
- Gonçalo Valduga
- Direto de Porto Alegre
O professor de Ioga Rodrigo Maroni, candidato a vereador pelo PCdoB, admitiu nesta quarta-feira que não é um estreante em eleições. Em entrevista ao Terra, o noivo da deputada federal Manuela D'ávila, candidata do PCdoB à Prefeitura de Porto Alegre, havia dito na segunda-feira que participaria de sua primeira candidatura no pleito deste ano. "Vou dizer nas palavras da Manuela o que é o meu sentimento. É a primeira campanha para valer. A outra não, foi um processo absolutamente estudantil", justificou.
Em 2006, depois de sair do movimento estudantil, Rodrigo Maroni concorreu a deputado estadual pelo Psol, partido fundado por dissidentes do PT em 2005. Na época, obteve 1.988 votos - no mesmo pleito, a futura noiva conquistou 271.939 votos, elegendo-se pela primeira vez para a Câmara dos Deputados. Logo depois, filiou-se ao PT de Porto Alegre e disputou a presidência do diretório municipal da legenda, na qual o vereador Adeli Sell saiu vencedor.
O candidato se considera um estreante porque, defende ele, a experiência de 2006 foi inferior. "Tinha poucos materiais e era organizada por um ou dois. A se considerar campanha mesmo, de forma organizada, que há um pensar e uma maneira de construir algo novo, essa (PCdoB) é diferente", explicou. Na opinião dele, o Psol se organizava à época e o principal objetivo naquele momento era buscar novas lideranças e fortalecer o projeto partidário.
Maroni negou que a passagem por três partidos diferentes em menos de seis anos seja interpretada negativamente pelo eleitorado. "A questão da opinião partidária é muito de vanguarda, é uma opinião de pessoas que participam e pensam a política a partir das organizações", divergiu. O professor de Ioga, que também é estudante de budismo, acredita na pluralidade das eleições. "Mesmo dentro dos partidos, existem pessoas pensando de maneiras diferentes. Isso é saudável e a existência de alternativas fortalece a democracia".
Na segunda-feira, o comunista também negou que utilizará o relacionamento com Manuela - deputada federal mais votada do Rio Grande do Sul, com mais de 480 mil votos em 2010 -, para alavancar a candidatura. Ele aparece ao lado da amada em material de campanha divulgado nas redes sociais. Com os dizeres "Maroni e Manuela. Juntos com amor por Porto Alegre", Maroni pede voto ao eleitorado. "Não é vantagem ou desvantagem. É uma coisa natural, não tem como maquiar uma circunstância. Está no olhar de quem vê", explicou-se.
Contas negadas
A candidatura de Rodrigo Maroni a deputado estadual em 2006, pelo Psol, teve as contas desaprovadas pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-RS). Em 2008, a ação não teve interposição de recurso e foi arquivada pelo órgão. Questionado, Maroni justificou que não teve conhecimento sobre o processo. "A campanha foi absolutamente artesanal. Era tão pouco dinheiro que nem tínhamos acompanhamento jurídico. A situação nem chegou em mim, não soube disso", explicou.
No entanto, o status jurídico não deve atrapalhá-lo neste pleito. A falta de aprovação de contas de campanha não impede a elegibilidade de candidatos em 2012. O tema foi aprovado pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em 28 de junho.
Perfil
Rodrigo Maroni, 30 anos, foi chefe de gabinete da Secretaria de Turismo do Estado. Cursou as faculdades de História e Marketing, nas quais ainda não se formou, e pretende iniciar a de Psicologia. Na época acadêmica, coordenou o DCE da Unisinos e foi ativista da União Nacional dos Estudantes (UNE). O candidato já foi filiado ao Psol e ao PT.

