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Aécio Neves aproveita eleições para pavimentar caminho para 2014

24 out 2012
18h49

De olho na eleição presidencial de 2014, o senador mineiro Aécio Neves (PSDB) tem aproveitado as eleições municipais deste ano para se tornar mais conhecido, buscando fortalecer uma provável candidatura a presidente da República.

Identificado por alguns de seus correligionários como nome natural do partido para concorrer ao Planalto, Aécio visitou mais de 20 Estados no primeiro turno da eleição e tem o desafio de fixar sua imagem principalmente nas regiões Norte e Nordeste, onde é pouco conhecido.

Um de seus colegas que lhe aponta como provável postulante tucano ao Palácio do Planalto é o presidente do PSDB de Minas Gerais, deputado federal Marcus Pestana, que, embora faça a ressalva de que ainda é "precoce" a definição de um nome para 2014, afirma que "nove entre dez tucanos querem o Aécio".

Analistas e políticos avaliam que as eleições municipais têm sido favoráveis para o senador até aqui. Aécio reafirmou seu poder político em Belo Horizonte com a reeleição do aliado Marcio Lacerda (PSB) numa disputa contra o petista Patrus Ananias, apoiado pela presidente Dilma Rousseff e pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Mas ainda há muito trabalho à frente. "Ele (Aécio) vai precisar de muita estrada, de muita rodagem, sobretudo no Norte e no Nordeste", avaliou o analista político da Tendências Consultoria Rafael Cortez.

Cortez afirma que para confirmar o favoritismo para ser o candidato tucano à Presidência, Aécio precisa "utilizar essas viagens a Estados importantes talvez nem tanto para tentar eleger um candidato específico, mas para servir de palanque, para aumentar o conhecimento dele" por parte do eleitorado.

No roteiro do senador tucano no primeiro turno estiveram cidades como Recife (PE), Salvador (BA), Aracaju (SE) e Joinville (SC). Nesta segunda etapa da campanha, Aécio já foi a Pelotas (RS) e Blumenau (SC), por exemplo, e deve participar de atos de campanha em Manaus (AM), São Luís (MA)e voltar a Salvador.

Além da tarefa de se consolidar como um nome nacionalmente conhecido, outro fator que pode ter influência na potencial candidatura do mineiro é o resultado do segundo turno da disputa pela prefeitura de São Paulo, na qual José Serra, que já concorreu à Presidência pelo PSDB por duas vezes, enfrenta o petista Fernando Haddad.

Para Cortez, da Tendências, caso vença a eleição, Serra ficará numa situação delicada para novamente deixar a prefeitura e rumar para uma nova disputa ao Planalto. Se sair derrotado, como indicam as últimas pesquisas, sairá sem força política para a empreitada.

"A eleição de 2012 foi bastante positiva para o Aécio. Aumentou bastante a probabilidade de ele se tornar o candidato do PSDB em 2014", avaliou. Uma derrota na maior cidade do País, entretanto, pode ser ruim para o projeto do PSDB de retornar à Presidência, de acordo com lideranças tucanas ouvidas pela Reuters.

Além de Serra e Aécio, outros nomes da legenda podem surgir como possíveis candidatos até a eleição, avalia o secretário-geral do PSDB nacional, Rodrigo de Castro, que chegou a ser chefe de gabinete quando Aécio foi governador. "Não começou ainda essa discussão", disse. "Pode ter outros nomes, como (o senador) Alvaro Dias, mas não há ainda uma plena discussão sobre isso."

Dias, inclusive, fez questão de lembrar que Aécio não é o único tucano que está rodando o País nesta eleição, embora reconheça a movimentação do colega. "A proposta dele é semear, não há dúvida. Mas outros do partido também estão andando", disse, lembrando que fez campanha em cidades como Teresina (PI), Cuiabá (MT) e Rio de Janeiro (RJ).

Apoios
A cúpula tucana tem comemorado publicamente o desempenho do partido nas eleições municipais. A sigla elegeu no primeiro turno Rui Palmeira prefeito de Maceió e segue como a segunda maior do País em número de prefeituras, atrás apenas do PMDB.

No segundo turno, o PSDB está em 17 cidades, sendo oito capitais. Nelas, o partido lidera em Manaus, Teresina e Belém (PA); está em empate técnico em Rio Branco (AC) e atrás nas pesquisas em João Pessoa (PB), Vitória (ES), São Luís e São Paulo (SP).

Embora tucanos comemorem o desempenho, analistas avaliam que só isso não basta para disputar a Presidência, empreitada que prescinde de alianças que garantam, entre outros pontos, palanques por todo o País e tempo de TV. Segundo analistas, Aécio ainda terá de buscar apoio além dos tradicionais aliados na oposição, DEM e PPS, para viabilizar seu nome daqui a dois anos.

"Se ele quer disputar 2014 a sério, ele vai ter que manter sua base sincronizada em Minas Gerais, criar outros parceiros institucionais, e falar mais próximo do eleitor", resumiu a cientista política da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) Helcimara de Souza Telles.

O PSB, do governador de Pernambuco, Eduardo Campos, com quem Aécio se aliou em Belo Horizonte para eleger Lacerda, seria a alternativa "dos sonhos" do senador, mas no contexto nacional os socialistas ainda se alinham ao governo Dilma. "O ideal do ponto de vista do Aécio seria essa união entre o PSB e o PSDB, uma ruptura na base aliada. Seria o sonho de consumo do Aécio", disse Cortez, da Tendências.

O próprio Campos, no entanto, é tido como um possível candidato ao Planalto em 2014 e sai fortalecido com o desempenho de seu partido nas eleições.

Uma possível alternativa para dar sustentação à candidatura de Aécio seria o PSD, do prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab. O partido, que se declara independente em âmbito nacional, no entanto, tem votado a favor do governo no Congresso e pode assumir um ministério em breve.

Além disso, Kassab tem uma forte ligação política com Serra, que tem protagonizado embates com Aécio dentro do PSDB, o último deles, pela candidatura presidencial de 2010, no qual Serra levou a melhor.

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