atualizado em 02 de Maio de 2012 às 21h01

Crítico de Lula, Fruet diz não se constranger por aliança com PT

Fruet foi candidato ao Senado pelo PSDB em 2010 Foto: Thea Tavares / Divulgação
Fruet foi candidato ao Senado pelo PSDB em 2010
Foto: Thea Tavares / Divulgação
 
Roger Pereira
Direto de Curitiba

Ferrenho opositor ao ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso Nacional, o ex-deputado federal Gustavo Fruet (PDT) concedeu nesta quarta-feira sua primeira entrevista como pré-candidato apoiado pelo PT à prefeitura de Curitiba (PR) e disse não ter constrangimento em firmar a aliança. "Se tivesse algum constrangimento, não teria buscado essa aproximação", afirmou. "Não nego a história. Nunca combati institucionalmente o PT. Há muito mais pontos de unidade do que de discórdia", completou, negando haver contradição no acordo, aprovado no último sábado pelo diretório petista.

Fruet disse que, como um dos mais ativos deputados de oposição em Brasília, combateu a corrupção tanto no PT quanto no PSDB, seu antigo partido - citando o caso do mensalão mineiro, suposto esquema de corrupção que desviava recursos públicos para a campanha de reeleição do tucano Eduardo Azeredo ao governo mineiro, em 1998 -, e que não tem nenhuma posição a ser revista para viabilizar a nova aliança. Sobre o caso mensalão petista - suposto esquema de distribuição de propina a parlamentares da base aliada para votar de acordo com os interesses do governo Lula -, do qual foi relator de uma das subcomissões do Congresso, Fruet disse defender a punição dos envolvidos, como defende de todos envolvidos em crimes de corrupção, "como nas denúncias aqui da Câmara de Curitiba".

"Não mudei minha opinião. Combati a corrupção em Brasília, nos meus anos de deputado federal, assim como combato em Curitiba, tanto que fui um dos primeiros a ir à Câmara pedir o afastamento do Derosso (João Cláudio, do PSDB, ex-presidente da Casa, que renunciou por irregularidades em contratos de publicidade), que, na época, era do mesmo partido que eu. Fiz meu trabalho, não tenho porque mudar de posição. Aliás, ninguém me pediu para reavaliar nada do que fiz. Isso é pura especulação."

Fruet também disse desconhecer qualquer posição de Lula a respeito de sua pré-candidatura. "Marcaram essa coletiva antes mesmo da nossa primeira reunião de trabalho, não sei a opinião do Lula sobre a aliança. Se ele me chamar para conversar, é lógico que vou. Quem iria dispensar o apoio dele?", disse, sendo interrompido pela presidente municipal do PT, Roseli Isidoro. "O ministro Paulo Bernardo já conversou com o presidente Lula depois do nosso encontro de sábado. Ele disse que acata a decisão do partido, que foi tomada de forma democrática, e que vai participar da campanha, assim como a presidente Dilma (Rousseff) e os ministros Paulo Bernardo e Gleisi Hoffmann. Ele também disse que vai conversar com o Gustavo, mas ainda não há uma data marcada", afirmou.

Depois de aceitar de última hora disputar o Senado pelo PSDB em 2010, para fechar chapa com a recusa de Osmar Dias de coligar com Beto Richa, Fruet conseguiu ser o candidato a senador mais votado em Curitiba, apesar de não se eleger. A votação, no entanto, não foi suficiente para que o partido o considerasse como nome para a sucessão municipal, mantendo-se firme no apoio à reeleição de Luciano Ducci (PSB), eleito vice do atual governador Beto Richa (PSDB). Assim Fruet "mudou de lado", na polarizada disputa política no Paraná, entre o PSDB de Richa e o PT da ministra da Casa Civil, Gleisi Hoffmann.

"Cuspido do PSDB, como afirmou o senador Alvaro Dias, tratei de buscar um novo caminho para levar adiante o desejo de ajudar nossa cidade. Omisso, estaria condenado ao isolamento e o que é pior: legitimando todas as condutas que sempre combati. Seria negar a política. Buscar um novo caminho significa responder a novos desafios, romper barreiras e explicar as razões. Sem ressentimentos e mágoas e com olhar para o futuro", afirmou.

Outro tema que pautou a primeira reunião de Fruet com o PT foi a escolha do candidato a vice-prefeito, que caberá ao Partido dos Trabalhadores. Um dos nomes mais cotados, o deputado federal Ângelo Vanhoni não descartou compor a chapa, mas disse que isso ainda não foi discutido. "Seria uma grande honra para qualquer um ser vice numa chapa encabeçada pelo Gustavo Fruet. Mas o PT acabou de tomar a decisão pela aliança, ainda não fez a discussão a respeito do vice. Temos grandes nomes para apresentar, como os vereadores Pedro Paulo e Jonny Stica, e nossa presidente, Rosili Isidoro", afirmou.

Especial para Terra