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Confira os principais tópicos da entrevista de Dilma

3 nov 2010 14h42
| atualizado às 19h22
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Tatiana Damasceno
Direto de Brasília

A presidente eleita Dilma Rousseff afirmou nesta quarta-feira (3) que prevê uma taxa de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) de 4,5% já para o ano que vem. Dilma foi recebida no Palácio do Planalto pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva e concedeu uma entrevista coletiva após o encontro.

"Nós trabalhamos com o PIB de 4,5%, nós não trabalhamos com um PIB absurdo, mas você pode chegar a 5%, 5,5%", afirmou.

Nos outros indicativos, a presidente se mostrou otimista com o cenário brasileiro e com inflação se mantendo dentro da meta. "Nas variáveis econômicas, estamos trabalhando com um superávit primário de 3,3%. Nós trabalhamos com uma inflação dentro da meta em 4,5%. Trabalhamos com uma dívida líquida sobre PIB cadente, caindo de 42%, 41% para 38%", afirmou.

Segundo Dilma, um quadro de maior estabilidade econômica ajudaria a reduzir cada vez mais a taxa de juros. "Isso significa a possibilidade de uma relação dívida líquida sobre PIB, de uma convergência da taxa de juros brasileira, que nós praticamos aqui, com as taxas de juro internacionais. Todo mundo fala em 2% porque seria mais ou menos essa a taxa de juros consistente, mas não necessariamente", explicou.

Confira os principais assuntos da entrevista concedida pela presidente eleita Dilma Rousseff.

Geração 68
Dilma Rousseff afirmou que só na democracia uma pessoa de sua geração poderia ter chegado à presidência da República. Ela reforçou a fala de Lula, em que disse que sua chegada ao poder "é a vitória daqueles que perderam em 1968".

"Eu acho que nós temos o mérito, nós lutamos com a cabeça que a gente tinha e com as condições que a gente tinha, nós lutamos contra a ditadura. Se a gente cometeu erro ou não, a história dirá. (...) Do meu ponto de vista, essa geração também teve outro mérito, ela participou da luta pela redemocratização do primeiro ao último dia. E nesse processo, não só ela transformou o Brasil como se transformou, e eu sou dessa geração. Então, é um momento importante para essa geração perceber que só na democracia é possível que uma pessoa dessa geração, ainda mais mulher - porque tinha um baita preconceito contra as mulheres - chegasse aonde eu cheguei, sendo eleita presidente da República. Então é mérito da minha geração, e mais ainda, é mérito do processo democrático que se implantou no Brasil".

A presidente reforçou mais uma vez que manterá a liberdade de imprensa durante seu governo, justamente porque vem de uma época onde isso não era permitido.

"Nós somos de uma geração que lutou num momento muito específico do Brasil. Por que eu tenho um valor muito grande na questão de democracia e da liberdade de imprensa, de opinião, de expressão? Porque eu sou de uma época em que a liberdade de imprensa e de opinião eram extremamente subversivas. Uma peça de teatro, o Roda Viva, era o cúmulo da subversão", completou.

Diálogo com outros países
Dilma reforçou que manterá o diálogo com todas as nações, independentemente das diferenças ideológicas que o Brasil tiver com elas. "O diálogo continua com todos os países do mundo, não só com Teerã. Nós não temos nenhuma política de agressão, de violência, nós defendemos a paz. Aqueles que dialogarem conosco em paz, serão recebidos em paz", disse.

Questionada se manteria a mesma postura diante de nações sob regime de ditadura, a presidente eleita afirmou que seu governo terá uma posição mais dura a respeito de direitos humanos em outros países. Lula foi duramente criticado por ter mantido o diálogo em tais circunstâncias, especialmente na África.

