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Candidatura de mulheres às prefeituras não supera 15%

28 ago 2012
13h34
Mariana Ghirello

No país, 15.033 pessoas são candidatos aos cargos de prefeito, mas destes apenas 1.896 são mulheres. As candidatas a chefiar os municípios do país representam, em média, 12% do total de pretendentes aptos aos cargos. Em alguns estados do Norte e do Nordeste, a participação feminina é maior que a média nacional, chegando a 20%.

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Foto: Paulo Pinto / Divulgação

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As regiões Sul e Sudestes são as que apresentaram a menor participação de mulheres disputando as prefeituras, segundo dados do TSE (Tribunal Superior Eleitoral). No Sul, apenas 9% dos candidatos são do sexo feminino, são 2.561 homens contra 276 mulheres. E no Sudeste a participação sobe para 11%, com 4.270 candidatos contra 534 candidatas.

No Centro-Oeste os dados seguem a média de 12%, mas nas regiões Norte e Nordeste a parcela de mulheres concorrendo sobe para 14% e 15%, respectivamente. Na região Norte, 1.187 homens disputam as prefeituras contra 192 mulheres. E no Nordeste esse número sobe para 4.036 homens e 738 mulheres.

Em apenas quatro estados do país a porcentagem de mulheres supera os dados nacionais. Nos estados da Paraíba, Rio Grande do Norte, Roraima e Tocantins. Em Roraima, são 11 mulheres contra 37 homens disputando as prefeituras. E no Tocantins, 76 candidatas, o que representa 20% dos candidatos. Na Paraíba 111 mulheres são candidatas, enquanto há 452 homens na disputa. E no RN, são 335 homens e 83 mulheres.

No Amazonas e no Rio Grande do Sul a porcentagem de mulheres concorrendo aos cargos é de 8%. No AM são 202 homens e 19 mulheres, enquanto que no RS são 1.084 homens e 102 mulheres. No Espírito Santo e Santa Catarina o número sobe um pouco e chega a 9%. No ES são 215 candidatos do sexo masculino e 23 do feminino. E em SC, 632 homens e 63 mulheres.

Vice-prefeito
A quantidade de mulheres concorrendo no cargo de vice-prefeito é um pouco maior e chega a 17% do total de candidatos. Dos 14.948 concorrentes, apenas 2.555 são do sexo feminino.

Para o cargo de vereador a participação feminina alcança mais de 30% devido à Lei 9.504/97, que estabeleceu uma cota mínima de candidatas para cada partido.

Político-ideológica
De acordo com o cientista político Lucio Renno, da UnB (Universidade de Brasília) a participação histórica das mulheres nas eleições do país varia de 10% a 20%. Ele explica que essa representatividade está diretamente ligada a questões tradicionais e culturais, centradas nas figuras masculinas. "Os homens recebem financiamentos maiores e têm mais espaço", analisa.

Para Renno, a lei de cotas que exige um mínimo de mulheres concorrendo nos partidos melhora a possibilidade de mais mulheres concorrerem. "A lei de cotas aumenta essa necessidade de nomeação pelos partidos políticos, mas ela nunca é completamente cumprida", diz.

O cientista político, contudo, afirma que mais importante seria uma pesquisa qualitativa para avaliar e comparar os mandatos de homens e mulheres nas prefeituras. Ele lembrou dados de pesquisa recente feita no Legislativo apontou que mais que o gênero, as decisões dos parlamentares, são pautadas pela ideologia do partido.

"Uma mulher eleita por um partido conservador, tende a votar de acordo com a linha ideológica do partido, ou seja, o fato de ser mulher não faz com que ela vote favorável a questões da agenda feminista", reforça.

Fonte: Terra
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