção partidária) e pelo secretário estadual do Trabalho, Luiz Cláudio Romanelli, o grupo, que diz contar com o apoio da maioria das zonais do partido, busca agora adesões ao comitê, que pretendem inaugurar, com sede própria e estrutura de campanha, dentro de 10 dias.

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"Apoiar o prefeito Luciano Ducci sempre foi o desejo da base popular do PMDB. Por manobras na condução do processo, não conseguimos apresentar essa tese na convenção do partido. Então, oficialmente, o partido tem candidatura própria, mas oficiosamente, a maioria do PMDB está com o prefeito", disse Doático, que contesta o fato de Greca ter a candidatura aprovada pela maioria dos convencionais do partido (69 votos contra 38 de Stephanes). "Pelas regras da convenção, tinha gente com direito a quatro votos. O resultado não é a expressão da vontade do partido. Só a família Requião tinha 22 votos", comentou, lembrando que das grandes lideranças do PMDB, apenas o senador Roberto Requião, presidente municipal do partido, defendeu a candidatura de Greca.

"É a dissidência do partido. Da mesma forma que, em 2004, um grupo saiu para apoiar o Beto Richa, agora, tomamos essa decisão. Respeitamos a decisão da convenção, mas, agora, nossa decisão também deve ser respeitada. Falei com o senador Requião hoje e, assim como entendeu minhas razões para apoiar o Beto em 2010 e não o Osmar Dias, com quem o PMDB estava coligado, vai ter que entender agora", disse o deputado Alexandre Curi.

Questionados se não temiam ser enquadrados na regra da infidelidade partidária, correndo o risco de expulsão do partido e, até, perda de mandato, Curi e Doático minimizaram a situação. "Tem peemedebista em todas as campanhas. O (ex-governador) Orlando Pessuti está com o Ratinho Júnior, tem gente com o Gustavo Fruet. O próprio Requião, em São José dos Pinhais, onde temos candidatura própria, está apoiando o atual prefeito (Ivan Rodrigues, do PSD). Então, vai da coerência de cada um. Não vejo problema nisso", disse Curi.

"Infidelidade cometeu quem empurrou goela abaixo do partido a candidatura do Greca, que carrega feições anti-PMDB. Ele foi o secretário de comunicação do Jaime Lerner que fez propaganda pela privatização da Copel. Apoiá-lo é falta de fidelidade ao PMDB original", sustentou Doático.

Rafael Greca não quis comentar a decisão dos correligionários. "É um direito que eles têm, e eu tenho minha opinião, mas também tenho o direito de não externá-la". Sobre a questão da fidelidade partidária, Greca disse que "quem vai cuidar disso é a executiva estadual e a nacional do partido".

Fonte: Especial para Terra
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