"Eu tenho uma posição bastante intransigente no que se refere aos direitos humanos. E essa posição intransigente se reflete no plano da diplomacia como uma posição também de opção clara por uma manifestação que conduza à melhoria dos direitos humanos. Não necessariamente é estrondosa. Muitas vezes, para conseguir melhoras nessa área, é preciso negociar. No meu governo, não vai haver nenhuma dúvida a respeito", explicou.

Iraniana Sakineh
Dilma Rousseff ressaltou também que é contra a pena de apedrejamento imposta à iraniana Sakineh Mohammadi Ashtiani.

"Eu sou radicalmente contra o apedrejamento da iraniana. Eu não tenho nenhum status oficial para falar, mas eu externo aqui, perante vocês, que acho uma coisa muito bárbara o apedrejamento da Sakineh. Mesmo considerando os usos e costumes de outros países, continua sendo bárbaro", afirmou.

Reforma agrária e MST
Segundo Dilma, seu governo não tratará o Movimento dos Sem Terra (MST) como "caso de polícia", mas reiterou que não tolerará invasões em prédios públicos e propriedades produtivas.

"O MST não é um caso de polícia (...). Mas eu não compactuo com ilegalidades, nem com invasão de prédios públicos, nem com invasão de propriedades que estão sendo produtivamente administradas".

A presidente eleita destacou que a reforma agrária continuará sendo feita, junto com políticas para garantir renda aos agricultores de produção familiar. Segundo ela, tal fator é fundamental para "resolver o problema dos sem-terra" e cria "milhões de pequenos proprietários que farão com que o tecido social no setor rural brasileiro seja cada vez mais democrático".

"A nossa política de agricultura familiar que definiu o Luz Para Todos, que garantiu para o agricultor uma compra dos seus produtos através do Programa de Aquisição dos Alimentos e os 30% da merenda escolar é fundamental para você garantir para o assentado e para o produtor familiar renda monetária", disse. "Nós temos de fazer uma revolução no campo no sentido de transformarmos os agricultores em proprietários, fazer com que seus filhos tenham acesso à educação de qualidade".

Trem-bala
Dilma afirmou que considera um "absurdo" as críticas feitas ao projeto do trem-bala, com custo previsto de R$ 33 bilhões e que deverá ligar o Rio a São Paulo.

"É um absurdo achar que o trem-bala não precisa ser feito. Nos anos 80, essa conversa vigorou para metrô. Diziam o seguinte: o Brasil não pode gastar em metrô porque metrô é muito caro, tem outra alternativa, como os corredores e o transporte urbano por rodas. Com isso, nós fomos um dos países que atrasou o investimento em metrô. Mesma coisa com o trem-bala. Em um país continental, com a densidade populacional no sudeste e na região sul-sudeste, que é compatível com o trem-bala, é um absurdo as políticas que são obscurantistas, que consideram esse projeto um absurdo. (...) O trem-bala é financiado para o setor privado, não concorre com recursos públicos", afirmou.

Saúde e segurança pública
Segundo a presidente, saúde e segurança pública serão setores de destaque em seu governo.

"Duas áreas terão um grande destaque no meu governo. Uma é a área da saúde e outra é a área da segurança pública. Eu considero que a educação está muito bem encaminhada. Os recursos maiores, que estou chamando de recursos maiores é a atenção, é um cuidado maior, é um empenho maior com, por exemplo, a saúde, completar toda a rede do SUS (Sistema Único de Saúde)", disse.

Dilma ressaltou que "recursos significativos" terão que ser investidos em segurança pública, uma vez que "não é possível resolver uma questão de envergadura nacional sem a cooperação entre Estado, município e União".

"Não é possível sem que a União participe efetivamente com recursos e sem que a gente dê uma clara prioridade para essa área. Na minha concepção duas áreas terão a minha integral atenção, para além dos ministros nomeados, eu também participarei do acompanhamento diário dessa área. E noturno, como o presidente falou para vocês, e também nos fim de semana", afirmou.

"Ex-presidente só dá conselho se for pedido", diz Lula:
Fonte: Especial para Terra
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