O candidato do PT à prefeitura de São Paulo, Fernando Haddad, avaliou neste sábado as declarações do empresário mineiro Marcos Valério de que o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva seria o mandante do mensalão como um "comportamento normal de pessoas com abalo psicológico muito forte". O empresário foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) por lavagem de dinheiro, corrupção ativa e peculato. "Não li a revista ainda, mas isso vai acontecer com aquelas pessoas mais fragilizadas pela condenação. Elas vão mudar a versão dos fatos recorrentemente", afirmou.
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Neste sábado, a revista Veja publicou matéria alegando que o publicitário Marcos Valério teria dito a pessoas próximas que Lula não apenas sabia, como "era o chefe" do mensalão. Além disso, segundo a publicação, Valério teria revelado a familiares seu medo de ser assassinado por saber tanto sobre o esquema. Por meio de seu advogado, ele negou as informações.
Após participar de comício em São Miguel Paulista, zona leste da cidade, Haddad creditou as informações ao comportamento de quem passa por uma situação difícil. "Evidentemente a cada momento eles (condenados) vão dizer algo a respeito, até pra se justificar perante a família e aos filhos", acrescentou.
O petista negou que o julgamento do mensalão prejudique sua campanha - Haddad está empatado com José Serra (PSDB) na segunda colocação, segundo as intenções de voto. " A população tem total compreensão de quando alguém se desvia do rumo certo tem que ser julgado pela Justiça. O Brasil resolveu encarar isso com todas as consequências. Se no passado não foi assim, agora a Justiça, o STF, a Polícia Federal e o Ministério Público funcionam".
O mensalão do PT
Em 2007, o STF aceitou denúncia contra os 40 suspeitos de envolvimento no suposto esquema denunciado em 2005 pelo então deputado federal Roberto Jefferson (PTB) e que ficou conhecido como mensalão. Segundo ele, parlamentares da base aliada recebiam pagamentos periódicos para votar de acordo com os interesses do governo Luiz Inácio Lula da Silva. Após o escândalo, o deputado federal José Dirceu deixou o cargo de chefe da Casa Civil e retornou à Câmara. Acabou sendo cassado pelos colegas e perdeu o direito de concorrer a cargos públicos até 2015.
No relatório da denúncia, a Procuradoria-Geral da República apontou como operadores do núcleo central do esquema José Dirceu, o ex-deputado e ex-presidente do PT José Genoino, o ex-tesoureiro do partido Delúbio Soares, e o ex- secretário-geral Silvio Pereira. Todos foram denunciados por formação de quadrilha. Dirceu, Genoino e Delúbio respondem ainda por corrupção ativa.
Em 2008, Sílvio Pereira assinou acordo com a Procuradoria-Geral da República para não ser mais processado no inquérito sobre o caso. Com isso, ele teria que fazer 750 horas de serviço comunitário em até três anos e deixou de ser um dos 40 réus. José Janene, ex-deputado do PP, morreu em 2010 e também deixou de figurar na denúncia.
O relator apontou também que o núcleo publicitário-financeiro do suposto esquema era composto pelo empresário Marcos Valério e seus sócios (Ramon Cardoso, Cristiano Paz e Rogério Tolentino), além das funcionárias da agência SMP&B Simone Vasconcelos e Geiza Dias. Eles respondem por pelo menos três crimes: formação de quadrilha, corrupção ativa e lavagem de dinheiro.
A então presidente do Banco Rural Kátia Rabello e os diretores José Roberto Salgado, Vinícius Samarane e Ayanna Tenório foram denunciados por formação de quadrilha, gestão fraudulenta e lavagem de dinheiro. O publicitário Duda Mendonça e sua sócia, Zilmar Fernandes, respondem a ações penais por lavagem de dinheiro e evasão de divisas. O ex-ministro da Secretaria de Comunicação (Secom) Luiz Gushiken é processado por peculato. O ex-diretor de Marketing do Banco do Brasil Henrique Pizzolato foi denunciado por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O ex-presidente da Câmara João Paulo Cunha (PT-SP) responde a processo por peculato, corrupção passiva e lavagem de dinheiro. A denúncia inclui ainda parlamentares do PP, PR (ex-PL), PTB e PMDB. Entre eles o próprio delator, Roberto Jefferson.
Em julho de 2011, a Procuradoria-Geral da República, nas alegações finais do processo, pediu que o STF condenasse 36 dos 38 réus restantes. Ficaram de fora o ex-ministro da Comunicação Social Luiz Gushiken e do irmão do ex-tesoureiro do Partido Liberal (PL) Jacinto Lamas, Antônio Lamas, ambos por falta de provas.