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Cabral sai fortalecido com vitória de Dilma, dizem analistas

1 nov 2010 20h39
| atualizado às 22h54
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Grande apoiador da candidatura de Dilma Rousseff (PT) à presidência da República, o governador do Rio de Janeiro, Sérgio Cabral (PMDB), deve sair fortalecido com a vitória da petista e cobrar do novo governo os frutos da parceria com a sucessora de Luiz Inácio Lula da Silva, dizem analistas ouvidos pela BBC Brasil.

Dilma obteve mais de 60% dos votos válidos no Rio, terceiro colégio eleitoral do País, ficando 20 pontos percentuais à frente de José Serra (PSDB) no Estado.

Junto com os senadores eleitos Lindberg Farias (PT) e Marcelo Crivella (PRB), Cabral foi um grande cabo eleitoral de Dilma, dedicando-se à campanha principalmente no segundo turno. Para analistas, a vitória da candidata fortalece a posição de Cabral diante do novo governo e pode render outros frutos ao Estado.

"As posições do Rio e de Cabral se fortalecem muito. Ele foi um aliado de primeira hora, e as parcerias entre o Estado e o governo federal passaram a ser usadas como referências para ambos os lados", disse Marcelo Simas, coordenador do FGV-Opinião (núcleo de pesquisa social aplicada da Fundação Getúlio Vargas).

O alinhamento pode ser um trunfo para o governador ao pleitear investimentos no Estado e cobrar que Dilma mantenha uma promessa feita pelo presidente Lula: a de vetar as mudanças na distribuição dos royalties do petróleo - assunto que tramita no Congresso com as emendas Ibsen e Pedro Simon.

Logo após votar no domingo (31), Cabral deixou claro que vai cobrar a promessa da futura presidente, declarando ao jornal O Globo que "Dilma já garantiu que vai honrar o que está combinado entre mim, ela e o presidente Lula".

O governador luta para impedir que os royalties do pré-sal saiam dos Estados produtores e sejam redistribuídos nacionalmente. Em seu perfil do twitter (@sergiocabralrj), após a divulgação do resultado, Cabral disse que o Rio "mostrou sua força nas urnas" e assegurou que "a parceria de sucesso com Lula vai seguir com Dilma".

Força política
Reeleito com 66% dos votos no primeiro turno, Cabral ganhou força política com a perspectiva de ter seus principais projetos de governo - as Unidades de Polícia Pacificadora (UPPs) e as Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) - transformados em programas nacionais.

"Chamou atenção o fato de a candidata Dilma, por várias vezes na campanha, fazer referência às UPPs e às UPAs como programas que ela implementaria no plano nacional", diz o cientista político Jairo Marconi Nicolau, do Instituto de Estudos Sociais e Políticos da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (UERJ).

Para Marcelo Simas, o fato poderia viabilizar até mesmo uma candidatura à presidência de Cabral no futuro. "Se o governo federalizar as duas políticas e elas forem bem-sucedidas, ele sempre vai poder capitalizar em cima da ideia de que foi o seu governo que criou os programas", disse.

Ricardo Ismael, professor do Departamento de Sociologia e Política da PUC-Rio, disse que Cabral foi o primeiro a se beneficiar eleitoralmente da parceria com o governo federal, propagando a ideia de que os governos somam suas forças. "Essa parceria favoreceu a reeleição do Cabral e também a votação da Dilma aqui no Estado. Rendeu dividendos eleitorais para os dois lados", afirmou.

Já Simas aponta que o Rio sempre foi um colégio eleitoral importante para o PT. "O Rio tem uma forte tradição de esquerda, e mesmo nas duas eleições de Fernando Henrique Cardoso, Lula sempre ganhava no Rio", lembrou.

Sudeste
De acordo com Ismael, Cabral se tornou um dos mais importantes aliados do governo no Sudeste. A região teve governadores da base aliada eleitos para Rio e Espírito Santo, enquanto a oposição saiu vitoriosa em São Paulo e Minas Gerais. "Já pensando em um novo embate em 2014, os parceiros preferenciais para aporte de recursos são os governadores aliados", afirmou.

Em comparação ao governador eleito do Espírito Santo, Renato Casagrande (PSB), Ismael disse que Cabral deve se beneficiar ainda mais por ser do PMDB do vice-presidente eleito Michel Temer. Porém, o cientista político ressalta outros dois fatores que voltariam os olhos de Brasília para o Rio qualquer fosse o presidente eleito: a Copa do Mundo em 2014 e as Olimpíadas de 2016. "O Rio precisa de investimentos para cumprir com os compromissos que o Brasil já assumiu oficialmente", concluiu.

Ao lado da candidata, durante comício no Rio de Janeiro em julho, Lula disse que colocaria a mão no fogo por Dilma
Ao lado da candidata, durante comício no Rio de Janeiro em julho, Lula disse que colocaria a mão no fogo por Dilma
Foto: Roberto Stuckert Filho / Divulgação
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