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Dinâmica de eleição municipal afeta precisão de pesquisas, dizem analistas

26 out 2012
21h22

As pesquisas de intenção de voto não podem ser encaradas como uma antecipação do resultado nas urnas, principalmente nas eleições para prefeituras, uma vez que a rápida disseminação de informações no âmbito municipal pode provar mudanças repentinas na opinião do eleitorado, alertaram especialistas.

A velocidade em que o eleitorado muda de opinião ganha força em disputas locais, tornando mais difícil que os números apontados pelas pesquisas de intenção de voto se reflitam no resultado final.

"A esfera do município é a mais próxima do eleitor. É onde os problemas do dia-a-dia impactam diretamente na vida do cidadão. E além disso a informação circula de maneira muito mais rápida, mais imediata", explicou a diretora-executiva do Ibope, Márcia Cavallari.

Mauro Paulino, diretor-geral do Instituto Datafolha, aponta um outro fator que colabora para o dinamismo das disputas municipais.

"Quanto menor o universo, maior o peso do eleitor. Uma pequena fatia pode mudar o resultado", afirmou. "As eleições municipais têm uma característica de movimentos muito rápidos... Esse fenômeno é constante em eleições municipais."

Para o cientista político da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE) Adriano Oliveira, em alguns casos os institutos de pesquisa não têm conseguido captar mudanças repentinas do eleitorado que ocorrem principalmente próxima à hora do voto.

"Está ocorrendo um processo de decisão de voto na reta final muito próximo do encerramento da campanha, no dia da eleição. Isso, de fato, os institutos de pesquisa não estão conseguindo alcançar", disse.

Embora a afirmação de que as pesquisas mostram um "retrato do momento" já tenha se tornado um chavão político, ela é válida, afirmam analistas.

"Toda pesquisa revela algo que já aconteceu e nunca o que vai acontecer", explica Paulino, do Datafolha. "O erro mais comum que existe é o de projetar o resultado de uma pesquisa para o futuro."

Ainda assim, segundo Paulino, é possível identificar uma tendência de crescimento ou queda de determinado candidato se as sondagens forem analisadas em conjunto, avaliando a evolução do eleitorado a cada pesquisa.

"Se você montar como um fotograma, você consegue montar uma cena e imaginar como essa cena vai continuar", explicou.

Márcia, do Ibope, reconhece que qualquer pesquisa tem suas limitações que impedem os institutos de oferecer um resultado com 100 por cento de certeza, motivo pelo qual as sondagens de intenção de voto trabalham com a chamada "margem de erro".

"Nós trabalhamos com probabilidade. Quando você não faz um censo, não entrevista todo mundo, você pega uma amostragem e por isso é que existe a margem de erro", disse Márcia.

Esses fatores, juntos, podem provocar fenômenos de última hora, que podem não ser captados pelos institutos, como as que ocorreram no primeiro turno da eleição municipal em Salvador, Manaus e Curitiba.

Na capital paranaense as pesquisas de intenção de voto --e até mesmo a de boca de urna-- não apontaram a chegada de Gustavo Fruet (PDT) no segundo turno. O resultado das urnas, no entanto, colocou o pedetista na rodada decisiva contra Ratinho Júnior, do PSC.

Em Manaus, até a antevéspera das eleições, as pesquisas apontavam disputa acirrada entre Arthur Virgílio (PSDB) e Vanessa Grazziotin (PCdoB). Entretanto, o resultado das urnas mostrou uma liderança folgada do tucano.

Já na capital baiana, pesquisa de boca de urna apontava Nelson Pelegrino (PT) 7 pontos à frente de ACM Neto, do DEM, o que foi desmentido pela apuração dos votos. ACM Neto terminou à frente e disputa o segundo turno como adversário petista.

O coordenador da campanha de ACM Neto, o ex-deputado José Carlos Aleluia, acredita, inclusive, que as pesquisas desfavoráveis podem ter retirado votos de seu candidato. Para o coordenador, o ideal seria que mais institutos realizassem sondagens.

"Como nem sempre tem orçamento, nem todos os órgãos podem contratar pesquisa. Na Bahia, a única pesquisa contratada por órgão de imprensa foi o Ibope, que é um bom instituto, mas o ideal é que fossem três", afirmou.

Por outro lado, os institutos trabalham justamente para evitar grandes discrepâncias, com cuidado especial na escolha da amostragem, disse Paulino, do Datafolha.

"Não dá para fazer uma eleição toda semana. O que fazemos é uma pesquisa por amostragem, com base na ciência estatística, a opinião do eleitor... Se a sua amostra estiver reproduzindo as mesmas proporções do seu universo, você consegue ter um retrato mais fiel", disse.

(Reportagem adicional de Eduardo Simões em São Paulo)

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