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É mais fácil presidir a Petrobras, diz favorito a dirigir PT

19 nov 2009
17h53
atualizado às 18h46

O PT vai às urnas no próximo domingo e entrega a um novo presidente interno a missão de preparar o partido para a disputa pela sucessão presidencial de 2010, na primeira eleição em 21 anos sem a presença do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Ex-presidente da Petrobras e da BR Distribuidora, José Eduardo Dutra conta com o apoio de Lula e é o favorito na disputa. Outros cinco nomes concorrem à sucessão do deputado Ricardo Berzoini (SP), representando as diversas tendências que se abrigam na legenda.

"Presidir o PT é mais difícil que presidir a Petrobras. A Petrobras é profissionalizada, não tem disputa de tendências", disse Dutra. Ainda com imagem abalada pelo escândalo do mensalão de quatro anos atrás e criticado pela obediência sistemática ao presidente Lula, o PT estará à frente das articulações com as siglas aliadas para compor a candidatura da ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff. O alvo são as 15 legendas que apoiam o governo Lula, mas que não necessariamente estarão ao lado da pré-candidata.

"Vamos repetir a mesma base de apoio do Congresso", disse Dutra. "A tarefa imediata da nova direção é debater com PMDB e PSB as divergências locais", afirmou, citando siglas que têm algum tipo de resistência à União com o PT.

Ressalvando que ainda não participa das negociações, Dutra disse que não cabe ao PT fazer juízo de valor sobre o PMDB, legenda considerada fisiológica e de práticas arcaicas e que será o principal aliado no ano que vem. "Temos que respeitar o povo, que fez o PMDB assim. Queremos ter aliança pela capilaridade e pelo tempo de TV", disse.

Questionado sobre posições como esta em relação ao PMDB, que já foram combatidas pelo PT no passado, Dutra não se abalou. "Ninguém faz política sem boa dose de pragmatismo. Quem está na política não pode ficar no principismo." Quanto à candidata Dilma, escolha pessoal de Lula, Dutra disse que ela conquistou seu espaço no PT e está credenciada a disputar a eleição com pleno apoio da legenda.

Depois de chefiar a principal estatal do País, Dutra, ex-senador e ex-sindicalista de 52 anos, acredita na função do Estado como indutor e regulador da economia. "Quem acendia velas para o 'deus mercado' viu que esse tipo de modelo econômico faliu com a crise", afirmou, defendendo a presença de estatais de porte, como a Petrobras e a BR.

Apesar da declaração de Dutra sobre a dificuldade de lidar com as tendências do partido, o cientista político Darlan Montenegro, que recentemente defendeu tese de doutorado pelo Iuperj sobre o processo de construção do PT, acredita em sua liderança. "Dutra tem uma visão mais ampla e bastante trânsito com o conjunto das correntes", afirmou o estudioso, para quem Dutra estará no lugar certo no ano que vem.

Geólogo e vindo das estatais do petróleo, ele combina com um dos temas principais da futura campanha eleitoral, que são as reservas de petróleo do pré-sal. Para Montenegro, o PT "preservou sua força" mesmo após o escândalo do mensalão, prática de pagamento para aliados em troca de apoio.

A chapa que sustenta Dutra tem vários petistas vinculados ao escândalo. O candidato saiu em defesa dos colegas. Para ele, o ex-ministro José Dirceu, os deputados José Genoino, José Paulo Cunha e José Mentor "estão no gozo de seus direitos partidários". A julgar pelo número de filiados, o escândalo pouco influenciou a atração pela legenda. São 1,350 milhão agora, frente a 850 mil há dois anos.

A candidatura de Dutra leva vantagem não só por representar a ala Construindo Um Novo Brasil, majoritária, mas por reunir duas outras tendências fortes, ambas ligadas à ex-prefeita de São Paulo Marta Suplicy (PT de Luta e de Massas e Novos Rumos). No total, elas representaram 60 por cento dos votos da eleição de 2007.

Os outros candidatos, mais à esquerda, são os deputados José Eduardo Cardozo (Mensagem ao Partido e Democracia Socialista), Geraldo Magela (Movimento PT), e Iriny Lopes (Articulação de Esquerda e Militância Socialista), além de Serge Goulart (Esquerda Marxista) e Markus Sokol (O Trabalho).

Mesmo que não saiam vencedoras, essas correntes acabam por ganhar postos na direção partidária. Está previsto segundo turno em dezembro se o candidato mais votado não atingir mais de 50%. A posse será em fevereiro.

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