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É inútil especular aprovação da Emenda Dante, diz Sarney

Há 30 anos, deputados derrubavam projeto e atrasavam ainda mais as eleições diretas no Brasil

25 abr 2014
08h34
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Há exatos 30 anos, deputados federais do governista PDS ajudavam a derrubar a emenda constitucional que restabeleceria as eleições diretas. Presidente da legenda à época da votação, José Sarney acabou alçado ao Palácio do Planalto ao ser eleito, em votação indireta, vice-presidente na chapa de Tancredo Neves, que morreu antes de assumir. Para o hoje senador pelo PMDB-AP, é inútil especular o que teria acontecido caso a escolha tivesse sido feita em eleições diretas em 1985.

<p>Sarney era presidente dp PDS à época da votação</p>
Sarney era presidente dp PDS à época da votação
Foto: Marcos Oliveira / Agência Senado

“O ímpeto da campanha das Diretas Já certamente teve influência positiva na mobilização da campanha de Tancredo. É inútil especular o que teria acontecido se a Emenda Dante de Oliveira tivesse sido aprovada”, disse o peemedebista ao Terra.

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Em viagem ao Maranhão na semana em que completa 84 anos, Sarney concordou em responder questionamentos por e-mail sobre a época da campanha das Diretas, mas evitou fazer juízo sobre a decisão do partido. “Pouco me envolvi no debate da Emenda Dante de Oliveira, que não chegou ao Senado. Por outro lado, eu estava convencido de que a volta das eleições diretas para presidente estava próxima”, escreveu. 

Como a emenda não passou pela Câmara, José Sarney, na época senador pelo Maranhão, não precisou votar nem contra ou a favor. Seu partido, no entanto, foi o responsável pela derrota da emenda: dos 113 ausentes na sessão, 112 eram do PDS.  A emenda recebeu 298 votos a 65, mas eram necessários 320 favoráveis para ser apreciada pelo Senado. 

Além da oposição, a emenda ganhou apoio de 55 deputados dissidentes do PDS que apoiavam as eleições diretas. Entre eles, estava Sarney Filho, hoje deputado federal pelo PV-MA. O parlamentar, na época com 26 anos, disse não ter comunicado o pai sobre a decisão, mas que se preocupou com o futuro político daquele que seria presidente da República. “Meus filhos sempre tiveram total liberdade política. Não me surpreendi com o voto do deputado Sarney Filho, que expressou sua convicção”, disse Sarney.

A dissidência do PDS acabou formando a Frente Liberal, que mais tarde indicaria José Sarney a vice de Tancredo. A chapa saiu vencedora, dando início ao primeiro governo civil depois da ditadura militar. Uma nova Constituição foi aprovada durante o governo, e o País foi às urnas em 1989 para eleger Fernando Collor de Mello à Presidência da República.

Fonte: Terra

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