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Bulgária acompanha de perto ascensão da "meio búlgara" Dilma

3 nov 2010 10h24
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Lúcia Müzell
Direto de Gabrovo

Basta anunciar que você é brasileiro para todas as portas se abrirem na Bulgária, onde a população festeja a eleição de Dilma Rousseff e acompanha os passos da transição presidencial no Brasil como se fosse um assunto relacionado à própria política nacional. Filha de um imigrante búlgaro que deixou o País em busca de oportunidades no ocidente, Dilma é, incontestavelmente, uma estrela na Bulgária.

Jornais búlgaros destacaram a eleição de Dilma Rousseff no Brasil
Jornais búlgaros destacaram a eleição de Dilma Rousseff no Brasil
Foto: Lúcia Müzell / Especial para Terra

Na cidade onde morava seu pai, Gabrovo, o orgulho é tanto que foi aberta no domingo, dia da eleição, uma exposição especial no principal museu do município sobre as origens da primeira presidente mulher do Brasil, a "meio búlgara" Dilma Rousseff, como a imprensa e a população têm se referido à petista.

Na terça-feira, ela ainda ocupava com destaque as capas dos principais jornais do País. "Brasileiros escolhem "mãe" com sangue búlgaro", disse o diário Trud, enquanto o Standard chamava a atenção para a emoção de Lula e da presidente eleita no momento da comemoração dos resultados. O jornal ressaltou também que Dilma se comprometeu a usar os seus quatro anos de mandato para acabar com a pobreza no Brasil, um dos pontos fracos que unem a Bulgária ao país do futebol.

"Nós ficamos sensibilizados com o fato de uma búlgara chegar ao topo de um dos principais países do mundo", disse Hristofor Ivanov, comerciante em um posto de combustíveis da cidade. "É um exemplo para todos nós, mesmo se ela nunca veio aqui. O importante é que ela tem o nosso sangue".

Mas nem tudo são flores na eleição da "meio búlgara". Outro jornal importante da Bulgária, o Dnevnik, foi menos afoito e disse que Dilma vai governar "no piloto automático" planejado por Lula. O Dnevnik se preocupa com a volta da inflação no Brasil em decorrência do elevado uso do crédito pessoal e dos juros altos aplicados na economia brasileira, taxa "inclusive mais alta do que em outras grandes economias emergentes, como a Rússia", destacou o jornal.

Embora jamais tenha posto os pés na Bulgária, o "sangue búlgaro" de Dilma se explica pelo pai da petista, Petar Steganov Rousev, um advogado búlgaro que preferiu deixar o país no final dos anos 20. Deixando para trás a esposa, grávida de oito meses, Petar morou primeiro na França e na Argentina antes de fixar residência no Brasil, em Belo Horizonte, onde adotou o nome de Pedro Rousseff.

Na capital mineira, o búlgaro conheceu Dilma Jane Silva e com ela teve três filhos: Igor, Dilma Vana e Zana - homenagem de Petar à sua irmã mais apegada, que ficou na Bulgária. Petar jamais conheceu o primeiro filho, Luben-Kamen Rusev, que por longos anos tentou encontrar-se com o pai no Brasil, mas jamais conseguiu autorização para deixar a Bulgária. A presidente eleita também nunca se encontrou com o meio-irmão, embora tenha trocado correspondências com ele pouco antes da sua morte, em 2008.

Gabrovo, uma cidade de 61 mil habitantes encravada em meio às montanhas, no coração da Bulgária, até pouco tempo atrás era conhecida por aspectos pitorescos: pela avareza dos seus habitantes e pelo senso de humor - existe até um Museu do Humor e da Sátira. Agora, a cidade espera que a fama de sua descendente traga frutos ao município. O prefeito da cidade, Nikolay Sirakov, já sugeriu uma parceria entre Gabrovo e o Rio de Janeiro, para uma troca de experiências entre o Carnaval carioca e o Carnaval do Humor de Gabrovo, realizado anualmente na primavera.

Fonte: Especial para Terra
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