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Deputado tucano assume 'culpa' por renúncia de Serra em 2006

21 out 2012
17h45
atualizado às 18h56
Renan Truffi
Direto de São Paulo

O deputado estadual Marcos Zerbini (PSDB-SP) assumiu neste domingo a "culpa" pelo fato de o candidato do PSDB à prefeitura de São Paulo, José Serra, ter deixado o cargo em 2006 quando disputou o governo do Estado. A renúncia é constantemente usada pela campanha do adversário Fernando Haddad (PT-SP) na propaganda eleitoral de rádio e TV. Em resposta, a campanha do PSDB diz que o ex-prefeito teve que deixar o cargo com Gilberto Kassab (PSD-SP) para que nenhum petista assumisse como governador.

Marcos Zerbini (PSDB-SP) afirmou que ele e outros deputados pressionaram Serra na época para que o tucano deixasse a prefeitura e disputasse o governo do Estado
Marcos Zerbini (PSDB-SP) afirmou que ele e outros deputados pressionaram Serra na época para que o tucano deixasse a prefeitura e disputasse o governo do Estado
Foto: Roberto Oya / Futura Press

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Em evento da Assembleia Mensal Movimento Universitário, organizado pela Associação Educar Para a Vida, Zerbini reforçou o argumento e afirmou que ele e outros deputados também pressionaram Serra na época. "Fomos pedir para o Serra sair da prefeitura. Se alguém tem culpa, eu também sou um deles. Mas não acredito que alguém tenha culpa", disse, antes de defender a renúncia de Serra pelo mesmo motivo veiculado na campanha.

Além disso, Zerbini afirmou que "é mentira" que o candidato do PSDB vá largar o cargo outra vez. "Dizem que o Serra não vai terminar o mandato. É uma grande mentira porque o PSDB já tem candidato ao governo do Estado", disse, ao se referir ao governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP), que deve se candidatar à reeleição.

O recado de Zerbini foi passado a cerca de mil estudantes no galpão da associação, localizado na Lapa De Baixo, zona oeste da capital paulista. Os universitários não sabiam da visita de Serra e foram ao evento com o objetivo de garantir a manutenção dos descontos que cada um tem na universidade. Isso porque a associação, fundada pelo próprio Zerbini, tem convênio com aproximadamente 17 universidades particulares. Por isso, os estudantes que frequentam o local, pelo menos uma vez por mês, têm direito a uma bolsa que varia de 20% a 50%.

Se faltarem às palestras mais de três vezes, de um total de 12 reuniões por ano, os alunos perdem o desconto na mensalidade. Questionado se não enxergava um conflito no fato dos estudantes serem obrigados a comparecer a evento com um candidato à prefeitura, já que todos têm bolsa de estudo, o deputado respondeu que sempre deixa claro a posição política da associação.

"A nossa posição política é o PSDB. Não vejo conflito, a gente traz e coloca nossa opinião, mas cada um é maduro o suficiente para saber. O que não é democrático é fazer de conta que a gente não tem posição. Está muito claro qual é a nossa posição religiosa e política", defendeu. Antes da chegada de Serra, um dos coordenadores da associação aconselhou os estudantes sobre a disputa no segundo turno. "Cada um decide com a sua consciência, mas o Serra é o melhor candidato", disse.

Pouco tempos depois, o próprio Zerbini enfatizou a importância do candidato para a existência da entidade. "A associação tem grande necessidade de aliança com o Estado. Tivemos como grande aliado o Serra", afirmou. Apesar disso, Serra não foi o único candidato convidado. No primeiro turno, o deputado levou também o então candidato do PMDB e "grande amigo", Gabriel Chalita, e Soninha Francine (PPS-SP). Zerbini disse ainda que convidou Haddad, mas falou que entende o motivo da recusa. "Não veio porque ele sabe (da ligação com o PSDB). O pessoal fica com receio", admitiu.

Fonte: Terra
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